Flávio Bolsonaro critica Lula por chamar integrantes de facções brasileiras de "nossos criminosos"
Senador do PL reagiu à declaração em que o petista afirmou que criminosos brasileiros não podem ser tratados como terroristas pelos EUA
Pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou nesta sexta-feira, 29, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por uma declaração em que o petista afirmou que criminosos brasileiros não podem ser tratados como terroristas. Ao comentar a decisão dos Estados Unidos de classificar facções brasileiras como organizações terroristas, Lula usou o termo "nossos" para se referir aos integrantes desses grupos.
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"Nossos não, Lula. Seus criminosos", afirmou Flávio. "Existem 50 milhões de brasileiros que moram em áreas dominadas por CV, PCC e organizações narcoterroristas. E o que Lula fez foi dizer a esses brasileiros que eles não merecem soberania, não merecem ter paz nem oportunidade."
A declaração foi dada durante o lançamento das pré-candidaturas de Sergio Moro ao governo do Paraná e de Deltan Dallagnol e Filipe Barros ao Senado Federal.
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira, 28, a inclusão das facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). A medida entra em vigor em 5 de junho.
Lula afirmou nesta sexta-feira, 29, que ficou "muito triste" com a decisão americana.
"O secretário dos Estados Unidos da América do Norte, um tal de Marco Rubio, disse que os nossos criminosos são terroristas e que os americanos podem fazer intervenção. Por que estou triste? Primeiro porque esse tal de Comando Vermelho e esse tal de PCC são terroristas para as comunidades brasileiras, para a sociedade brasileira, para o povo da periferia deste país. Eles são terroristas. Incomodam famílias, bairros e cidades. Roubam tudo", declarou.
A classificação do PCC e do CV como organizações terroristas ocorre após encontros de Flávio Bolsonaro com autoridades americanas em Washington. Alinhado ao trumpismo, o senador afirma ter defendido a medida durante reuniões com o presidente Donald Trump e integrantes do governo americano.
O governo brasileiro se posiciona contra a medida. Lula e representantes da diplomacia brasileira argumentam que classificar as facções como organizações terroristas pode abrir margem para interpretações que afetem a soberania nacional, incluindo eventuais intervenções externas.
A inclusão na lista de organizações terroristas permite aos Estados Unidos ampliar sanções, restringir fontes de financiamento e limitar a mobilidade internacional dos grupos e de seus integrantes. Medidas semelhantes já foram adotadas contra organizações criminosas como o Cartel de Sinaloa, o Cartel Jalisco Nueva Geração, a MS-13 e o Tren de Aragua.
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