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Sem Michelle na Paulista, Flávio Bolsonaro defende legado do pai, critica Lula e pede impeachment de Moraes

Ato na Avenida Paulista reuniu parlamentares e lideranças religiosas que expressaram apoio a André Mendonça; Michelle não compareceu

7 set 2026 - 15h42
(atualizado às 17h17)
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Flávio ao lado de Tarcísio no ato da Paulista nesta segunda-feira, 7
Flávio ao lado de Tarcísio no ato da Paulista nesta segunda-feira, 7
Foto: ALOISIO MAURICIO / FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

O candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) disse que existe um consórcio entre o presidente Lula (PT) e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante o ato na Avenida Paulista na tarde desta segunda-feira, 7, feriado que celebra o Dia da Independência. A manifestação em São Paulo aconteceu sob os motes de "Fora Lula, Fora Moraes", "É agora ou nunca" e "O Brasil vai vencer".

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"Primeiramente, 'Fora Lula, Fora Moraes. Fora Lula, fora Moraes'", gritou Flávio, durante as primeiras palavras no palanque direcionada à militância. "[...] Nós temos que proteger o STF de Moraes. Aquela laranja podre não poder contaminar toda a Corte. O Supremo não é Alexandre de Moraes. O Judiciário não é Alexandre de Moraes. A Magistratura não é Alexandre de Moraes", continuou falando Flávio.

Ainda em tom bastante inflamado, Flávio afirmou que não pretende permitir que o atual presidente faça novas indicações para o Supremo. “Quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes”, disse.

Flávio também citou no dircuso o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a Polícia Federal ao acusar o governo federal de utilizar instituições para perseguir adversários políticos. 

Durante o discurso, Flávio também aproveitou para fazer uma defesa do legado político do pai, Jair Bolsonaro (PL), e relembrou o atentado sofrido pelo ex-presidente em Juiz de Fora (MG), durante a campanha eleitoral de 2018. 

Apoio no palanque 

Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, ao lado de Flávio Bolsonaro
Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, ao lado de Flávio Bolsonaro
Foto: @silasmalafaia via Youtube/Reprodução / Estadão

Além de Flavio, entre as autoridades presentes no ato estavam o atual governador de São Paulo e candidato à releição Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), o prefeito de São Paulo Ricardo Nunes (MDB-SP), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o senador Sérgio Moro (PL-PR), e os deputados Bia Kicis (PL-SF), Guilherme Derrite (PP-SP), Nikolas Ferreira (PL-MG), Gustavo Gayer (PL-GO) e Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice de Flávio.

Michelle Bolsonaro (PL-DF) não comparceu ao evento "para cuidar do marido, Jair Bolsonaro", conforme justificou Bia Kicis em seu discurso. Entre as autoridades religiosas, o pastor Silas Malafaia marcou presença.

Com cartazes de 'Fora Moraes', apoiadores de Flávio fazem ato na Paulista:

O início da manifestação estava marcado para às 15h, mas por volta das 13h, mesmo com o frio e a garoa na capital, apoiadores já lotavam a avenida, vestindo roupas verde e amarelo, exaltando Flávio Bolsonaro em cânticos e pedindo a liberdade para o ex-presidente Jair Bolsonaro. 

Os apoiadores também exibem bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos, cartazes escritos "Fora, Lula" e com críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). "Xandão no xadrez", "Fora, Moraes", "STF, amigo dos amigos. Inimigos de uma nação" e "O povo veio para a rua por causa dos abusos do Supremo" são algumas das faixas seguradas na multidão. 

No palanque, Bia Kicis em seu discurso pediu o impeachment de Moraes. O prefeito de São Paulo Ricardo Nunes subiu ao trio elétrico para criticar o Supremo. Cotada como o novo  'posto Ipiranga' da economia em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, Dani Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal na gestão de Jair Bolsonaro, subiu ao palanque para criticar a "gastança de Brasília".

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, subiu ao palco para dizer que "com Flávio, Jair Bolsonoro estará solto no dia seguinte e puxou o coro de volta Bolsonaro." Também falaram, colocando como alvo Moraes e criticando Lula, Guilherme Derrite, Gustavo Gayer, Alfredo Gaspar. 

O pastor Silas Malafaia também discursou. Ele chamou Moraes de "ditador" e pediu a saída do ministro, de Lula e do PT. Ele também deixou um recado para o presidente do STF, Edson Fachin: "Não viemoa aqui pregar vingança, pregar a desmoralizacao do STF. Não vamos cair nesse jogo", disse. "Nós precisamos de instituições fortes. Desgraçar o Supremo e arrebentar com a democracia e com a República. Vai aqui meu pedido a Fachin: pelo bem da Suprema Corte, afaste Alexandre de Moraes", acrescentou.

Tarcísio também subiu ao palanque. Nas primeiras palavras, o governador afirmou ser contra a corrupção e mirou em Moraes. "Estamos aqui para protestar contra o poder absoluto. As últimas revelações contra Moraes precisam de respostas. É necessário uma resposta insitucional [...] Ministro nenhum está acima da Constituição", disse.

Nikolas Ferreira (PL-MG) também discursou e pediu o impeachment de Moraes. O deputado afirmou que fará manifestação em Macapá, capital do Amapá, no próximo domingo, 13, na porta da casa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pedindo que ele encaminhe o impeachment de Moraes. “Escuta isso aqui, Alexandre de Moraes. Nós vamos tirar esse sorrisinho debochado da tua cara”, disse o deputado mineiro.

Crise no STF

André Mendonça e Alexandre de Moraes ingressam no plenário do STF.
André Mendonça e Alexandre de Moraes ingressam no plenário do STF.
Foto: Antonio Augusto/STF

O ato de hoje acontece em meio a uma crise sem precedentes no STF. Na última semana, o relator do caso Banco Master, o ministro do STF André Mendonça, tornou público um relatório da Polícia Federal (PF) que compilou mensagens entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. 

Entre as mensagens, estavam conversas nas quais o banqueiro pedia ao ministro da Corte que atuasse junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para conter o avanço das investigações sobre o banco. Como eram enviadas em formato de visualização única, por meio de capturas de tela, as respostas de Moraes não foram recuperadas pela PF.

Como reação, Moraes escalou a crise e fez um pedido de investigação contra Mendonça pela atuação do colega na condução das Operações Sem Desconto -- sobre fraudes no INSS -- e Compliance Zero -- sobre Banco Master. 

Moraes usou o inquérito das fake news, do qual é relator, para acusar o ministro André Mendonça de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. O inquérito sofre críticas por já durar mais de sete anos e abarcar toda sorte de temas.

Em meio à crise, o presidente do STF, Edson Fachin, determinou que Moraes, Mendonça, Gonet e Rodrigues se manifestem. Ele também determinou a retirada do pedido de investigação contra Mendonça feito por Moraes do âmbito do inquérito das fake news. Fachin estabeleceu que o caso seja incluído em uma petição aberta para esclarecer os indícios encontrados pela PF contra Moraes após a divulgação de mensagens do ministro com Vorcaro.

Fonte: Portal Terra
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