Na Globo, Lula dá opinião sobre redução da maioridade penal, defende soberania nacional e faz mea-culpa sobre resultados do governo
Petista é sabatinado por Renata Lo Prete nesta quinta-feira, 15; Flávio Bolsonaro será ouvido na sexta
Lula (PT) é o primeiro entrevistado por Renata Lo Prete, na TV Globo, na rodada de sabatinas com os candidatos à Presidência da República no segundo turno das eleições. Na busca pelo quarto mandato, o petista começou admitindo dificuldades em comunicar resultados de seu mandato ao comentar a taxa de rejeição de seu governo. Ele também comentou sobre a 'relação civilizada' com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e defendeu a redução da maioridade penal para crimes hediondos. Acompanhe.
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A entrevista começou com a jornalista questionando o candidato sobre a rejeição do eleitorado ao seu governo. Ela citou, também, o comentário de Lula sobre sua campanha ter sido desorganizada no primeiro turno. O petista logo puxou a responsabilidade para ele e admitiu dificuldade em comunicar os resultados de seu mandato à população. "Quando as coisas dão certo sou eu que ganho. Quando não, sou eu que perco", disse.
Lula falou sobre o processo de recuperação que foi necessário no início de seu terceiro mandato, após o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deixar a presidência. "Lamento que não tenha tido a capacidade de fazer o povo compreender o que eu diz, porque eu fiz muita coisa".
Ainda sobre o seu terceiro mandato, Lula disse que seu governo foi de ampla participação de outros partidos. Ele afirmou, ainda, que nem em 2006 pediu para que seus ministros fizessem campanha por ele na reeleição -- mas que os mesmos são peças fundamentais para sua governabilidade. "Todos os partidos, com exceção do PL [Partido Liberal], participaram do meu governo. [...] Por isso conseguimos aprovar tudo", comentou, citando a aprovação da reforma tributária.
Relação com os Estados Unidos
O Governo Federal vive sob pressão desde que Donald Trump foi reeleito presidente dos Estados Unidos -- o que incluiu duas rodadas de tarifaço e uma clara preferência do governo norte-americano à oposição de Lula, como pontuou Lo Prete. "Se o senhor prevalecer nas urnas, como pretende lidar com essa realidade e com a vizinhança na América do Sul quase toda colocada na órbita dos interesses dos EUA?", questionou a jornalista.
"Acho que a minha relação com o Trump foi a mais civilizada que ele já teve com outro presidente da República. Começou muito tensa. Eu disse ao Trump que era importante que dois homens de 80 anos, sabe, tivessem o juízo e se entendessem, porque não era possível a gente ficar passando desavenças entre as duas maiores democracias do Ocidente. Ele concordou comigo", respondeu.
Lula disse que as negociações entre os países seguem, e que um acordo está se encaminhando. "Agora, o que me deixa tranquilo: embora a gente tenha perdido 9% na relação comercial com os Estados Unidos, nós crescemos 20% com a China, 15% com a Indonésia, 16% com a Alemanha, 13% com o Vietnã, e crescemos em 50 países que nós visitamos em média 10,5% a mais. Então quem deve estar preocupado conosco no momento são os Estados Unidos [...] Eles precisam de mais coisas nossas do que nós deles", complementou.
*Matéria em atualização
Assim como na rodada de sabatinas do primeiro turno, cada entrevista contará com 40 minutos de duração, com dois blocos, e um minuto para considerações finais no encerramento. A ordem das entrevistas foi definida por sorteio. Flávio Bolsonaro (PL) será entrevistado na sexta-feira, 16.
Reta final da eleição
O eleitorado brasileiro irá escolher o próximo Presidente da República no último domingo do mês, dia 25. Há dois candidatos na disputa neste segundo turno: Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT).
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro ficou à frente com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. A taxa de abstenção foi de 21,08%, correspondente a 33,4 milhões de eleitores que não compareceram às urnas.
Nas pesquisas de intenção de voto do segundo turno, os candidatos aparecem em empate técnico. No segundo levantamento Datafolha divulgado nesta quinta-feira, 15, Flávio aparece com 51% dos votos válidos (antes 52%) e Lula com 49% (antes 48%). O levantamento, registrado no TSE sob o protocolo BR-00466/2026, foi realizado entre os dias 13 e 15 de outubro.
Até o momento, Flávio Bolsonaro e Lula ainda não debateram diretamente, com os dois faltando a todos os debates promovidos no primeiro turno e participando apenas de entrevistas únicas. Mas isso deve mudar em breve. Há dois debates marcados para o segundo turno: o primeiro está marcado para domingo, dia 18, promovido pela Band; já o segundo acontecerá na véspera da eleição, no dia 23 de outubro, promovido pela Globo.

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