'Era perigoso', Honda revela detalhes de problemas com Aston Martin
Após duas semanas de testes desastrosos no Bahrein, a Honda está em uma corrida contra o tempo para resolver os graves problemas de vibração da Aston Martin antes da abertura da temporada de 2026 da Fórmula 1.
Esse é o primeiro ano de parceria da Honda com a Aston Martin, após oito anos com a Red Bull, e o início da relação está sendo mais complicado do que o esperado. A equipe teve uma quilometragem mínima no shakedown de Barcelona após o atraso na entrega do AMR26 e apresentou uma série de problemas, tanto no carro quanto na unidade de potência, durante as semanas no Bahrein.
No total, a Aston Martin percorreu 2.115 km de distância, número que representa um pouco mais de um terço da quilometragem de equipes como Mercedes, Haas e Ferrari, e um pouco mais da metade da quilometragem da novata no grid, a Cadillac.
Sendo a única parceira da Honda na Fórmula 1, as falhas significam que a quilometragem da nova unidade de potência Sakura tem sido inferior à de seus rivais. No último dia da segunda semana de testes no Bahrein, a AM encerrou sua participação mais cedo por falta de baterias reservas.
Em declarações à imprensa japonesa, a montadora deu mais detalhes sobre os problemas da unidade de potência, explicando que as vibrações excessivas provenientes do motor a combustão estavam causando sérios danos à bateria.
"As vibrações anormais observadas durante os testes causaram danos ao sistema de baterias, o que foi o principal motivo da interrupção", disse Ikuo Takeishi, chefe do departamento de corridas de quatro rodas da HRC. "Paramos o carro porque achamos que ele não deveria continuar funcionando naquele estado. Não que um acidente fosse iminente ou algo do tipo, mas paramos o carro porque era perigoso."
"A equipe de produção está, naturalmente, investigando a causa e trabalhando em contramedidas, enquanto simultaneamente implementa medidas no chassi. Especificamente, estamos utilizando a bateria em uma bancada com o monocoque montado, executando ativamente diversas contramedidas, além de realizar análises e medidas para reduzir a vibração", seguiu.
Takeishi também afirmou ser cedo para dizer se existe um problema real com o projeto da bateria em si. Porém, como ele acredita que a causa das vibrações não seja uma única peça, a Honda teme que não exista uma solução fácil.
"As vibrações danificaram a bateria, então não podemos afirmar se o problema está na própria bateria", explicou o dirigente. "Podemos pensar que a bateria está vibrando dentro da carroceria do veículo. Essencialmente, a área onde a bateria está fixada está vibrando. Se isso estivesse dentro do esperado, acredito que teríamos feito ajustes adicionais. Como está, suspeito que nos deparamos com uma situação bastante desafiadora."
"Por exemplo, se a causa fosse identificada como algo relacionado à transmissão ou ao motor, seria muito mais fácil de resolver. No entanto, suspeito que vários componentes estejam interagindo para gerar a vibração. Sendo assim, não está claro se consertar apenas uma peça resolverá o problema, então não podemos descartar a possibilidade de isso se prolongar. Dito isso, em termos de determinação, estou absolutamente empenhado em consertá-lo rapidamente", afirmou Takeishi.
Apesar de todos os obstáculos, a Aston Martin e a Honda seguem comprometidas com as etapas iniciais da temporada 2026. A fornecedora espera que o carro esteja "em um estado competitivo" até o GP do Japão no final do próximo mês, a terceira corrida do campeonato: "Meu objetivo é reduzir a vibração antes da abertura da temporada, mas pretendo deixar o carro em condições competitivas antes de Suzuka", disse o diretor.
Enquanto existe um sentimento de confiança interna de que a unidade de potência estará em um estado melhor após o problema de vibração ser resolvido, Takeishi reconheceu que a Honda não está em posição de "falar ativamente sobre desempenho" neste momento.
No entanto, Koji Watanabe, chefe da HRC, afirmou que a fabricante japonesa e a Aston Martin trabalhariam com calma para superar o início difícil de sua parceria.
"Os recentes testes de pré-temporada em Barcelona e no Bahrein foram, francamente, extremamente desafiadores para nós", disse Watanabe. "Não conseguimos atingir os níveis de desempenho que havíamos previsto e uma série de problemas complexos se tornou evidente. No entanto, esses testes também foram um processo crucial, pois nos permitiram visualizar esses desafios."
"Pode haver vários problemas de ambos os lados, mas estamos buscando uma parceria de longo prazo e, neste momento, acredito que estamos unidos no desejo de resolver as questões como uma única equipe. Tive conversas muito positivas por telefone com o presidente [Lawrence] Stroll e [Adrian] Newey sobre como resolver a situação. Com a abertura da temporada se aproximando, é evidente que faremos o possível para garantir que estejamos prontos para correr na Austrália", explicou.
"Naturalmente, os pilotos que estão realizando os testes estão compreensivelmente frustrados, mas só podemos resolver isso por meio do desempenho", concluiu Watanabe.
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