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Debate no Rio é marcado por trocas de farpas, menções a Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar; segurança e transporte foram focos do embate

Encontro reuniu cinco candidatos ao governo do Rio de Janeiro a poucos dias do primeiro turno das eleições

29 set 2026 - 22h26
(atualizado em 30/9/2026 às 01h22)
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Debate na TV Globo com os candidatos ao Governo do Rio de Janeiro
Debate na TV Globo com os candidatos ao Governo do Rio de Janeiro
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

A TV Globo promoveu, nesta terça-feira, o debate entre os candidatos ao governo do Rio de Janeiro. A poucos dias do primeiro turno das eleições, o encontro reuniu cinco postulantes ao Palácio Guanabara para discutir propostas e os principais desafios do Estado. Participaram do debate Douglas Ruas (PL), Eduardo Paes (PSD), William Siri (PSOL) e André Marinho (Novo), além de Anthony Garotinho (Republicanos), que teve a candidatura indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral, mas, como ainda pode recorrer, participou do encontro. 

O debate foi marcado por trocas de acusações entre os candidatos, com referências ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Cláudio Castro (PL) e ao deputado estadual Rodrigo Bacellar (União), além de discussões sobre transporte público, saneamento e segurança.

Na primeira rodada de perguntas, Douglas Ruas (PL) questionou Eduardo Paes (PSD) sobre a construção da Linha 3 do metrô, projeto que prevê a ligação da capital fluminense a Niterói, São Gonçalo e Itaboraí.

Ruas citou o senador Flávio Bolsonaro (PL) como uma figura importante para os estudos do projeto por meio de recursos de emenda destinados à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O candidato afirmou que Paes promete a obra, mas não teria participado de reuniões sobre a iniciativa. 

Ruas também comparou a Linha 3 ao projeto de extensão do VLT entre o Aeroporto Santos Dumont e Botafogo, que classificou como uma obra mais simples e ainda não concluída.

Paes respondeu que a obra não era uma prioridade durante sua gestão à frente da Prefeitura do Rio. O candidato afirmou que, durante os períodos em que governou a cidade, os investimentos em transporte público foram direcionados principalmente para a Zona Norte, favelas e Zona Oeste.

O prefeito também citou a recuperação do BRT como uma de suas prioridades ao assumir novamente a Prefeitura, após a gestão de Marcelo Crivella. Sobre o VLT entre Santos Dumont e Botafogo, Paes afirmou que considera a iniciativa positiva e disse que o atual prefeito, Eduardo Cavaliere, está avançando com o projeto.

Ao rebater as críticas de Ruas, Paes chamou o candidato do PL de “reserva de Rodrigo Bacellar” e associou sua atuação ao governo de Cláudio Castro. O prefeito também criticou a passagem de Ruas pela Secretaria das Cidades do Estado e afirmou que o adversário não conseguiu entregar obras relevantes de transportes.

Ruas, por sua vez, voltou a ser questionado sobre sua relação com Castro e respondeu que mantinha uma relação de trabalho com o governador. O candidato do PL afirmou que Paes tinha sido “amigo de boteco do Cláudio Castro”, em referência à episódios em que os dois aparecem lado a lado. 

Em outro momento, Ruas acusou Paes de ter um “agressor de mulheres” em seu grupo, em referência a Pedro Paulo, candidato o Senado no Rio de Janeiro pelo PSD. Paes rebateu mencionando o irmão de Ruas.

Cedae e situação eleitoral de Garotinho

O saneamento também foi pauta no debate. William Siri questionou Garotinho sobre a privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae). Siri criticou a atuação do governo estadual na privatização da companhia.

O segundo bloco teve como tema o saneamento. William Siri questionou Anthony Garotinho (Republicanos) sobre a privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae).

Siri criticou a atuação do governo estadual na privatização da companhia e afirmou que Douglas Ruas representa o governo Cláudio Castro, Rodrigo Bacellar e outros políticos que, segundo ele, teriam relação com milicianos. O candidato do PSOL defendeu a retomada do controle estatal da Cedae. “Eu vou reestatizar a Cedae”, afirmou.

Garotinho aproveitou a resposta para falar sobre sua situação eleitoral. O candidato afirmou que continua na disputa e criticou a decisão que indeferiu seu registro de candidatura. “Quero dizer que sou candidato a governador. Você vai poder votar 10.”

Garotinho afirmou ainda que uma emissora de rádio publicou, durante a semana, que ele teria desistido da candidatura. Segundo ele, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro indeferiu seu registro, em decisão que classificou como contrária à legislação eleitoral.

O candidato do Republicanos afirmou que pretende reestatizar a Cedae e disse ser contra o que chamou de “máfia” e “poderes podres” que, segundo ele, destruíram o Estado. 

Crime organizado

Na última parte do segundo bloco, os candidatos discutiram o avanço do crime organizado no Estado. O ex-governador Anthony Garotinho prometeu utilizar forças federais para retomar comunidades, enquanto William Siri defendeu a realização de concursos públicos para as polícias Civil, Militar e Penal.

André Marinho também falou sobre o combate às facções criminosas e citou nominalmente Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão e apontado como uma das lideranças do Terceiro Comando Puro (TCP). O candidato afirmou que pretende prendê-lo e disse que, em caso de reação à ordem de prisão, poderia matá-lo.

Peixão é investigado por ordenar que criminosos interceptassem dois ônibus escolares e utilizassem veículos como barricadas na Linha Vermelha, na manhã desta segunda-feira, 28.

“O vagabundo encastelado na Cidade Alta chamado ‘Peixão’ reivindicou a autoria dessa maldade. Tão importante quanto recuperar territórios é recuperar talentos. Muitas vezes o aluno faltante acaba sendo a presa perfeita para ser recrutado pelo crime organizado. Eu queria dizer para o ‘Peixão’: nós vamos procurar você”, afirmou Marinho.

RioPrevidência e Banco Master

Em outro momento do debate, Siri voltou a direcionar críticas a Ruas. O candidato do PSOL associou a gestão de Cláudio Castro a operações envolvendo o RioPrevidência e o Banco Master.

Siri afirmou que Castro teria destinado bilhões de reais do RioPrevidência ao banco. Durante a fala, citou pela primeira vez no debate o nome de Daniel Vorcaro, presidente e acionista do Banco Master, além da venda de títulos que classificou como “podres” ao fundo de previdência estadual.

Lula x Flávio

A disputa também foi nacionalizada durante uma discussão sobre o fim da escala de trabalho 6x1. Siri defendeu a medida e afirmou ter “orgulho” de apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ruas ironizou a declaração. “Parabéns por assumir o apoio ao Lula”, disse o candidato do PL. Na sequência, aproveitou o tema para criticar Paes, acusando o adversário de esconder sua proximidade com o presidente.

Segundo Ruas, Paes “recebe o Lula, faz agenda e nem posta”. O candidato do PL afirmou ainda que, diferentemente do adversário, não esconde sua aliança com Flávio Bolsonaro.

Ruas disse ser favorável a mais descanso para os trabalhadores, mas argumentou que o custo de uma eventual mudança na jornada não deve recair sobre os empresários.

Fonte: Portal Terra
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