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Estudo de Yale reativa atividade celular em cérebro de porcos horas após a morte

18 abr 2019
11h58
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Cientistas da Universidade Yale conseguiram restaurar a atividade celular básica em cérebros de porcos horas após suas mortes, em uma descoberta que um dia pode levar a avanços no tratamento de derrames e lesões cerebrais de humanos, disseram pesquisadores na quarta-feira.

Porcos em fazenda chinesa
17/01/2019
REUTERS/Ryan Woo
Porcos em fazenda chinesa 17/01/2019 REUTERS/Ryan Woo
Foto: Reuters

Os cientistas enfatizaram que seu trabalho não chega nem perto de redespertar a consciência nos cérebros retirados dos porcos. Na verdade, o experimento foi concebido especificamente para evitar tal resultado, por mais improvável que seja.

Ainda assim, o estudo dá ensejo a uma série de questionamentos bioéticos, entre eles a própria definição de morte cerebral e as consequências possíveis para protocolos ligados à doação de órgãos.

A pesquisa resultou de esforços para intensificar o estudo do desenvolvimento cerebral, doenças e evolução. A principal aplicação prática é a perspectiva de permitir que os cientistas analisem exemplares de cérebros inteiros de grandes mamíferos em três dimensões, ao invés de fazê-lo por meio de estudos limitados a pequenas amostras de tecidos, disse a universidade norte-americana.

O estudo, apoiado pelos Institutos Nacionais de Saúde, não oferece nenhum avanço clínico imediato para humanos, segundo seus autores.

Os resultados do experimento, que serão publicados nesta quinta-feira no periódico científico Nature, vão de encontro aos princípios há muito aceitos de morte cerebral, que sustentam que a atividade celular vital cessa irreversivelmente segundos ou minutos depois que o fluxo de oxigênio e sangue é interrompido.

O rejuvenescimento limitado da função circulatória e do metabolismo celular nos cérebros de porcos, que foram retirados de animais abatidos em uma usina de processamento de carne, foi realizado quatro horas após a morte injetando uma solução química especial, criada para preservar o tecido, nos cérebros.

"O cérebro intacto de um grande mamífero retém uma capacidade antes subestimada de restauração da circulação e de certas atividades moleculares e celulares várias horas após a parada circulatória", disse o principal pesquisador, Nenad Sestan, em um informe de Yale divulgado antes do estudo.

Os cientistas ressaltaram, porém, que os cérebros tratados não mostraram nenhum sinal detectável de atividade elétrica organizada associada a percepção, noção ou consciência.

"Definido clinicamente, este não é um cérebro vivo, mas é um cérebro celularmente ativo", explicou Zvonimir Vrselja, coautor do estudo e pesquisador associado de neurociência.

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