Oposição vê viagem de Flávio aos EUA como resultado de perseguição; governistas chamam de “fujão”
Candidato derrotado na eleição presidencial deixou o País nesta terça-feira
A saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil, em meio à repercussão de uma possível fuga para os Estados Unidos, provocou reações opostas entre parlamentares da Câmara dos Deputados. Aliados do senador apontam perseguição política . Já governistas acusam o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro de deixar o País para escapar de possíveis investigações.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
O deputado Sargento Fahur (PL-PR) saiu em defesa de Flávio Bolsonaro e afirmou que considera a decisão de Flávio deixar o país acertada diante do que classifica como perseguição política à família Bolsonaro.
“Eu digo, vá com Deus. Com certeza o Flávio entendeu que era a melhor decisão e eu assino embaixo”, afirmou Fahur ao comentar sobre a viagem.
Em posição oposta, o deputado Otoni de Paula (PSD-RJ), ex-aliado de Jair Bolsonaro e um dos autores do pedido de apreensão do passaporte de Flávio, rejeitou a tese de perseguição política. Ele comparou a saída do senador à atitude de um comandante que abandona a tripulação diante do naufrágio de um navio.
“Ele é um covarde”, afirmou Otoni. O deputado também comparou a situação à prisão de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2018, e sustentou que o petista permaneceu no Brasil porque acreditava estar com a razão.
Otoni atribuiu a saída do senador ao receio de que suspeitas e investigações envolvendo seu nome venham à tona. Em sua declaração, citou supostas ligações de Flávio com pessoas investigadas e questionamentos relacionados a negócios e movimentações financeiras. As acusações foram feitas pelo parlamentar e não constituem, por si só, comprovação de irregularidades.
Ao encerrar a entrevista, Otoni voltou a ironizar o discurso patriótico associado ao bolsonarismo. “No máximo que ele é é um rato patriota.”
Medo de perseguição
O deputado Luiz Lima (Novo-RJ) afirmou temer que o próximo governo Lula seja marcado pela intimidação de adversários políticos. Para ele, a ordem relacionada ao passaporte de Flávio, expedida poucos minutos após o resultado eleitoral, transmite uma mensagem preocupante.
“Eu estaria faltando com a verdade se dissesse para você que eu não tenho esse temor. Tenho medo também, tenho receio”, afirmou Lima.
O deputado questionou a rapidez da medida judicial contra o senador, que havia disputado a Presidência da República. “Sete minutos após o resultado, a Polícia Federal recebeu um pedido de apreensão de passaporte de um senador da República que era então candidato. É muito ruim”, declarou.
O deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO) também classificou a ordem de apreensão do passaporte como perseguição política. “Que crime ele cometeu para que isso seja feito? Ficamos sem entender. Estamos até agora sem entender.”
Lucas Pavanato (PL-SP), segundo deputado mais votado do país nas eleições deste ano, também comentou e saiu em defesa de Flavio. "Em nenhum regime democrático um presidente que perde a eleição precisa sair do País. Apenas no Brasil, pois não somos uma democracia."


Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.