Flávio Bolsonaro diz que 'PT conseguiu levantar fake news com ajuda de gente de dentro da CNBB'
Candidato do PL afirma que Flávio Dino autorizou 'Liga da Mentira do PT' com decisão contra remoção de posts com desinformação sobre Nossa Senhora Aparecida; CNBB nega participação e diz que 'a mentira não se combate com outra mentira'; PT não se manifestou
O senador Flávio Bolsonaro acusou o PT e membros da CNBB de espalharem a notícia falsa de que ele pretende retirar Nossa Senhora Aparecida como padroeira do país. A CNBB negou envolvimento e repudiou a acusação. A desinformação surgiu após erro da GloboNews, já corrigido, gerando milhares de posts. O ministro André Mendonça mandou remover as publicações, mas Flávio Dino derrubou a decisão em prol da liberdade de expressão, gerando duras críticas do parlamentar à atuação do ministro e do PT.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou neste domingo, 27, durante entrevista em Goiânia, que o PT contou com ajuda "de gente de dentro da CNBB" para espalhar a notícia falsa de que ele pretende retirar Nossa Senhora Aparecida do posto de padroeira do Brasil.
"A maior fake news da campanha foi essa sobre Nossa Senhora Aparecida. Algo que nunca, não existia esse movimento para tirar ela de ser padroeira do Brasil. Jamais existiu, não tem projeto, não tem nada. E o PT, eu sei hoje, já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news. Conseguiu com a ajuda de gente dentro da CNBB. Infelizmente, essa é a realidade", afirmou.
Em nota, a CNBB negou ter participação na difusão de informações falas, afirmou que atribuir à entidade "participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que devem caracterizar o processo eleitoral" e que "mentira não se combate com outra mentira" (Veja nota abaixo).
O candidato do PL criticou a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que reativou postagens sobre o caso derrubadas pelo ministro André Mendonça, também do STF, no âmbito do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
"Isso que aconteceu hoje, com mais esse canetaço do Flávio Dino, é uma defesa que ele faz da liga da mentira do PT. O PT hoje tem uma liga da mentira. Uma grande teia de perfis falsos, de interfaces pagos com dinheiro público. Uma orquestração para divulgação de fake news", disse ele.
Procurados, PT e CNBB não se manifestaram. O espaço está aberto.
Origem da associação
A história associando o nome de Flávio Bolsonaro ao projeto começou a circular na noite de quinta-feira, 24, depois que o programa Em Pauta, da GloboNews, informou que a Igreja Católica estaria preparando uma reação a uma suposta mobilização de evangélicos em torno de um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A informação foi apresentada como algo que poderia ter repercussão eleitoral entre os católicos.
Horas depois, a própria GloboNews corrigiu a informação e explicou que a proposta havia sido apresentada na Câmara dos Deputados em 2007 e arquivada em 2008. O canal pediu desculpas pelo erro.
Ainda assim, a associação entre o projeto e Flávio Bolsonaro passou a circular nas redes sociais. Segundo o levantamento citado pelo Estadão, foram quase 1 milhão de publicações sobre o assunto em menos de três dias. A campanha do candidato afirmou que a narrativa teria partido de uma publicação do influenciador Jeferson de Oliveira Monteiro, conhecido pelo perfil "Dilma Bolada".
Decisões de Mendonça e Dino
Já na sexta-feira, 25, o ministro André Mendonça, do TSE, determinou a remoção de 1.125 publicações que associavam Flávio Bolsonaro ao projeto.
Segundo Mendonça, era "notoriamente inverídica" a afirmação de que o candidato ou sua família tivessem proposto, articulado ou apoiado a retirada de Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil. A decisão atingiu conteúdos publicados nas plataformas X, Facebook, TikTok e YouTube.
Neste domingo, porém, o ministro Flávio Dino, do STF, derrubou a decisão de Mendonça. A medida ocorreu após pedido do humorista Antonio Tabet, autor de uma das publicações removidas.
Dino afirmou que não havia, naquele conteúdo, grau suficiente de ilicitude que justificasse consequências tão severas para a liberdade de expressão e de religião. A decisão também se estendeu a outras postagens retiradas pelo mesmo fundamento.
Veja a íntegra da nota da CNBB:
"Diante de informações e manifestações que circulam nas redes sociais envolvendo o nome da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), esclarecemos:
A CNBB não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral.
A Conferência repudia a produção e a utilização de informações falsas, independentemente de sua origem ou de quem possam beneficiar ou prejudicar.
A CNBB não integra qualquer estrutura político-partidária, de partido ou candidatura.
Suas manifestações sobre as eleições decorrem de sua missão pastoral e de princípios públicos expressos em seus documentos, orientados pela dignidade humana, pelo bem comum, pela democracia e pela liberdade de consciência.
Atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que devem caracterizar o processo eleitoral. A mentira não se combate com outra mentira.
A CNBB reafirma seu compromisso com a verdade, o diálogo e a paz."
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