Em meio a ataques de Israel, crescem apelos para que cessar-fogo inclua o Líbano
UE, França e Reino Unido pedem que Israel suspenda ataques ao país vizinho devido ao pacto com o Irã. Acompanhe o conflito.
EUA e Irã concordam em cessar-fogo de duas semanas, mas trégua mostra sinais de fragilidade
Israel mantém ataques ao Líbano e diz que trégua não vale para sua guerra contra o Hezbollah, aliado do Irã. Em um único dia, autoridades libanesas contabilizam mais de 200 mortos
Retomada do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz ainda é uma incógnita, com o Irã ainda ainda limitando passagem na via para pressionar por cessar-fogo no Líbano
UE, França e Reino Unido pedem que Líbano seja incluído no acordo com o Irã
Irã eleva a cifra de mortos no conflito para mais de 3 mil
Vice-presidente JD Vance vai liderar comissão americana que negociará com o Irã no Paquistão neste sábado (11/04)
Acompanhe abaixo os desdobramentos dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã, em 28 de fevereiro, que mataram o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e vários chefes militares, desencadeando o atual conflito no Oriente Médio:
Presidente do Irã diz que continuidade de ataques de Israel no Líbano sabota negociações de paz
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, alertou nesta quinta-feira (09/04) que os contínuos ataques de Israel contra o Líbano, apesar do acordo de cessar-fogo anunciado nesta semana entre Washington e Teerã, "tornarão as negociações inúteis".
O alerta do chefe de Estado iraniano foi feito pouco depois de o Paquistão ter confirmado que delegações de ambos os países se vão reunir na sexta-feira em Islamabad para tentar chegar a um acordo final.
"As repetidas agressões da entidade sionista [como o regime iraniano se refere a Israel] contra o Líbano são uma violação flagrante do acordo inicial de cessar-fogo e um sinal perigoso de engano e falta de compromisso com um possível acordo" de paz, afirmou o presidente iraniano nas redes sociais, em referêcia ao conflito no Líbano, que tem ocorrido paralelamente à guerra no Irã.
As forças israelenses lançaram uma intensa série de bombardeios na quarta-feira, que fez mais de 200 mortos e mil feridos em território libanês e provocaram cenas de destruição e caos em Beirute.
"A continuação destes ataques tornará as negociações inúteis", afirmou, na mensagem publicada nas redes sociais.
"Os nossos dedos continuam no gatilho. O Irã nunca abandonará os seus irmãos e irmãs libaneses", avisou, num contexto de plena condenação internacional dos ataques israelenses, que começaram na quarta-feira e continuam hoje.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, anunciou um cessar-fogo no Irã na terça-feira, após os seus esforços de mediação, afirmando que "o Irã e os Estados Unidos, juntamente com os seus aliados, concordaram com um cessar-fogo imediato em todos os lugares, incluindo o Líbano e outros países".
No entanto, Israel alegou pouco depois que o Líbano não estava incluído no acordo e lançou a sua maior onda de bombardeios contra o país, deixando pelo menos 200 mortos e 890 feridos.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Levitt, reiterou posteriormente que o Líbano não fazia parte do acordo, no meio de críticas e avisos do Irã, que recordou a mensagem publicada por Sharif, líder dos esforços de mediação para pôr fim ao conflito.
Teerã salientou que o Líbano é especificamente mencionado, apesar das declarações subsequentes de Israel e dos Estados Unidos.
Jps (Lusa)
Irã eleva cifra de mortos na guerra para mais de 3 mil
O chefe da Organização de Medicina Forense do Irã, Abbas Masjedi Arani, elevou nesta quinta-feira para mais de 3 mil o número de mortos na guerra iniciada por Estados Unidos e Israel no último dia 28 de fevereiro.
"Perdemos mais de 3 mil pessoas nos ataques inimigos em todo o país", disse Masjedi à agência de notícias iraniana Mizan.
A fonte acrescentou que 40% dos falecidos não puderam ser identificados inicialmente e que as equipes ainda trabalham para identificar os corpos.
O Irã não divulgava há mais de um mês dados sobre o número de mortos em seu território na guerra. A última cifra oficial havia sido publicada em 5 de março e situava-se em 1.230.
No entanto, a ONG opositora HRANA, com sede nos Estados Unidos, calcula o número de mortos em 3.636, sendo 1.701 civis.
