Virada de Raquel Lyra sobre João Campos redefine corrida eleitoral e acirra disputa pelo eleitor de Lula em PE
Eleitor lulista se consolida como alvo dos dois principais candidatos na disputa pelo comando do Palácio do Campo das Princesas
A disputa pelo Governo de Pernambuco entrou em uma nova fase. Depois de meses em que o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) aparecia como favorito nas pesquisas, as duas mais recente rodada da Genial/Quaest e Datafalho revelaram uma inversão do cenário: a governadora Raquel Lyra (PSD) assumiu a liderança tanto no primeiro quanto no segundo turno, redefinindo a corrida eleitoral e acirrando a disputa no Estado, um dos principais do Nordeste.
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No levantamento da Quest divulgado na última terça-feira, 28, Raquel aparece com 43% das intenções de voto no primeiro turno, contra 37% de João. Embora os dois estejam tecnicamente empatados dentro da margem de erro de três pontos percentuais, a tendência mudou em relação a abril, quando João liderava por oito pontos. Em uma eventual segundo turno, a governadora também passou à frente, com 45% contra 39%.
Já na pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira, 31, Raquel Lyra tem 48% das intenções de voto no primeir turno. Em seguida vem João Campos, com 42% das intenções de voto. No segundo, Raquel tem 49%, e João 45%.
A reviravolta na disputa pernambucana coincide com a melhora da avaliação do governo estadual. A aprovação de Raquel Lyra avançou de 62% para 68% desde abril, enquanto a desaprovação caiu de 35% para 23%, indicando que a estratégia de concentrar esforços na entrega de obras, programas e investimentos começa a produzir reflexos eleitorais.
Esse avanço também reforça a avaliação de aliados da governadora de que a decisão de João Campos de deixar a Prefeitura do Recife com antecedência para disputar o Palácio do Campo das Princesas reduziu um de seus principais ativos políticos: a vitrine administrativa da capital. Enquanto a campanha do socialista passou a enfrentar o desgaste natural de uma exposição prolongada, Raquel ganhou espaço para apresentar resultados do governo e recuperar terreno.
A mudança no cenário, porém, não elimina uma das principais vantagens de João Campos na corrida eleitoral: a força entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a Quaest, o socialista tem 54% das intenções de voto nesse segmento, contra 33% de Raquel. A governadora, por outro lado, lidera entre os eleitores independentes, por 47% a 31%, além de abrir ampla vantagem entre a direita não bolsonarista (61% a 24%) e entre os bolsonaristas (73% a 13%).
Esse recorte ajuda a explicar por que o eleitor lulista tende a ganhar ainda mais importância nos próximos meses. Embora João ainda concentre a maior parte desse grupo, a recuperação de Raquel torna essa parcela do eleitorado mais disputada. Em um estado onde Lula mantém elevados índices de popularidade, ampliar a penetração entre seus apoiadores pode ser decisivo, sobretudo em um eventual segundo turno.
A própria configuração política de Pernambuco favorece essa disputa. Embora o PT esteja formalmente na chapa de João Campos, com o senador Humberto Costa buscando a reeleição, o capital político de Lula não está concentrado exclusivamente no ex-prefeito.
O presidente chegou a gravar um vídeo declarando apoio a João Campos. Nos bastidores, entretanto, aliados de Raquel Lyra avaliam que Lula deverá manter uma postura equilibrada ao longo do primeiro turno, preservando a relação institucional construída com a governadora e evitando uma participação mais intensa na campanha estadual.
Na prática, a campanha já revela que parte do eleitorado e das lideranças petistas não vê incompatibilidade entre apoiar Lula para presidente e Raquel Lyra para governadora. Um exemplo foi o prefeito de Tabira, Flávio Marques (PT), que divulgou material de campanha associando, na mesma peça, seu voto em Lula, Raquel Lyra, Humberto Costa e deputados petistas.
Esse movimento também se reflete dentro do próprio PT. Em Pernambuco, parte da base do partido atua em sintonia com a governadora, apesar da aliança formal com João Campos. A situação, inclusive, provocou tensões internas: o diretório municipal do PT do Recife afastou da presidência da legenda o vereador Osmar Ricardo após ele declarar apoio à reeleição de Raquel.
Com a virada nas pesquisas e dois candidatos competitivos tentando dialogar, em diferentes graus, com o eleitorado de Lula, a tendência é que a disputa pelo voto lulista se intensifique ao longo da campanha. Se a eleição avançar para o segundo turno, esse segmento poderá se consolidar como um dos principais fatores para definir quem comandará Pernambuco pelos próximos quatro anos.

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