Elon Musk vai liderar modernização das Forças Armadas dos EUA, diz Pete Hegseth
Elon Musk liderará, junto a outros nomes, o Projeto Meridian, uma iniciativa do Pentágono anunciada pelo secretário de Defesa Pete Hegseth para modernizar as Forças Armadas dos EUA e estudar o futuro da guerra. A estratégia visa alcançar dominância tecnológica do subsolo ao espaço, focando em inteligência artificial, armas autônomas e drones. O plano prevê ainda um novo comando robótico, o corte de 20% de generais e almirantes e uma nova base militar, com conclusões previstas em 120 dias.
CEO da SpaceX está entre líderes de projeto para modernizar aparato militar e estudar o "futuro da guerra". Objetivo é dominar "qualquer campo de batalha, desde o subsolo até além da Lua". disse o secretário de Defesa.O bilionário do setor de tecnologia Elon Musk assumirá um papel de liderança em um novo projeto do Pentágono destinado a promover grandes mudanças nas Forças Armadas dos Estados Unidos.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, apresentou a estratégia nesta quarta-feira (01/10), durante um discurso sobre o "Estado da Força" - segundo a denominação utilizada pelo próprio secretário - dirigido a militares na Base do Corpo de Fuzileiros Navais de Quantico, na Virgínia.
Entre as propostas estão a criação de um novo comando de drones e o corte de 20% do número de generais e almirantes do país.
O secretário também confirmou que Musk estará entre as figuras que vão liderar uma iniciativa para estudar o futuro da guerra, intitulada Projeto Meridian, ao lado de Palmer Luckey, cofundador da Anduril Industries, e do ex-presidente da Câmara dos Representantes Newt Gingrich, do Partido Republicano.
O projeto tem como objetivo "analisar o futuro de forma criativa e identificar os domínios que devemos conquistar e as capacidades que devemos dominar", disse Hegseth.
Projeto visa dominar "qualquer campo de batalha"
Os trabalhos estarão concentrados em "descobrir, desenvolver e colocar em operação as armas e sistemas de que nossos filhos e netos precisarão ao longo de suas vidas", afirmou o secretário, destacando a necessidade de dominar "qualquer campo de batalha futuro, desde o subsolo da Terra até além da Lua".
Neste mês, os EUA confirmaram pela primeira vez que haviam implantado armas no espaço - uma revelação notável após alertas anteriores sobre países como a Rússia, que poderiam estar militarizando uma fronteira global que, conforme acordado em tratados, deveria ser usada apenas para fins pacíficos.
"Precisamos olhar para o futuro para alcançar a dominância tecnológica e militar no campo de batalha nas próximas décadas", disse Hegseth, se referindo ao uso de sistemas de armas e inteligência artificial capazes de operar e realizar ataques sem intervenção humana direta, a chamada guerra autônoma.
Hegseth convidou todos os 50 estados do país a competir pela oportunidade de sediar uma nova base militar em solo americano - a primeira em 40 anos - que deverá ter um contingente de 15 mil a 25 mil militares. Ele também anunciou um plano para tornar todas as bases militares autossuficientes em energia.
O chefe do Pentágono anunciou a intenção de criar um novo comando de quatro estrelas para supervisionar a implementação de capacidades autônomas e robóticas, no que ele chamou de "a mudança mais rápida em tempos de paz na história militar moderna".
O Pentágono espera que o Projeto Meridian apresente suas conclusões dentro de 120 dias.
Ucrânia como exemplo do uso de drones na guerra
As Forças Armadas dos EUA já estão há sete meses em guerra com o Irã, sem um fim claro à vista; capturaram o líder venezuelano Nicolás Maduro e mataram mais de 200 pessoas em ataques a embarcações suspeitas de tráfico de drogas na América Latina, entre outras ações ao redor do mundo.
Hegseth reconheceu que "o ritmo da guerra está mudando mais rápido do que o processo de suporte a ela". O Irã utiliza frequentemente drones de baixo custo, incluindo aqueles que mataram militares americanos durante os sete meses de conflito.
O secretário apontou o uso pioneiro de drones pela Ucrânia no combate às forças russas, uma experiência acompanhada de perto e assimilada pelas forças americanas. "A lição da Ucrânia não é que um único tipo de drone vence guerras, mas sim a necessidade de um sistema projetado especificamente para maximizar a capacidade de adaptação", disse Hegseth.
Esse tipo de discurso - o segundo proferido por Hegseth nesse formato - não é comum entre os líderes do Pentágono. Embora seus antecessores tenham se dirigido regularmente às tropas e aos oficiais de alto escalão, eles tradicionalmente o faziam em ambientes restritos ou privados.
Hegseth exalta campanha "antiwoke"
Hegseth, no entanto, fez questão de destacar como sua gestão reformulou drasticamente as Forças Armadas dos EUA ao combater o que chama de cultura "woke" - através da reversão de programas de diversidade, da revisão de unidades de combate terrestre com mulheres e de um novo programa de triagem para "deficiência de testosterona" entre o efetivo masculino - e criticou a cobertura da imprensa sobre as ações militares americanas.
Musk liderou o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), o programa de corte de custos criado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, por meio do qual implementou cortes significativos e reduções de pessoal em agências governamentais, antes de deixar o governo de forma abrupta em maio de 2025, após romper temporariamente o líder americano.
rc/md (AP, DPA)
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