Entre os mortos encontram-se diversas autoridades, incluindo o líder supremo do Irã, Ali Khamenei; o então secretário do poderoso Conselho de Segurança Nacional, Ali Larijani; e o comandante-em-chefe da Guarda Revolucionária, o general Mohammad Pakpur.
Irã e Estados Unidos estabeleceram na noite de quarta-feira um cessar-fogo de duas semanas, durante as quais negociarão o fim de uma guerra que começou há mais de 40 dias.
No conflito, Estados Unidos e Israel bombardearam diariamente instalações militares, nucleares e energéticas, além de locais civis como hospitais e universidades no Irã, que respondeu com ataques a interesses americanos na região, a países vizinhos e com o fechamento do Estreito de Ormuz, o que gerou consequências na economia global.
dm (EFE, ots)
China pede moderação após ataques no Líbano
A China pediu moderação após os ataques israelenses ao Líbano, em meio a um intenso debate sobre o frágil cessar-fogo na guerra com o Irã.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Mao Ning, disse em Pequim que a China está pedindo às partes envolvidas que mantenham a calma e ajudem a apaziguar a situação na região.
A soberania e a segurança do Líbano não devem ser violadas, afirmou ela.
O ataque maciço de Israel contra alvos no Líbano matou mais de 200 pessoas e feriu mais de mil na quarta-feira, segundo o ministro da Saúde libanês.
Os militares israelenses disseram que alvejaram comandantes do Hezbollah e infraestrutura militar.
Ao contrário do Irã, os Estados Unidos e Israel não consideram o Líbano abrangido pelo cessar-fogo anunciado no início desta semana.
O Irã está considerando se retirar da trégua - que inclui a reabertura do importante Estreito de Ormuz - devido aos contínuos ataques de Israel ao Hezbollah, informou a agência de notícias iraniana Fars.
Questionado sobre o cessar-fogo entre os EUA e o Irã, Mao disse que a China esperava que todas as partes aproveitassem a oportunidade para chegar a uma trégua e encerrar a guerra por meio de canais diplomáticos.
md (DPA, ots)
Crescem apelos para que cessar-fogo inclua o Líbano
Em meio a temores de que a frágil trégua possa ruir no Golfo, crescem os apelos internacionais para que o cessar-fogo também inclua o Líbano.
"As ações israelenses estão colocando o cessar-fogo entre EUA e Irã sob forte pressão. A trégua com o Irã deve se estender ao Líbano", disse a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas.
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, condenou os ataques como "inaceitáveis", enquanto sua homóloga britânica, Yvette Cooper, pediu que o cessar-fogo inclua o Líbano.
O gabinete do primeiro-ministro libanês disse que quinta-feira seria "um dia nacional de luto pelos mártires e feridos dos ataques israelenses que alvejaram centenas de civis inocentes e indefesos".
A última onda massiva de ataques israelenses no Líbano matou mais de 200 pessoas, segundo autoridades do país.
O Hezbollah disse ter disparado foguetes contra Israel em resposta ao que chamou de violação da trégua.
md (AFP, EFE)
Reino Unido pede que Líbano seja incluído no cessar-fogo com o Irã
A ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, pediu nesta quinta-feira que o Líbano seja incluído no cessar-fogo pactuado entre Estados Unidos e Irã, sob o risco de desestabilização de toda a região do Oriente Médio.
"A escalada que vimos ontem por parte de Israel foi, na minha opinião, profundamente prejudicial, e queremos que as hostilidades no Líbano cessem", acrescentou Cooper em declarações à emissora Radio Times, depois que EUA e Irã alcançaram uma trégua de duas semanas para frear a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz.
O Líbano enfrentou os piores bombardeios de Israel desde o início de sua ofensiva em 2 de março, enquanto o Hezbollah retomou seus ataques contra Israel, após acusar o país de ter violado a trégua temporária.
A titular da diplomacia britânica ressaltou, além disso, a ameaça representada pelo Hezbollah, aliado do Irã, afirmando que "é fundamental que os governos israelense e libanês colaborem para enfrentar esta ameaça".
"Mas não queremos uma escalada. Queremos que o cessar-fogo e o fim das hostilidades também incluam o Líbano", insistiu.
Após o acordo de cessar-fogo alcançado por Irã e EUA, ambos os países esperam retomar as negociações no Paquistão para trabalhar sobre um plano de dez pontos apresentado por Teerã que inclui, entre outros itens, o controle iraniano de Ormuz.
md (EFE, ots)
Irã divulga recomendações para navios evitarem minas em Ormuz
A Guarda Revolucionária do Irã (CGRI) compartilhou nesta quinta-feira um mapa com rotas alternativas para o trânsito no Estreito de Ormuz, um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aceitar o plano de dez pontos apresentado por Teerã e dar início a um cessar-fogo de duas semanas entre os países.
