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Chile: esquerda e direita disputam presidência neste domingo

Segundo turno das eleições presidenciais chilenas, entre Sebastián Piñera e Alejandro Guillier enfrenta o perigo da abstenção

17 dez 2017 08h59
| atualizado às 09h54
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Mais de 14 milhões de chilenos estão aptos a votar, neste domingo (17), no segundo turno da eleição presidencial entre o ex-presidente conservador Sebastián Piñera e o candidato de centro-esquerda Alejandro Guillier.

Mais da metade dos eleitores chilenos não votaram no primeiro turno das eleições presidenciais
Mais da metade dos eleitores chilenos não votaram no primeiro turno das eleições presidenciais
Foto: DW / Deutsche Welle

No primeiro turno, realizado em 19 de novembro último, o bilionário Piñera, presidente do Chile entre 2011 e 2014, foi o candidato mais votado (36,6%), mas a diferença para o jornalista e sociólogo Guillier ficou em 14 pontos percentuais. O pleito teve uma participação eleitoral de somente 47%.

Enquanto Piñera desiludiu todos os que acreditavam que ganharia o primeiro turno com uma margem folgada, Guillier garantiu a presença nas eleições deste domingo contrariando todas as sondagens, algumas consideradas por determinados setores de terem sido elaboradas em benefício do ex-presidente, de 68 anos.

As sondagens que antecederam as eleições de 19 de novembro davam a vitória a Piñera, que esperava um resultado perto dos 45%, mas, contra as expetativas de muitos analistas, a esquerda surpreendeu.

A candidatura de Guillier, senador independente de 64 anos, é apoiada pela governista Nova Maioria, uma aliança de centro-esquerda composta desde democrata-cristãos até comunistas, incluindo o Partido Socialista, da atual presidente Michelle Bachelet.

O rico empresário Piñera é o candidato do Chile Vamos, um bloco que integra, entre outros, o partido Renovação Nacional (RN) e a União Democrata Independente (UDI), a formação que colaborou mais estreitamente com a ditadura de Augusto Pinochet.

Expectativas eleitorais

Na eleição desde domingo, Guillier talvez possa contar com os votos da Frente Ampla, que apresentou como candidata presidencial a jornalista Beatriz Sánchez, no primeiro turno eleitoral em novembro.

As sondagens para o primeiro turno não davam mais de 8% de intenção de voto a Sánchez, porém a candidata do grupo de esquerda, liderado por alguns protagonistas dos protestos estudantis de 2011, angariou 20,4% dos votos e ficou perto de Guillier.

Para este domingo, analistas políticos acreditam que os votos de Beatriz Sánchez tendem a ser direcionados para Guillier, não só por ser o candidato da esquerda, mas também para evitar a vitória do conservador Piñera, que defende os valores da família e do humanismo cristão.

Espera-se que Piñera possa ganhar votos da extrema-direita de José Antonio Kast, um ultraconservador que conseguiu 8% dos votos no primeiro turno e que defende o legado do antigo ditador Augusto Pinochet, o que permitiria reunir entre 40 a 45% do total de votos.

As sondagens revelam uma pequena vantagem de Piñera sobre Guillier, que poderá se beneficiar dos votos da Democracia Cristã, que, pela primeira vez, enviou em novembro um candidato próprio, Carolina Goic, que obteve 6% dos votos.

A Democracia Cristã, que assumiu ter obtido um péssimo resultado no primeiro turno das eleições presidenciais, dificilmente apoiará Piñera, porque o partido sempre esteve distante da direita.

A verdade é que atual pleito promete ser muito apertado. Além disso, Piñera e Guillier têm o pior inimigo: a abstenção, que vem aumentando desde 1993, mais acentuadamente a partir de 2012, quando o voto passou de obrigatório a voluntário.

CA/dpa/lusa

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