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Unesp afasta 2 professores após denúncias de violência sexual feitas por alunas em campus de SP

Ex-aluna relatou estupro, ameaças e omissão da instituição; docentes ficarão fora da universidade incialmente por 30 dias

7 mai 2026 - 16h35
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A Universidade Estadual Paulista (Unesp) afastou dois professores do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT), em São José dos Campos, no interior de São Paulo, após denúncias de assédio e violência relatadas por estudantes da instituição.

Segundo nota divulgada pela universidade, os docentes ficarão inicialmente 30 dias afastados das atividades, período que poderá ser prorrogado conforme o andamento das apurações.

De acordo com a Unesp, as providências foram adotadas após a formalização das denúncias na Ouvidoria da universidade. A instituição afirmou que instaurou procedimentos para apuração dos fatos "em conformidade com as normas institucionais e os princípios que regem a Administração Pública".

Unesp.
Unesp.
Foto: Daniel Teixeira/Estadão / Estadão

"Reiteramos, de forma enfática, nosso firme repúdio a qualquer forma de assédio e violência e reafirmamos o compromisso com a promoção de um espaço acadêmico seguro, respeitoso e acolhedor. E solidarizamo-nos com todas as pessoas que possam ter vivenciado situações de desrespeito e abuso", afirmou a universidade em nota.

Aluna desistiu do curso após violência sexual

As denúncias ganharam repercussão após o relato público de uma ex-aluna, que afirmou ter sido estuprada por um professor durante o primeiro ano da graduação.

"Eu entrei na faculdade no curso que eu sempre sonhei e lutei tanto pra conquistar. No meu primeiro ano, esse sonho foi interrompido de forma violenta: eu fui estuprada por um professor", escreveu.

No relato, a estudante afirma que desenvolveu transtornos psicológicos e sintomas físicos após a violência. Segundo ela, houve ainda ameaças e episódios posteriores de violência quando tentou retornar à universidade.

"Chegou um ponto em que eu simplesmente não conseguia mais entrar na faculdade sem entrar em crise", afirmou. "Eu não consegui continuar. Abri mão de tudo: do curso que eu amava, da minha trajetória, de oportunidades que eram meu sonho."

A ex-aluna contou ainda que não conseguiu denunciar formalmente na época por medo. "Não tive forças na época em que havia provas. Eu estava em choque, com medo, tentando apenas sobreviver. Hoje, restaria apenas a minha palavra contra a de um professor conceituado", relatou.

A estudante também afirmou que procurou a instituição após contar o caso à família, mas disse que não recebeu acolhimento. "Procuramos a instituição. A resposta foi negligência. Disseram que 'nunca houve nada parecido'", escreveu. Segundo o relato, a sensação de omissão por parte da universidade contribuiu para que ela abandonasse o curso.

A defesa da aluna informou que "todas as medidas jurídicas urgentes e necessárias já foram formalizadas perante as autoridades competentes" e afirmou buscar "a responsabilização exemplar do acusado". Os advogados também declararam que o relato da estudante expôs "a fragilidade institucional e o sentimento de impotência que aflige tantas outras alunas diante de seus algozes".

"Eu não volto mais para essa instituição. Mas também não aceito que o sonho de outras pessoas seja destruído como o meu foi", concluiu a ex-aluna.

Terceiro caso em universidade pública

É ao menos o terceiro caso de abuso em universidades públicas com desdobramentos neste ano.

Em março, a USP oficializou a demissão do professor José Mauricio Rosolen que integrava o Departamento de Química da instituição após denúncias de assédio sexual e moral contra 16 alunas. Os casos teriam ocorrido no campus de Ribeirão Preto, no interior paulista. A defesa dele não foi localizada.

Em fevereiro, a Faculdade de Direito da USP oficializou a demissão do professor Alysson Leandro Barbate Mascaro, acusado de assediar dez alunos entre 2006 e 2024. À época da denúncia, Mascaro já tinha negado as acusações.

Estadão
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