Devido à guerra, que começou em 28 de fevereiro, e "diante da presença de diversos tipos de minas antinavio" na zona, a agência de notícias "Tasnim", vinculada ao corpo de elite das Forças Armadas iranianas, indicou que as embarcações que transitarem pelo estreito "deverão coordenar-se com a CGRI e, até novo aviso, utilizar as rotas alternativas para o trânsito" por esta estratégica via.
Segundo a imprensa iraniana, será estabelecida uma rota de entrada e outra de saída: a primeira irá do mar de Omã em direção ao norte, até a ilha de Larak, e dali ao Golfo Pérsico, enquanto a segunda seguirá o trajeto inverso, ambas conforme o mapa que a "Tasnim" compartilhou no Telegram.
Após registrar quedas drásticas de tráfego de até 97% após o início da guerra, o movimento no Estreito de Ormuz começou a ser retomado com cautela na quarta-feira, depois de EUA e Irã estabelecerem uma trégua de duas semanas que permitirá a "passagem segura" pela via.
No entanto, na própria quarta-feira, Teerã anunciou uma interrupção da navegação de navios petroleiros como resposta aos massivos bombardeios surpresa que Israel lançou contra o Líbano, informação que foi negada pela Casa Branca.
Horas antes do acordo, Teerã assegurou que seu plano estipula um "protocolo de segurança" para garantir o "controle" iraniano desta passagem estratégica, por onde, antes da guerra, circulava cerca de 20% das energias fósseis mundiais.
A reabertura de Ormuz tem sido uma demanda da comunidade internacional e, especialmente, de Trump, que ameaçou reiteradamente atacar e "arrasar" as centrais elétricas e as pontes do Irã caso o estreito não fosse reaberto.
O presidente americano chegou inclusive a afirmar que todo o país poderia ser "aniquilado em uma única noite" e que voltaria à "Idade da Pedra".
md (EFE, ots)
Líbano observa dia de luto após ataques israelenses
O Líbano decretou um dia de luto nacional após os ataques israelenses em Beirute, que mataram quase 200 pessoas.
Após um acordo para uma pausa de duas semanas na guerra, tanto os EUA quanto o Irã reivindicaram a vitória. No entanto, ambos os lados contestam a inclusão do Líbano no acordo de cessar-fogo, o que evidenciou a fragilidade do cessar-fogo.Após o anúncio do cessar-fogo, Israel realizou os ataques mais mortais no Líbano nas últimas semanas, que mataram pelo menos 182 pessoas e feriram cerca de 900 na capital libanesa.
Em termos incomumente fortes, o secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou "inequivocamente" os ataques israelenses no Líbano, de acordo com um comunicado de seu porta-voz, Stéphane Dujarric.
No Líbano, onde o chefe de direitos humanos da ONU, Volker Turk, classificou a escala das mortes como "horrível", os ataques repentinos em Beirute desencadearam horror e pânico.
Hezbollah anuncia novos ataques contra Israel por "violação" de cessar-fogo
O grupo xiita libanês Hezbollah anunciou na madrugada desta quinta-feira ter lançado novos ataques contra Israel, acusando o país de ter violado o acordo de cessar-fogo alcançado entre Irã e Estados Unidos, que tanto os governos israelense e americano alegam que não inclui a frente de combate aberta no Líbano.
Aliado do Irã, o Hezbollah disse que seus ataques continuarão até que a "agressão americana e israelense" contra o país termine e afirmou agir em "defesa do Líbano e seu povo e em resposta à violação do inimigo do acordo de cessar-fogo".
Este foi o primeiro ataque do Hezbollah desde o anúncio da trégua temporária.
O grupo também afirmou que havia se "comprometido" com a cessação das hostilidades, mas que a outra parte não o fez.
O Paquistão, que atuou como mediador do pacto entre EUA e Irã, anunciou nesta quarta-feira que o cessar-fogo incluía todas as partes do conflito no Oriente Médio, como o Líbano.
No entanto, o governo de Israel pronunciou-se mais tarde para especificar que o Líbano não estava nas conversas, pois se trataria de um conflito bilateral, e a Casa Branca apoiou essa posição.
