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Série "All her fault" impulsiona debate sobre exaustão e carga mental materna

Educadora Carol Campos analisa como a produção reflete a culpabilização da mulher e dados de pesquisa confirmam sobrecarga no cuidado dos filhos

27 jan 2026 - 20h40
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A produção audiovisual "All her fault" tem gerado repercussão ao abordar a rotina de mulheres que enfrentam a sobrecarga de responsabilidades familiares e profissionais. Para a educadora Carol Campos, fundadora do Vozes da Educação, a trama atua como um retrato fiel da maternidade contemporânea e da exaustão vivida por mães em 2026. Segundo ela, a obra revela como essas mulheres carregam a carga mental integral de uma família.

Duke McCloud como Milo Irvine e Sarah Snook como Marissa Irvine em "All Her Fault"
Duke McCloud como Milo Irvine e Sarah Snook como Marissa Irvine em "All Her Fault"
Foto: Divulgação/Sarah Enticknap/PEACOCK / Perfil Brasil

Conforme a análise de Carol Campos, a narrativa da série explicita um fenômeno social em que a mãe é demandada a deter o controle absoluto sobre as informações e necessidades da criança. A educadora destaca que essa dinâmica gera angústia e pânico diante de falhas cotidianas. Em suas palavras, se o filho apresenta dificuldades em matemática, é reprovado ou pratica bullying, a responsabilidade é direcionada à figura materna. "A culpa é sempre da mãe", afirma Campos.

Essa estrutura de cobrança é visível na relação entre família e escola, onde o julgamento social reforça o desgaste emocional das mulheres. Carol pontua que a lógica de que a mãe "sabe de tudo, lembra de tudo e tem culpa de tudo" contribui para o adoecimento feminino e para a consolidação de uma cultura de julgamentos.

Os temas discutidos em "All her fault" encontram respaldo em dados coletados no final de 2025 pela pesquisa "Sem Parar 2025". O estudo, realizado pela Sempreviva Organização Feminista e Gênero e Número, com apoio do Ministério das Mulheres, detalha a desigualdade na divisão do trabalho no Brasil:

  • Trabalho Doméstico: 43% das mulheres são as únicas responsáveis pelas tarefas do lar.

  • Cuidado Não Remunerado: 48% cuidam de familiares sem compensação financeira.

  • Jornada de Trabalho: 57% das brasileiras possuem carga horária superior a 40 horas semanais.

  • Saúde e Bem-estar: 60% das entrevistadas relatam cansaço crônico e dores físicas.

A sobrecarga identificada pela pesquisa impacta diretamente a qualidade de vida e a autonomia das mulheres, dificultando o acesso ao mercado de trabalho e ao lazer. Carol Campos reforça que o alerta sobre uma crise na parentalidade, já mencionado por autoridades como o ex-cirurgião geral dos EUA, Vivek Murthy, em 2024, manifesta-se de forma desproporcional. A educadora enfatiza a urgência de levar esse debate ao espaço público, visto que os efeitos da crise afetam a saúde e a autonomia econômica das mulheres de maneira persistente.

Perfil Brasil
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