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Flávio Bolsonaro x Lula: confira quais os temas mais espinhosos para o embate entre os adversários no debate da Band

Especialistas ouvidos pelo Terra apontam que os candidatos têm assuntos complicados que devem ser explorados

18 out 2026 - 05h00
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Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PT)
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PT)
Foto: Globo/Manoella Mello

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) possuem pontos vulneráveis que podem ser explorados durante o debate presidencial deste domingo, 18, promovido pela Band, em parceria com o Estadão, TV Gazeta, TV Cultura e Jovem Pan. Enquanto o petista tende a enfrentar questionamentos sobre economia e segurança pública, o filho de Jair Bolsonaro pode ser pressionado sobre a proteção dos trabalhadores, a soberania nacional e a relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. De acordo com especialistas ouvidas pelo Terra, um tema é sensível para ambos: corrupção.

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Corrupção e segurança pública podem pressionar Lula

Para Mayra Goulart, professora do departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a corrupção é um dos assuntos mais delicados para Lula. Segundo ela, mais de uma década de cobertura e de campanhas políticas associando o PT à corrupção deixou marcas na percepção de parte do eleitorado.

"Isso não se desfaz, mesmo com as evidências de que a corrupção é muito mais generalizada no campo bolsonarista", afirma.

A professora também aponta o Supremo Tribunal Federal (STF) como um possível ponto de desgaste para o presidente. Na avaliação dela, as críticas à Corte se conectam ao discurso da extrema direita contra instituições que considera obstáculos a suas propostas políticas.

Parece que estou no Ministério Público, diz Lula após perguntas sobre Master, INSS e Lulinha:

A segurança pública é outro tema em que Flávio pode tentar encurralar o adversário. De acordo com Goulart, a direita tem vantagem discursiva ao apresentar respostas diretas para um problema complexo, com propostas de endurecimento de penas e maior uso da força policial. "Não resolve, mas é simples, é de fácil entendimento", diz a professora, ao comparar esse discurso com a abordagem do campo progressista, que precisa conciliar propostas de combate ao crime com a defesa dos direitos humanos.

Letícia Mendes também avalia que a segurança pública pode ser um assunto espinhoso para Lula. A maneira como o presidente apresentar as ações de seu governo, os resultados da Polícia Federal e a possibilidade de criação de um ministério para tratar do tema pode influenciar a discussão.

A economia é outro ponto para o petista, sobretudo se o debate avançar sobre dívida pública e gastos do governo. Para Mendes, a forma como esses assuntos forem apresentados e confrontados pelos candidatos poderá colocar Lula em uma posição delicada.

Flávio enfrenta Banco Master e soberania nacional

Se Lula deve ser pressionado por corrupção, Flávio Bolsonaro também pode enfrentar cobranças sobre o tema. Segundo Mendes, o caso do Banco Master é um dos assuntos que podem gerar dificuldades para o senador durante o debate.

Flávio disse que nunca entrou em avião de Vorcaro antes de voo vir à tona:

A soberania nacional é outro ponto de atenção, especialmente diante da atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e das relações políticas com Donald Trump. Para a cientista política, esses episódios podem ser explorados pelo adversário ao discutir a influência externa sobre os rumos do Brasil.

Goulart também considera que a relação com Trump e a soberania nacional podem gerar dificuldades para o senado. "A população é um pouco menos interessada em dinâmicas internacionais do que dinâmicas mais concretas, que têm a ver com a vida cotidiana."

Os direitos trabalhistas também podem colocar Flávio na defensiva. "Proteção do trabalhador, porque eles defendem a redução do Estado", explica a professora Goulart. "Então não só os direitos trabalhistas, como políticas públicas de modo geral."

A pandemia é outro assunto que pode voltar à discussão. Goulart avalia que o tema ainda representa um problema para o campo bolsonarista. Ela também aponta a pauta das mulheres como um possível foco de desgaste "porque o antifeminismo é muito forte para a extrema direita."

Lula deve apostar em direitos trabalhistas e programas sociais

"O principal tema que o Lula deve emplacar é a defesa do trabalhador, seja o trabalhador formal, seja o informal", afirma Goulart. A professora também destaca o Bolsa Família e o Pé-de-Meia, programa de incentivo financeiro a estudantes do ensino médio público. "Todos esses programas sociais são muito importantes para a vida de quem os recebe."

Mendes também vê a pauta trabalhista como uma das principais apostas do presidente, especialmente após a aprovação da PEC que prevê o fim da escala 6x1. "Acho que um dos principais temas que o presidente Lula pode emplacar no debate pode ser os direitos trabalhistas. O avanço de conquistas que o presidente trouxe ao longo de suas gestões", afirma.

A educação também deve aparecer na estratégia do petista. "A construção do Pé de Meia que é uma política pública que tem sido bastante importante ali pra população jovem e e são questões também que que afetam o eleitorado, principalmente o eleitorado que o presidente Lula vem buscando conquistar".

Flávio deve explorar economia e legado do pai

Flávio deve tentar concentrar parte de seu discurso na segurança pública. "Corrupção e segurança pública, falando que vai matar, prender, arrebentar", afirma a professora. "Nesse tema, Flávio tem uma margem discursiva maior que o presidente Lula."

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A economia também pode aparecer como uma das principais frentes de ataque. Mendes avalia que o senador pode explorar o poder de compra dos consumidores e as dificuldades econômicas da população para questionar o governo. Além disso, a cientista política prevê que o senador procure se apresentar como continuidade da gestão de Jair Bolsonaro.

"Eu acho que ele vai reforçar muito o legado do pai dele, da gestão do pai, que ele vai ser a continuidade disso e dos valores da família", avalia Mendes.

Fonte: Portal Terra
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