Também nesta quarta-feira, Israel lançou sua ofensiva mais forte no Líbano no atual conflito, com uma série de ataques que mataram mais de 250 pessoas em um único dia.
As Forças de Defesa de Israel (FDI) justificara o massacre alegando que o Hezbollah se deslocou de seus tradicionais redutos para bairros mistos de Beirute, a capital libanesa, que foi o alvo da maioria dos bombardeios.
O Hezbollah informou que seu ataque foi direcionado contra a cidade israelense de Al Manar.
Veículos de imprensa israelenses relataram ter identificado ataques no norte do país, citando as FDI.
Depois dos bombardeios israelenses de quarta-feira, o grupo xiita já havia assegurado que se vingaria e que o sangue das vítimas "não seria derramado em vão".
A frente do conflito no Líbano foi reativada quando o Hezbollah lançou ataques contra Israel como represália à operação conjunta entre Washington e Tel Aviv contra o Irã em 28 de fevereiro.
Desde então, Israel lançou uma dura ofensiva contra o país vizinho, com saldo de mais de 1.700 mortes.
md (EFE, ots)
Parlamento iraniano acusa EUA de violar cessar-fogo
O porta-voz do Parlamento iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf, declarou nesta quarta-feira (08/04) que o cessar-fogo e as negociações com os Estados Unidos são "irracionais", porque, segundo ele, três princípios do acordo já foram violados.
"A profunda desconfiança histórica que sentimos em relação aos Estados Unidos decorre de suas repetidas violações de todo tipo de compromisso — um padrão que, infelizmente, se repetiu mais uma vez", afirmou em um comunicado publicado no X.
Ele elenca os ataques contínuos no Líbano, a entrada de um drone no espaço aéreo iraniano e a negação do direito do Irã de enriquecer urânio.
"Agora, a própria 'base viável para negociar' foi aberta e claramente violada, antes mesmo de as negociações começarem. Em tal situação, um cessar-fogo bilateral ou negociações são irracionais", acrescentou.
A mídia estatal iraniana também reportou explosões em ilhas do país, mas a origem não foi confirmada.
Na terça-feira, Trump havia indicado que o plano de 10 pontos sugerido pelo Irã para abrir as negociações seria "viável", mas tensões entre os países permanecem desde então, com Teerã se recusando a abrir completamente o Estreito de Ormuz.
Negociações presenciais devem ocorrer no Paquistão, nesse sábado. Segundo a Casa Branca, Washington levará uma nova lista de demandas para o diálogo.
(AFP, Reuters)
JD Vance vai liderar delegação dos EUA em negociação sobre o Irã
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, vai liderar a delegação americana que negociará com o Irã no Paquistão neste sábado (11/04), informou a Casa Branca.
Com vários líderes políticos veteranos do Irã mortos na guerra, a delegação iraniana deve ser liderada pelo presidente do Parlamento e ex-comandante da Guarda Revolucionária Mohammad Baqer Qalibaf, com o ministro das Relações Exteriores Abbas Araqchi.
A confirmação das conversas veio depois que o alívio com uma trégua entre os Estados Unidos e o Irã deu lugar à tensão e incerteza à medida em que Israel lançava seus maiores ataques até agora contra o Hezbollah no Líbano e o Irã atingia instalações de petróleo de países vizinhos do Golfo.
Os ataques no Líbano levaram o Irã a fechar novamente o Estreito de Ormuz. O país também ameaça se retirar do cessar-fogo caso os ataques continuem — o Hezbollah é aliado do regime em Teerã.
Via X, Araghchi insistiu que o cessar-fogo inclui o Líbano, apesar de declarações contrárias de EUA e Israel. Segundo ele, a Casa Branca precisa escolher entre uma trégua ou a continuidade da guerra através de Tel Aviv.
ra (Reuters, ots)
Itália convoca embaixador de Israel após comboio italiano no Líbano ser alvejado
A Itália convocou o embaixador de Israel nesta quarta-feira (08/04) para exigir explicações sobre disparos feitos contra um comboio italiano em uma missão da ONU no Líbano.
O anúncio foi feito pelo ministro italiano das Relações Exteriores, Antonio Tajani, que frisou que as forças israelenses não têm "nenhuma autoridade para tocar" em tropas italianas.
A força de paz da ONU, conhecida como Unifil, estáestacionada no sul do Líbano para monitorar as hostilidades ao longo de uma linha de demarcação com Israel — uma área que tem registrado grandes confrontos entre tropas israelenses e combatentes do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã.
