Flávio Bolsonaro diz que serviço contratado nos EUA não viola lei; Elytron diz que atua no segmento de segurança
Flávio pagou R$ 600 mil a empresa de cibersegurança dos EUA que vende sistema de IA clandestino, aponta o Intercept Brasil
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) afirma não ter contratado “nenhum serviço que viole a legislação eleitoral” em resposta à reportagem do Intercept Brasil, publicada nesta sexta-feira, 16, que aponta o pagamento de R$ 600 mil feito pelo candidato à Presidência da República para a empresa de cibersegurança Elytron. Informações obtidas pelo veículo apontam que a empresa vende sistema de inteligência artificial com foco em manipulação eleitoral. A Elytron nega a realização de operações clandestinas.
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Flávio não nega a contratação da empresa, mas diz que o processo seguiu “os procedimentos regulares, com escopo definido, documentação fiscal e prestação de contas à Justiça Eleitoral”.
“A campanha não contrata nenhum serviço que viole a legislação eleitoral. Portanto, é grave, desprovido de fundamento e com claro viés político eleitoreiro, a tentativa de associar a contratação de um serviço exclusivo de segurança da informação para proteger os sistemas de comunicações contra-ataques cibernéticos com práticas de manipulação política”, afirmou a assessoria de imprensa de Flávio Bolsonaro ao Intercept, em nota.
Em paralelo, também procurada pelo Intercept, a Elytron diz repudiar “veementemente qualquer tentativa de associar seu nome à disseminação de informações falsas, ao uso de deepfakes ou à realização de operações clandestinas de manipulação da opinião pública” e diz atuar no segmento de segurança cibernética e da informação, com serviços de natureza exclusivamente defensiva, não oferecendo, executando ou autorizando o tipo de prática clandestina.
“Caso seja confirmado que parceiros comerciais ofereceram serviços irregulares em nome da Elytron, sem sua autorização, a empresa adotará as medidas contratuais e judiciais cabíveis para responsabilizar os envolvidos e resguardar sua reputação”, complementa a empresa, em nota.
O que aconteceu?
O Intercept Brasil teve acesso a documentos que detalham uma oferta feita pela Elytron nos Estados Unidos a pessoas ligadas à campanha de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos em 2024 de uma operação que incluía fazer uma coleta imensa de dados e identificar grupos de eleitores para, de acordo com o perfil de cada um, executar atividades como disseminar boatos e desinformação, criar contas falsas nas redes sociais e utilizar “técnicas de guerra psicológica” e métodos de infiltração para desacreditar adversários. A tecnologia foi demonstrada aos republicanos, mas não há confirmação de contratação.
Em paralelo, conforme obtido pelo veículo, Flávio Bolsonaro pagou R$ 600 mil à Elytron pelos serviços de “consultoria em tecnologia da informação”, “apoio forense”, “investigação Pishing”, “teste de seguranca” e “monitoramento de infraestrutura”. “Não há evidências que comprovem que o sistema de manipulação política denunciado por Reed tenha sido usado por Flávio ou pelo PL nas eleições de 2026”, afirma o Intercept.
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