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Bastidores: 'soneca' de Kassab e ação de aluna de Cury para contornar revolta marcam 1º debate presidencial

Tradicional encontro da Band aconteceu neste domingo, 23, sem Lula, Flávio e Zema

23 ago 2026 - 23h09
(atualizado às 23h18)
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Visão do estúdio da Band do debate com os candidatos a presidência da República
Visão do estúdio da Band do debate com os candidatos a presidência da República
Foto: Beatriz Araujo/Terra

As ausências de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro debate com candidatos à Presidência da República neste domingo, 23, movimentaram os bastidores da Band. Renan Santos (Missão) chegou com fraldas com o nome dos dois, Augusto Cury (Avante) causou tumulto nas portas da emissora, e Ronaldo Caiado (PSD) classifcou as faltas como ausência à democracia. Romeu Zema (Novo), que declinou do convite nesta manhã, teve a ausência minimizada.

  • Momento da Decisão vai colocar frente a frente os principais candidatos à Presidência no dia 14 de setembro, às 22h, em debate promovido pelo Terra e outros 10 veículos

Sem Lula e Flávio, o debate foi tão insosso que até Gilberto Kassab (PSD), vice de Ronaldo Caiado, foi visto com olhos fechados em alguns momentos dentro do estúdio e gerou dúvida se tinha cochilado entre uma fala e outra. 

Cochilou? Postura de Kassab durante debate da Band levanta dúvida:

Dentro do estúdio, o público estava atento e reagindo a comentários polêmicos de Renan Santos e a frases floreadas de Cury. A equipe de Renan Santos bateu palmas, filmou cortes, fez mímicas para o candidato e celebrou depois que ele colocou um papel "ladrão" na frente do púlpito de Lula. Integrantes do Missão avaliaram que foi "11/10", confiantes de que Renan foi o destaque da noite e revelaram que Flávio será o alvo nos próximos debates.

Renan criticou Lula e chamou o petista de ladrão
Renan criticou Lula e chamou o petista de ladrão
Foto: Arquivo Pessoal

No encontro deste domingo, o foco de Renan foi em Lula. Ao final do encontro, ele improvisou um papel com o escrito ladrão e uma estrela vermelha e colocou em frente ao púlpito que seria do petista.

Revolta de Cury com Lula

Veja o que disse Augusto Cury antes de voltar atrás em decisão de desistir de debate na Band:

Lula, candidato à reeleição, aparece como favorito nas pesquisas de intenção de votos para o pleito de outubro, e preferiu não comparecer para evitar que fosse alvo dos adversário. Ele argumentou que não haveria igualdade de condições para se defender --que são todos mais simpatizantes da direita. A questão foi que, pouco antes do debate, foi anunciado que uma entrevista do petista seria transmitida na Record no programa Domingo Espetacular, às 20h30, no mesmo horário do debate da Band.

A decisão revoltou Augusto Cury, que repensou a sua participação no debate e acabou sendo pivô de um grande tumulto. Após as chegadas de Renan Santos e Caiado, a equipe do professor avisou a imprensa que ele não participaria mais do evento e que falaria no portão da emissora. Faltava 1 hora para começar o debate.

Lula diz que políticos foram ‘piorando’ e que tem ‘saudades’ de disputar eleições com o PSDB:

A partir disso, seguiu um vai e vem. Nos holofotes das luzes das câmeras, Cury disse que só entraria no debate se Lula e Flávio participassem: "Isso não é democracia". Em tom de revolta, citou a entrevista de Lula que seria transmitida no mesmo horário, faltou em falta de coragem, polarização e disse que estava fazendo um ato de protesto pela irresponsabilidade dos adversários --e que por isso não estaria aos outros candidatos que optaram por não participarem da noite.

