Emprego entre imigrantes na UE atinge recorde histórico
Taxa de ocupação subiu a 68,2% em 2025, maior nível já registrado. Disparidade para mulheres e cidadãos nascidos fora do bloco, porém, segue alta.A taxa de emprego de imigrantes na União Europeia (UE) alcançou um recorde histórico em 2025: 68,2%, o maior nível desde o início da série histórica, em 2017. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (23/07) pela Rockwool Foundation Berlin (RFBerlin).
O avanço foi observado em todos os grupos, mas foi mais intenso entre cidadãos de países de fora da UE. Nesse segmento, a taxa de emprego passou de 59,4% em 2017 para 66% em 2025, um aumento de 6,6 pontos percentuais. Apesar da melhora, o índice ainda permanece abaixo do registrado entre os nativos (71,6%) e entre migrantes dentro do bloco (74,8%).
O estudo, baseado em dados da agência estatística europeia Eurostat para a população de 15 a 64 anos, mostra que cerca de três quartos dos imigrantes em idade ativa residentes na UE nasceram fora do bloco.
"O percentual de imigrantes empregados vem aumentando há muitos anos e os números já se aproximam dos observados entre a população nativa", afirmou Tommaso Frattini, professor de Economia da Universidade de Milão e vice-diretor do Centro de Pesquisa e Análise de Migração da fundação.
Diferenças entre países
Os pesquisadores destacam que os resultados de imigrantes europeus são, em geral, semelhantes ou superiores aos dos nativos. Em países como Croácia, Chipre, República Tcheca, Irlanda, Luxemburgo, Malta e Portugal, cidadãos de outros Estados-membros apresentam taxas de emprego mais altas do que a população local.
Entre os imigrantes oriundos de países de fora da UE, porém, as diferenças entre os países são mais acentuadas. As maiores taxas de emprego foram registradas em Malta (83,7%), República Tcheca (77,3%) e Irlanda (76,1%). Na Estônia e em Portugal, mais de 75% dos nascidos fora do bloco estavam empregados.
Na outra ponta aparecem Bélgica (58,5%) e Finlândia (58,6%), além de França (61,5%), Itália (64,2%) e Alemanha. Esses países combinam taxas elevadas de emprego entre os nativos com níveis significativamente mais baixos entre imigrantes de fora da UE.
Na Alemanha, a taxa de emprego desse grupo alcançou 66,1%, bem abaixo dos 79,6% registrados entre os nativos e dos 78,6% observados entre migrantes oriundos de outros países da UE. Ao lado da Holanda, o país concentra uma das maiores desvantagens relativas para trabalhadores de fora do bloco, justamente por apresentar um mercado de trabalho particularmente forte para a população local.
Desafio maior para mulheres e profissionais qualificados
Os dados revelam um cenário mais desafiador para as mulheres. Em 2025, homens oriundos de países de fora da UE já apresentavam taxas de emprego próximas às dos homens nativos, enquanto as mulheres desse grupo continuavam muito atrás da população local. As disparidades são especialmente elevadas em países como Grécia e Itália.
Outro ponto destacado pelo estudo é a situação dos trabalhadores altamente qualificados. Embora o ensino superior esteja associado a maiores taxas de emprego em todos os grupos analisados, imigrantes com alta qualificação provenientes de países de fora da UE continuam encontrando mais dificuldades para conseguir trabalho do que nativos com o mesmo nível educacional.
"A Europa fez progressos notáveis na integração de imigrantes ao mercado de trabalho", disse Christian Dustmann, diretor da RFBerlin. "O desafio hoje já não é apenas inserir imigrantes no emprego, mas garantir que suas qualificações sejam plenamente aproveitadas."
Segundo os autores, medidas como ampliar o reconhecimento de diplomas obtidos no exterior, reduzir exigências de certificação consideradas desnecessárias e elevar a participação das mulheres de fora da UE no mercado de trabalho poderiam ajudar a amenizar a escassez de mão de obra enfrentada por diversos países europeus.
A avaliação converge com a da Agência Federal de Emprego da Alemanha, que atribui à imigração papel central na expansão recente do mercado de trabalho alemão. Segundo a instituição, a maior parte do crescimento do emprego entre 2014 e 2025 foi impulsionada por trabalhadores estrangeiros. Cerca de 43% dos novos postos criados no período foram ocupados por cidadãos de países de fora da União Europeia.
gq/le (Reuters, ARD, ots)
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