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Bolsonarismo avança e empurra o Brasil para um novo, e perigoso, ciclo histórico

Eleição de Sérgio Moro para o governo do Paraná, em primeiro turno, é uma síntese do que aconteceu neste domingo: os vitoriosos de 2018 tinham sido derrotados e voltam a ser vitoriosos

5 out 2026 - 00h16
(atualizado às 00h29)
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Resumo
O primeiro turno de 2026 marcou a ascensão do bolsonarismo e o declínio da esquerda. Flávio Bolsonaro superou Lula, que perdeu o favoritismo em meio ao desgaste do governo e a polêmicas no STF. Impulsionado pela expressiva bancada conquistada no Senado pelo PL e por vitórias como a de Sergio Moro, o movimento ganha força para o segundo turno. O cenário aponta para um novo ciclo de instabilidade política, com riscos de retrocessos institucionais e um Executivo fragilizado diante do Congresso.

O Brasil vive o fim de uma era e entra num novo ciclo histórico, com a derrota do PT e da esquerda e a vitória, não da direita tradicional, mas do bolsonarismo e tudo o que ele representa. O que se viu neste domingo, 4 de outubro de 2026, foi um tsunami bolsonarista que faz estragos em avanços duramente conquistados e joga o País numa incógnita.

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Os "aliados" do presidente Lula no Supremo Tribunal Federal contribuíram decisivamente para o susto de Lula e o sucesso de Flávio. Começa com Dias Toffoli e Alexandre de Moraes metidos na lama do Master e desaba nas decisões heterodoxas de Flávio Dino e Gilmar Mendes a favor de Lula. Quantos eleitores se rebelaram contra isso?

O presidente Lula perdeu em várias frentes. A principal delas é a reversão de expectativas, já que ele atravessou toda a campanha como favorito, perdeu fôlego na reta final e chegou atrás de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Foram só dois pontos percentuais, mas suficientes para o clima de "derrota".

Flávio Bolsonaro durante campanha em Santa Barbara D´Oeste
Flávio Bolsonaro durante campanha em Santa Barbara D´Oeste
Foto: Alexandre Meneghini / Reuters

Eleição, como a própria política, não é racional, mas emocional, e Lula entra na disputa do segundo turno com a equipe sem energia e o eleitorado acreditando que Flávio vai ganhar, porque pegou ritmo, está embalado para a votação final e será um presidente mais forte do que ele.

Além do desempenho de Flávio, o bolsonarismo acumulou vitórias para lá de importantes. A principal foi o PL entrar em 2027 com 28 cadeiras no Senado Federal, contra só nove do PT, o que, por exemplo, pode fazer o Centrão dar meia volta, volver, saindo de Lula para ele.

Os erros, a falta de rumo e o cheiro de naftalina do governo aprofundaram um processo que vem de longe: o desgaste do PT, que sempre asfixiou o resto da esquerda e vai com ela para o fundo do poço. Basta ver a derrota, para o Senado, de Gleisi Hoffmann, Manuela Dávila, Benedita da Silva, Marina Silva, Simone Tebet, Leila do Vôlei e Érika Kokay. Sem prefeituras, sem bancadas no Congresso, só resta o Nordeste para a esquerda.

Aconteça o que acontecer no segundo turno, há questões muito graves a serem analisadas e compreendidas. Uma delas é como Flávio Bolsonaro passou ileso de todas as acusações pesadas contra ele, relação com milícia, enriquecimento graças a rachadinhas, negociação de dezenas de imóveis, jogar os EUA contra o Brasil...

Já imaginaram se Lula ligasse para quem quer que fosse, principalmente para Daniel Vorcaro, pedindo RS$134 milhões? Possivelmente, teria até de renunciar à candidatura à Presidência. Com Flávio, nem fez cosquinha. Como todos os erros evidentes do governo do pai, Jair Bolsonaro, também não fizeram.

A outra reflexão é sobre o que vem por aí. Com Lula, crise incontrolável com o Legislativo e convivência tóxica com um Judiciário em pé de guerra. Com Flávio, Jair Bolsonaro e golpistas soltos, com ódio e vingativos, retrocessos evidentes na área de costumes, desmantelamento do Itamaraty e portas escancaradas para Donald Trump pintar e bordar.

A eleição de Sérgio Moro para o governo do Paraná, em primeiro turno, é uma síntese, diz tudo que aconteceu neste domingo: os vitoriosos de 2018 tinham sido derrotados e voltam a ser vitoriosos.

Estadão
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