'É com você, Derrite', 'sinal do Jô', risos e Nunes irritado: os bastidores do 1º debate entre Tarcísio e Haddad em SP
Bastidores tiveram cobrança de Nunes a Haddad, provocações entre equipes e orientações discretas aos candidatos
O primeiro debate entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) na disputa pelo governo de São Paulo, na noite de domingo, 9, terminou com um episódio de tensão fora do ar. Assim que as câmeras foram desligadas na Band, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) deixou seu lugar na plateia e foi ao púlpito, onde estava o petista para questioná-lo sobre uma fala feita durante o confronto.
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A irritação surgiu no último bloco, quando Haddad afirmou que o prefeito “está endividando a cidade” e fazendo “contrato de Wi-Fi para desviar dinheiro para o PCC e para fazer filme para Jair Bolsonaro”. Nunes não esperou o término de toda a movimentação para procurar o adversário e cobrar explicações.
Segundo o prefeito, a conversa começou depois que ele se aproximou de Haddad para contestar a associação feita durante o debate. Nunes disse que não seria correto relacioná-lo "a questão do contrato": "Eu falei: ‘Não está correto você fazer isso. Você sabe que não tem nada de errado da minha parte. Você me conhece’." Em seguida, chamou Haddad de "mentiroso" e "irresponsável".
Marqueteiros acompanham cada movimento
Enquanto os candidatos se enfrentavam diante das câmeras, as equipes de campanha conduziam uma espécie de operação paralela nos bastidores. A diferença de comportamento entre os principais marqueteiros de Tarcísio e Haddad ficou evidente durante os intervalos e momentos de orientação.
Responsável pela campanha petista, Otávio Antunes foi mais participativo. Posicionado atrás do candidato, fazia gestos para transmitir orientações e reagia com entusiasmo quando Haddad conseguia pressionar o governador. Ao longo do programa, também conversava com Ana Estela e Frederico Haddad, mulher e filho do candidato, que estavam sentados logo atrás dele.
Antunes dividiu a função com o marqueteiro Maurício Carvalho. A relação entre Haddad e sua equipe era descontraída nos intervalos, com risadas durante algumas das pausas para orientação.
Do outro lado, Pablo Nobel, que comandou a campanha vitoriosa de Tarcísio em 2022, adotou uma postura mais discreta. Em vez de gesticular para o governador, permaneceu atento ao celular e se aproximava mais nos intervalos, na necessidade de alguma orientação.
A reação mais efusiva de Nobel veio no encerramento do confronto direto entre os candidatos. Depois que Tarcísio elogiou Ricardo Nunes, o grupo de apoiadores do governador aplaudiu, e o marqueteiro acompanhou as palmas. Apesar da disputa entre as campanhas, o encontro entre os dois marqueteiros terminou de forma cordial: ao fim do debate, Antunes e Nobel apertaram as mãos.
Plateia reage a ataques e provocações
As reações dos convidados também deram o tom dos bastidores. Embora o debate tivesse regras para controlar manifestações da plateia, aplausos, risadas e comentários surgiram em diferentes momentos, sobretudo diante dos ataques mais diretos entre os candidatos.
Logo no primeiro bloco, quando Haddad afirmou que “Derrite bagunçou a segurança pública”, Guilherme Derrite, ex-secretário de Segurança Pública de Tarcísio e integrante da chapa, reagiu com uma risada irônica. A equipe do governador também entrou na brincadeira e, diante da reação do ex-secretário, integrantes do grupo disseram: "O problema é com você, Derrite".
Outra maior manifestação de barulho ocorreu quando Tarcísio acusou Haddad de ter subido ao palco na favela do Moinho, no Centro de São Paulo, durante uma ação de remoção da comunidade, acompanhado de uma traficante. A declaração provocou aplausos entre os apoiadores do governador.
Na resposta, Haddad afirmou que não conhecia o acusado porque "não tinha a mesma intimidade" de Tarcísio com o tráfico e pediu que o governador "abaixasse a bola". Dessa vez, os aplausos partiram dos apoiadores do petista.
