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De vídeo de Nikolas a clima de vitória antecipado: 5 pontos que marcaram a derrota de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro (PL) foi derrotado de virada por Lula (PT) no segundo turno da eleição presidencial

27 out 2026 - 04h00
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Flávio Bolsonaro durante votação neste domingo, 25
Flávio Bolsonaro durante votação neste domingo, 25
Foto: REGINALDO PIMENTA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO / Estadão

Escolhido para ser o sucessor “moderado” de Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro (PL) ficou a 4,4 milhões de votos de se eleger Presidente da República no segundo turno, neste domingo, 25, contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Sendo o representante mais forte da direita nessa corrida eleitoral, ele obteve uma vantagem de 2,2 milhões de votos no primeiro turno e recebeu amplo apoio de outros candidatos, mas a vantagem não se sustentou. De polêmicas ao clima de vitória antecipado, relembre pontos que marcaram a campanha de Flávio e desenharam o cenário de sua derrota.

Clima de vitória antecipado

No dia 5 de outubro, Flávio Bolsonaro foi o candidato mais votado no primeiro turno da disputa eleitoral. “Está decretado o fim da era do PT”, disse, ao celebrar o resultado. 

A partir disso, enquanto a campanha de Lula se reinventava e se fortalecia, Flávio falava sobre mudanças na Constituição, começou a articular futuros ministros de seu governo e não focou em promover uma mobilização tão forte com seu eleitorado quanto seu adversário. 

A campanha de Lula contou com uma frente ampla de atuação motivada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) por meio do canal ‘Exército do Lula’, que superou 10 milhões de seguidores. Os “soldados” focaram em virar votos,  desconstruir a figura de Flávio e em fazer barulho com atos por todo o Brasil. Em paralelo, a ‘Tropa do Flávio’ se manteve com 2 milhões de participantes e a militância não manteve uma atuação unificada.

Flávio em primeiro discurso após a apuração de votos do primeiro turno da eleição
Flávio em primeiro discurso após a apuração de votos do primeiro turno da eleição
Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO

Nikolas Ferreira e o Nordeste

Historicamente, é no Nordeste onde Lula tem sua base política mais sólida. Em uma tentativa da direita de afastar o favoritismo eleitoral ao petista na região, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos principais aliados políticos de Flávio, publicou um vídeo sobre a vida de nordestinos que virou alvo de polêmicas.

Intitulado "O Nordeste que foi esquecido", o vídeo foi anunciado por Nikolas como um dos mais importantes de sua campanha e de sua vida. Na gravação, moradores da região relataram dificuldades financeiras, problemas de segurança, falta de acesso a medicamentos e insatisfação com promessas atribuídas ao governo Lula.

Nikolas Ferreira (PL-MG) em vídeo sobre o Nordeste publicado dias antes do segundo turno
Nikolas Ferreira (PL-MG) em vídeo sobre o Nordeste publicado dias antes do segundo turno
Foto: Reprodução/Instagram

O material, que utilizou um trecho da música Grão de Areia, de Rubel e Xande de Pilares, com participação do sanfoneiro Mestrinho, acabou ficando sem som. O motivo não foi divulgado de forma oficial, mas pode ter relação com os direitos autorais da música. O vídeo, que também foi alvo de críticas por sua produção, ultrapassou 169 milhões de visualizações, mobilizando milhares de reações. 

No fim, no segundo turno, o presidente reeleito recebeu 22,63% de votos a mais entre o primeiro e segundo turno na cidade de Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, onde o vídeo foi gravado. Reduto bolsonarista no Estado, o crescimento percentual foi 7,3 vezes maior do que o de Flávio Bolsonaro, que registrou um aumento de 3,10% nos votos no último domingo, 25. 

Daniella Marques e o Bolsa Família

Daniella Marques, ex-presidente da Caixa que foi coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, teve falas sobre o Bolsa Família retiradas de contexto nas redes sociais – o que pode ter gerado um saldo negativo para o candidato. 

Ela rebateu o que chamou de "campanha criminosa de fake news" que alegava que Flávio Bolsonaro cortaria programas sociais e limitaria o Bolsa Família a dois anos. "Não iremos [cortar programas sociais]. Nós iremos cortar os privilégios em Brasília, férias de 60 dias, supersalários, viagens e outros privilégios, desperdícios da máquina pública e fechar o buraco das estatais para que a gente tenha um Estado mais eficiente", disse.

No caso, ela afirmou em entrevista à Rádio CBN Salvador que o Bolsa Família passaria por mudanças caso Flávio fosse eleito. Ela disse que o programa voltaria a ter uma regra de transição de dois anos, em que beneficiários permaneceriam recebendo o benefício por 24 meses mesmo após conseguirem um emprego formal ou abrirem uma pequena empresa. 

‘Nove dedos’

Flávio Bolsonaro e Lula se enfrentaram diretamente duas vezes no segundo turno. O último embate entre eles aconteceu na última sexta-feira, 23, durante debate promovido pela Globo. Na ocasião, Flávio Bolsonaro chamou Lula de “nove dedos” e a fala gerou repercussão negativa para sua campanha, por ser considerada preconceituosa.

Tudo começou quando Flávio ironizou Lula durante um embate sobre questões econômicas, falando que ele "dá com uma mão e tira com os nove dedos".  “Eu quero que ele saiba de uma coisa: se tem alguém aqui nesse público que sabe o que é o mundo do trabalho, sou eu. Se tem alguém que perdeu o dedo com 17 anos, fui eu, trabalhando à noite, quando não podia trabalhar. Não vou permitir que um miliciano me chame de 'nove dedos'. Não vou permitir, não vou permitir", reclamou Lula durante o debate.

O petista pediu para Flávio se desculpar, citando que milhões de trabalhadores se acidentam por irresponsabilidade patronal. Flávio pediu desculpas e aproveitou o gancho para perguntar se Lula irá pedir desculpas para quem recebe o Bolsa Família, que "foi esquecido por ele por quatro anos". Em resposta, Lula disse que quem tem que pedir desculpas ao Brasil é a elite brasileira.

Lula protesta após ser chamado de ‘nove dedos’, relembra acidente e Flávio se desculpa: ‘Não quis ofender’:

Abandono de Michelle Bolsonaro

Antes do período de campanha eleitoral ter início oficialmente, a família Bolsonaro teve uma briga protagonizada por Michelle Bolsonaro (PL) e Flávio Bolsonaro exposta, o que intensificou um racha interno. Por mais que ambos tenham se reconciliado publicamente, Michelle Bolsonaro não atuou na linha de frente pela campanha do enteado.

O desgaste entre eles escalou após a ex-primeira-dama publicar, no fim de junho, um vídeo em que ataca o enteado. Ela disse ter sido desrespeitada e maltratada, e se posicionou contra estratégias políticas envolvendo alianças do PL.  O cabo de guerra entre os dois foi marcado por vai e vens, contando até com a leitura de uma carta escrita por Jair Bolsonaro na prisão domiciliar, onde ele pediu união.

No primeiro turno, Michelle foi eleita senadora pelo Distrito Federal. Por mais que tenha mantido compromissos em apoio à candidatura de Flávio, no segundo turno ela não participou de nenhum evento de campanha ao lado do enteado. Além disso, também não o acompanhou em viagens de campanha, priorizando acompanhar a Celina Leão (PP), candidata apoiada pelo PL ao governo do DF.

Michelle Bolsonaro em vídeo onde falou sobre a briga interna
Michelle Bolsonaro em vídeo onde falou sobre a briga interna
Foto: Reprodução/Instagram
Fonte: Portal Terra
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