Provocações, bronca e até falso alarme de bomba: o debate entre Flávio Bolsonaro e Lula em 7 pontos
Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) se enfrentaram diretamente pela primeira vez neste domingo, 18, na Band
Na reta final do segundo turno das eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) se enfrentaram diretamente pela primeira vez em debate promovido pela Band neste domingo, 18. O encontro, que durou em torno de 1h40, foi marcado por provocações, interferência da plateia, bronca dada pelos apresentadores e até falso alarme de bomba no encerramento. Confira os destaques da noite em 7 pontos.
Provocações
Provocações deram tom à noite. Flávio Bolsonaro disse que "tem Bolsonaro dentro do Lula". Já Lula pediu até voto para Jair Bolsonaro: "Vota em mim, Bolsonaro".
Além disso, diversos outras provocações foram trocadas ao longo da noite. Flávio Bolsonaro escreveu "corruPTo' na mão, enquanto Lula disse querer distância "de miliciano".
Em outro momento, Lula chamou o opositor de "malandro carioca" e Flávio aproveitou para crescer em cima da fala: "Quero me solidarizar com todos os meus irmãos e irmãs do Rio de Janeiro, que foram chamados de malandros pelo meu concorrente. É assim que ele trata as pessoas quando ele tem um estado como o Rio de Janeiro com a maioria que escolhe a mudança e não continuidade".
Cola na mão
Durante o debate, Flávio Bolsonaro exibiu uma palavra escrita na palma da mão: "corruPTo". A provocação foi feita enquanto Lula questionava o adversário sobre a relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
"Corrupto tem duas letrinhas: 'PT'", afirmou o candidato do PL, mostrando a anotação. Escrita com caneta, a palavra tinha as letras que fazem referência ao partido destacadas por um quadrado. Flávio também chamou a atenção para a mensagem durante o confronto, mas Lula não respondeu à provocação.
Antes do episódio, Flávio havia mencionado a presença na plateia de Sergio Moro, governador eleito do Paraná e responsável pela prisão de Lula, posteriormente anulada.
Pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) também utilizava colas na mão para passar mensagens durante suas participações em debates e sabatinas nas campanhas nas eleições de 2018 e 2022.
'Falso alarme' de bomba
A sede da TV Bandeirantes passou por uma varredura por conta de uma suspeita de bomba ocorrer após o encerramento do debate. A ação foi comandada pelo Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), da Polícia Militar de São Paulo. Segundo o comandante do Gate, Vitor Capello Haddad, tratou-se de um 'falso alarme'.
Os agentes realizaram um protocolo padrão para garantir a segurança de todos os presentes na emissora. A suspeita de bomba foi alertada por uma equipe do Senado Federal, que faz a segurança do candidato Flávio Bolsonaro (PL), atualmente senador. A suposta bomba estaria no carro que trouxe Flávio ao encontro.
Plateia
O debate aconteceu no auditório da TV Bandeirantes, onde cerca de 100 convidados puderam ficar dentro do auditório -- incluindo membros das equipes dos candidatos à Presidência da República, aliados políticos e jornalistas.
O debate não conta com a participação da plateia, que é orientada a fazer silêncio durante toda a transmissão. Isso, porém, não foi o que aconteceu. Em meio a um debate marcado por provocações, os bastidores acabaram vindo a público.
Em diversos momentos, a plateia se manifestou por meio de risadas ou batendo palmas -- o que foi repreendido pelos apresentadores. Mas, para além disso, também aconteceram gritos de crítica, vaias e ataques aos candidatos "do time oposto". No final do debate, por exemplo, os jornalistas tiveram que encerrar a transmissão ao som de gritos de "Mito" e "Lula".
Em entrevista após o encerramento do evento, a apresentadora Adriana Araújo comentou o caso. “De fato, muitos momentos de tensão. Momentos em que os mediadores precisaram intervir ali com mais firmeza, até com a plateia, que se manifestou muitas vezes”, afirmou. Ela destacou que o papel dos mediadores é garantir o cumprimento das regras e evitar que as manifestações do público atrapalhem quem acompanha o debate de casa.
Direito de resposta
Lula não formalizou nenhum pedido de direito de resposta ao longo do debate. Já Flávio Bolsonaro fez pedidos e teve um atendido.
Flávio usou o seu tempo de defesa, que foi de um minuto, para falar sobre o combate ao narcotráfico. "Eu quero falar para você, que tá me assistindo na sua casa, que eu sei que você tá sofrendo com a violência", começou o candidato. Na sequência, ele falou que, se eleito, irá "combater o narcoterrorismo com muita força e com muita dedicação". Ele disse ainda que a "favela é potência" e prometeu a criação de um "ministério da prosperidade".
Bate-boca
O debate foi de clima quente entre os adversários, com trocas de acusações que terminaram em bate-boca. Durante a primeira etapa de tema livre, o candidato do PL provocou o petista ao trazer à tona a relação de Lulinha, seu filho, com a empresária Roberta Luchsinger. Lula também o questionou sobre o "careca do INSS" e, assim, eles seguiram trocando farpas.
Em outro momento, Flávio também irritou Lula por ficar se aproximando dele pelas costas enquanto ele falava. Lula chegou a ficar vermelho e reclamou para os mediadores: "Se ele tiver zombando de mim, eu quero direito de resposta [...]. Só pra saber, porque quem é o palhaço aqui é ele, não sou eu".
Bronca dos apresentadores
O debate foi mediado pelos apresentadores Eduardo Oinegue e Adriana Araújo, e a dupla precisou intervir no evento para conter os participantes mais de uma vez.
Em um primeiro momento, Adriana Araújo deu uma bronca de Flávio e Lula, que estavam se atropelando nas falas e gerando tumulto no auditório. Em meio ao falatório generalizado, a jornalista subiu o tom pedindo para que a equipe da emissora parasse de rodar o cronômetro para repreender os convidados.
"Por favor, candidatos Lula e Flávio, aqui. Peço um minuto, por favor. Candidato Flávio, você já respondeu a essa pergunta, o senhor não pode se manifestar nesse momento. Vamos respeitar o candidato Lula que está respondendo. Por favor, candidato, você tem um minuto e seis segundos", afirmou a jornalista na ocasião.
Outro tumulto se formou na reta final do debate, no momento em que os candidatos estavam fazendo suas considerações finais. A fala de Lula foi interrompida por manifestações da plateia após o candidato do PL voltar a provocá-lo, caminhando pelo palco e aparecendo atrás do presidente.
Vaias, aplausos e gritos também provocaram discussões entre pessoas que acompanhavam o confronto, levando a mediação a interromper momentaneamente a sequência do programa para restabelecer a ordem. Durante a confusão, Oinegue repreendeu as manifestações dos apoiadores dos candidatos. “Silêncio e senta plateia, por favor”, disse em um momento. “Eu queria pedir a plateia que não se manifestasse. A plateia não é parte do debate”, afirmou em seguida, pedindo respeito.
Em determinado momento, a fala do candidato do PL também foi interrompida por manifestações da plateia. Flávio pediu a restituição do tempo, e o apresentador Eduardo Oinegue solicitou que ele prosseguisse.



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