"Disparos de advertência israelenses danificaram um de nossos veículos; felizmente, ninguém ficou ferido", disse Tajani na câmara baixa do Parlamento.
A Unifil contava com cerca de 7.500 capacetes azuis em 30 de março, segundo o site da missão, e a Itália é um dos principais contribuintes, com mais de 750 soldados destacados.
"Completamente inaceitável", reage Meloni
O episódio também foi criticado pela premiê italiana, Giorgia Meloni. "É completamente inaceitável que pessoal que opera sob a bandeira da ONU seja colocado em risco por ações irresponsáveis como as de hoje, que violam claramente a Resolução 1701 da ONU", disse.
Embora tenha condenado o Hezbollah, que é classificado como organização terrorista por diversos países do Ocidente, Meloni também censurou Israel por provocar "mortes demais" e "um número inaceitável de pessoas deslocadas", pedindo o fim dos bombardeios.
Israel ordenou a evacuação de cerca de 15% do território libanês, a maioria no sul do país e em subúrbios no sul de Beirute. Autoridades libanesas afirmam que mais de 1,2 milhão de pessoas foram deslocadas pelo conflito, e contabilizaram mais de 200 mortos só nos bombardeios desta quarta-feira.
O que aconteceu?
Em nota, o Ministério da Defesa afirmou que o comboio logístico italiano viajava de Shama para Beirute nesta quarta-feira quando, cerca de dois quilômetros após a partida, foram surpreendidos por tiros de advertência disparados por militares israelenses. O comboio parou imediatamente e retornou à base, segundo a nota.
O incidente ocorreu no momento em que Israel realizou seus ataques mais pesados contra o Líbano desde a entrada do Hezbollah na guerra no Oriente Médio, em 2 de março.
Tanto Israel quanto os EUA afirmam que o cessar-fogo acordado na terça com o Irã não se aplica ao Líbano.
ra (Reuters, AP)
Plano de cessar-fogo publicado pelo Irã não é o mesmo acordado pelos EUA, diz fonte da Casa Branca
Um funcionário da Casa Branca afirmou à agência de notícias AFP nesta quarta‑feira (08/04) que o plano de cessar‑fogo de 10 pontos divulgado pelo Irã não corresponde ao conjunto de condições que Washington aceitou para suspender a guerra.
"O documento que está sendo divulgado pela imprensa não é o quadro de trabalho", disse sob condição de anonimato.
A declaração aumenta as preocupações sobre a fragilidade da trégua anunciada na noite de terça‑feira — horas antes do prazo estabelecido pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para que o Irã atendesse às suas exigências ou enfrentasse o que ele chamou de fim de sua "civilização inteira".
Trump havia dito que a proposta de 10 pontos do Irã seria uma "base viável para negociar".
A mídia estatal iraniana então publicou um plano de 10 pontos que incluía, entre outros itens, a manutenção do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, o fim das sanções internacionais contra o país e a "aceitação" de seu programa de enriquecimento de urânio.
gq/ra (AFP)
Israel lança pior onda de ataques contra o Líbano desde o início da guerra
Israel anunciou o "maior ataque coordenado em todo o Líbano" nesta quarta-feira (08/04), o pior desde a entrada do Hezbollah no conflito no Oriente Médio, em 2 de março.
Os bombardeios ocorrem apesar do cessar-fogo de duas semanas firmado por EUA e Israel com o Irã. O premiê israelense Benjamin Netanyahu e o presidente americano Donald Trump dizem que a trégua não se aplica ao Líbano.
Segundo a Defesa Civil libanesa, a ofensiva israelense desta quarta-feira deixou mais de 250 mortos e outras centenas mais de feridos.
Antes dos ataques, o Hezbollah, grupo aliado do Irã e classificado como terrorista por diversos países do Ocidente, havia afirmado que respeitaria o cessar-fogo. Depois, porém, declarou que tinha o "direito" de responder a Israel.
Sem aviso prévio
Na capital libanesa, Beirut, os ataques sem aviso prévio causaram pânico nas ruas da cidade, informou a agência de notícias AFP.
"Eu vi a explosão, foi muito forte, e houve crianças mortas, algumas com as mãos decepadas", disse à AFP Yasser Abdallah, que trabalha em uma loja de eletrodomésticos no centro de Beirute.
Um dos ataques atingiu a Corniche al-Mazraa, uma das principais vias da capital.