As reações também apareceram em episódios que extrapolaram o confronto direto entre os dois. Quando Haddad afirmou que havia renegociado a dívida de São Paulo "na época da presidente Dilma Rousseff", Nunes e integrantes da equipe de Tarcísio reagiram com risadas.
Em outro momento, Tarcísio classificou Nunes como o melhor prefeito que São Paulo já teve. A declaração provocou gargalhadas na equipe de Haddad. Na sequência, os apoiadores do governador aplaudiram quando Tarcísio voltou a reforçar os elogios ao prefeito.
Equipes monitoram adversário e pesquisas
A divisão física da plateia também refletia a disputa. Os apoiadores de Haddad ficaram posicionados de um lado, enquanto os convidados de Tarcísio ocuparam o outro. Cada campanha tinha ainda duas cadeiras colocadas diante de telões. Os espaços foram reservados a integrantes das equipes de comunicação para acompanhar o debate com mais atenção e orientar os candidatos nos intervalos.
Antes mesmo do início do programa, a equipe do governador acompanhava pesquisas eleitorais e dados conforme o confronto avançava.
O comportamento do grupo mudava conforme Haddad citava assuntos relacionados ao governo federal. Integrantes da equipe de Tarcísio reclamaram da menção ao governo Lula e questionaram a mudança de foco. Um dos integrantes da equipe do governador questionou a outro, em tom de crítica à nacionalização do debate: “Não é sobre São Paulo [o debate]?”.
Orientações discretas durante o confronto
A atuação das equipes chegou a interferir diretamente na condução das respostas. No terceiro bloco, quando cada candidato tinha 20 minutos disponíveis, Otávio Antunes fez duas sinalizações para que Haddad encerrasse uma fala e tentasse levar Tarcísio a responder sobre os trens da CPTM.
Haddad, porém, prolongou a argumentação por cerca de um minuto e meio e acabou mudando de assunto. Com isso, Tarcísio não precisou responder, naquele instante, sobre o problema nos trens, como pretendia o marqueteiro petista.
Frederico Haddad também ajudava o pai a controlar o tempo. Quando a fala do candidato se aproximava do limite, fez um sinal com a mão para avisá-lo de que era hora de encerrar. O gesto lembrou a marca usada pelo apresentador Jô Soares para sinalizar o fim das entrevistas e a entrada dos intervalos, quando olhava para o Sexteto e fazia um movimento firme com a mão.
Enquanto Frederico auxiliava o pai, a ex-ministra e candidata ao Senado Marina Silva (Rede) acompanhava o debate com um caderno de anotações. Sentada ao lado de Simone Tebet (PSB), que também concorre a uma cadeira no Senado, ela escreveu durante praticamente todo o confronto e, em diferentes momentos, voltou o olhar para o grupo de Tarcísio para observar as reações.
Marina e Tebet também trocaram cochichos ao longo do programa. Uma das reações mais evidentes ocorreu quando Tarcísio respondeu a uma pergunta sobre o aumento dos feminicídios em São Paulo.
Aliados acompanham provocações
As provocações entre os candidatos também provocaram reações entre os integrantes das chapas. Márcio França, candidato a vice de Haddad, riu quando o petista chamou Tarcísio de "concurseiro". A provocação ocorreu durante uma discussão sobre privatizações e parcerias público-privadas. Ao questionar Tarcísio sobre a venda da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), a concessão de trilhos e a implantação do sistema Free Flow, Haddad ironizou a forma como o adversário apresentava números e citava localidades do Estado.
"Tarcísio, você é um cara meio de 'decoreba'. É engraçado ver você. Você parece 'concurseiro'”, disse, em referência às pessoas que dedicam grande parte da rotina à preparação para concursos públicos. A fala provocou reação entre os integrantes da equipe petista, enquanto França acompanhou o momento com risos.
Apesar da tensão nos bastidores após o encerramento, Tarcísio e Haddad mantiveram uma postura amistosa na chegada e na saída, se cumprimentando nos dois momentos





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