"Eu não estou em cima do muro. Eu estou destruindo o muro pra construir pontes", declarou ao criticar a ditadura da esquerda e da direita. Rodeado pela imprensa, ele repensou seu protesto e seguiu na direção da Band. Faltando 20 minutos para o início do debate, ele entrou na sede da emissora.

Após mudar de posição, Cury justificou a decisão como uma ação "pelo jornalismo". No caminho até a porta do estúdio, em meio ao caos, ele chegou até a entrar ao vivo em live de Pablo Marçal, que foi proibido pela Justiça Eleitoral de participar de debates. O candidato do Avante mandou um abraço para rival, que apesar do registro da candidatura está inelegível, disse que o país esta doente e "vivendo um teatro". Depois disso, participou do debate. Em sua apresentação inicial, no lounge de fora com imprensa e convidados, risadas ecoaram por conta do "show" dos bastidores.

Ao Terra, aliados confirmaram que não se tratou de um plano, mas de uma resposta a ausência de Zema de última hora e a entrevista de Lula --as situações causaram uma chateação. Cury e sua equipe chegaram a entrar no carro para ir embora, e o que teria feito o candidato mudar de ideia realmente foi uma pessoa da equipe da Band, que é sua aluna, que o "emocionou" e o fez repensar.

Fraldas de Renan Santos

Renan Santos leva fraldas com nomes de Lula e Flávio Bolsonaro para debate na Band: ‘Dois medrosos’:

Renan Santos foi o primeiro a chegar no debate e entrou no setor da imprensa com duas fraldas nas mãos: uma com o nome Lula escrito, e outra Flávio. "Dois fracassados, dois medrosos", disse Renan, levantando as fraldas. Sem apresentar provas, ele chamou os dois de criminosos e disse que eles não irão se defender. Zema, que também não foi ao debate, ficou de lado na provocação: "Nem lembrava que ele vinha no debate".

Quem acompanhou Renan Santos ao longo do debate foi o deputado federal Kim Kataguiri (Missão). Questionado sobre a postura de Renan de "causar", e uma possibilidade de semelhança à figura polêmica de Marçal, Kim afirmou que "o Renan não é o novo Marçal".

"Primeiro, porque ele é alfabetizado, segundo, porque ele é honesto. E o terceiro ponto: é o único que tem um programa robusto de propostas, que trouxe o que tem de melhor no mundo. Existem diferenças gigantescas entre os dois. E o Renan, diferente do Pablo, não é o picareta que está disputando para vender curso”, declarou Kim.

O PRTB protocolou o pedido de registro da candidatura do empresário à Presidência da República no último dia 15, no último dia do prazo, após uma decisão da Justiça Eleitoral que autorizou sua filiação ao partido. O TSE ainda vai definir o futuro da candidatura de Marçal que, a princípio, segue inelegível até 2032.

Zema falta e se preserva pra Globo

O candidato do Novo resolveu não ir ao debate neste domingo. Em nota, sua equipe afirmou que a mudança de data do debate de 16 de agosto para o dia 23 havia sido considerada sob a premissa e a expectativa de que o candidato Lula fosse participar, garantindo a pluralidade do encontro. "Diante da ausência de Lula e de outros concorrentes, a alteração de data perdeu o seu propósito inicial."

A escolha acontece na véspera da entrevista de Zema no Jornal Nacional, que será nesta segunda-feira, 24, abrindo uma série de entrevistas feitas com os candidatos por Renata Vasconcellos e César Tralli, na Globo. Em ordem sorteada, depois serão convidados Ronaldo Caiado participa na terça-feira (25), Renan Santos na quarta-feira (26), Lula na quinta-feira (27), Flávio Bolsonaro na sexta-feira (28) e Augusto Cury no sábado (29), encerrando.

A falta de Zema foi assunto nos bastidores das equipes dos outros candidatos. Não entenderam o que aconteceu e chegaram a se perguntar se ele estaria desistindo da campanha. "Parece que nem ele acredita nele", comentaram.

Fonte: Portal Terra
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