Um fotógrafo da AFP viu danos generalizados, prédios em chamas e carros destruídos.
"Um avião atacou, e as pessoas começaram a correr para a esquerda e para a direita, e a fumaça subia" do prédio atingido, disse outra testemunha, Ali Younes.
Israel também atingiu os subúrbios ao sul de Beirute e o sul do Líbano, onde o Hezbollah tem influência, após emitir avisos de evacuação para essas áreas, em paralelo com ataques no leste.
Israel diz ter atingido alvos do Hezbollah
Os militares israelenses informaram ter atacado cerca de 100 alvos do Hezbollah em todo o país.
O chefe do Estado-Maior, tenente-general Eyal Zamir, disse que Israel "continuará atacando a organização terrorista Hezbollah e utilizará todas as oportunidades operacionais".
"Não vamos comprometer a segurança dos moradores do norte de Israel. Continuaremos a atacar com determinação", declarou Zamir.
Reação
Em comunicado conjunto, União Europeia, Alemanha, França e Reino Unido apelaram "a todos os lados para que implementem o cessar-fogo, incluindo o Líbano".
O embaixador do Irã em Genebra disse que Israel precisa se ater à trégua no Líbano, e que a continuidade dos ataques complicaria a situação.
Como retaliação, o Irã está ameaçando agora manter o Estreito de Ormuz bloqueado. A hidrovia é crucial para o escoamento do petróleo produzido pelos países do Golfo, e responde por 20% da commodity negociada no mundo inteiro.
ra (AFP, Reuters)
Irã considera se retirar do cessar-fogo após ataques ao Líbano; Ormuz segue parcialmente interrompido
O Irã considera se retirar do cessar-fogo de duas semanas acordado com os Estados Unidos devido aos contínuos ataques israelenses ao Líbano, informou nesta quarta-feira (08/04) a agência de notícias Fars, ligada à Guarda Revolucionária iraniana.
Os países haviam concordado com uma trégua nas agressões e com a reabertura temporária do Estreito de Ormuz na noite de terça-feira. O Exército israelense também anunciou a suspensão de ataques contra alvos iranianos, e o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, que mediou o acordo, chegou a confirmar que ele se aplica também ao Líbano, onde Israel trava um conflito com o grupo extremista Hezbollah, aliado do Irã.
Contudo, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, discordou e indicou que o Líbano não faz parte da negociação. Mais tarde, o presidente dos EUA, Donald Trump, também confirmou que Beirute está fora das tratativas.
O Líbano foi alvo nesta quarta-feira da pior onda de ataques israelenses desde o início do conflito. Os bombardeios deixaram mais de 100 mortos e 800 feridos, segundo autoridades libanesas.
Incerteza sobre retomada do tráfego marítimo em Ormuz
Na visão da liderança iraniana, Israel viola os termos da negociação ao manter ataques contra o Hezbollah no Líbano. Segundo a CNN, isso levou o país a travar a esperada abertura do Estreito de Ormuz. A agência de notícias Reuters informou que embarcações no Golfo Pérsico continuam recebendo ameaças por parte das forças militares iranianas. O tráfego marítimo no local ainda não foi completamente reestabelecido e apenas dois navios petroleiros cruzaram o estreito desde o início da trégua.
gq/ra (DW, DPA)
Cessar-fogo com Irã não inclui Líbano, diz Trump
O conflito entre Israel e Hezbollah, no Líbano, não está coberto pelo acordo de cessar‑fogo temporário entre Washington e Teerã, afirmou o presidente dos EUA,Donald Trump, nesta quarta-feira (08/04).
"Eles não foram incluídos no acordo", disse Trump à emissora americana PBS. Ele acrescentou que isso ocorreu "por causa do Hezbollah", grupo apoiado pelo Irã. "Isso também será resolvido. É um confronto separado", acrescentou.
Mais cedo, porém, o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, que mediou o acordo, chegou a confirmar em uma publicação no X que o cessar-fogo se aplicaria também ao Líbano. Uma lista de 10 pontos apresentada por Teerã aos EUA como base das negociações indicava que a trégua deveria se estender também aos grupos apoiados pelo Irã, como o Hezbollah.
Nesta quarta-feira, Israel deflagrou sua pior ofensiva contra o Hezbollah no Líbano. Os ataques, que visaram também a capital, Beirute, deixaram mais de 100 mortos e 800 feridos, segundo as autoridades do país.
gq/ra (AFP)