Veja o que pensa Guilherme Boulos (PSOL-SP), deputado mais votado de São Paulo
Boulos defende revogação de reforma trabalhista e da previdência, além do teto de gastos
Guilherme Boulos (PSOL-SP) foi o deputado federal mais votado por São Paulo, com 1.001.472 votos e o segundo deputado federal mais votado do Brasil em 2022.. Ele nasceu em São Paulo, em 1982, e é filho de um casal de médicos. Formou-se em filosofia pela Universidade de São Paulo (USP) e é mestre em psiquiatria pela mesma universidade. Membro da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Boulos foi candidato à presidência em 2018 e concorreu à prefeitura de São Paulo em 2020. Em ambas as ocasiões, concorreu pelo PSOL.
Qual é o papel do estado na preservação (ou não) de pautas como liberdade religiosa, legalização do aborto e das drogas e defesa dos direitos humanos?
A liberdade religiosa nunca esteve em questão nos governos do Lula. Ao contrário, foi o período onde as igrejas evangélicas mais cresceram e o foi o período onde se aprovou a Lei da Liberdade Religiosa.
Eduardo Bolsonaro perde 1 milhão de votos e Boulos é o deputado federal mais votado em SP
- Como a próxima legislatura deve combater a falta de transparência no uso de recursos públicos?
Bom, pra garantir transparência no uso dos recursos públicos, é preciso começar retomando aquilo que existia e que o governo Bolsonaro acabou. A Controladoria Geral da União, o COAF, garantir uma Polícia Federal que seja autônoma e não um presidente que fica trocando delegado pra não deixar investigar seu filho. Todo esse tipo de coisa. O arcabouço que já existia de combate a corrupção e foi desmontado pelo caos institucional do governo Bolsonaro.
Mas para além disso, é preciso colocar na agenda do País uma reforma política. O sistema político brasileiro tem vícios que levam, inclusive, ao mal uso do orçamento público, como no caso do Orçamento Secreto. É inadmissível que continue tendo o orçamento secreto, que foi o acordão de governabilidade que o Bolsonaro fez com o Artur Lira e com o Centrão. Nós precisamos acabar com isso e garantir essa transparência e a capacidade de planejamento dos recursos públicos pelo executivo que é eleito democraticamente pelo povo brasileiro.
Claro, o Congresso Nacional precisa debater o orçamento, mas não com o orçamento secreto, não colocando clientelismo, interesse particulares de deputados a frente do interesse do País. Isso vai ser essencial e uma reforma política que remodele a governabilidade do Brasil, que enfrente os gargalos estruturais da corrupção é essencial para o próximo período.