No Dia do Professor, educadora celebra fim de etapa de tratamento de câncer de mama e sonha com o retorno à educação: 'Eu sobrevivi'
Aos 47 anos, a alagoana Anne Kelly Martins foi diagnosticada com câncer de mama e está em tratamento
Durante quase três décadas, a professora Anne Kelly Ferreira Martins, de 47 anos, dedicou grande parte da sua vida à educação, com a formação de alunos em diferentes etapas de ensino e com a orientação de outros educadores. Nos últimos meses, no entanto, uma pausa que era impossível de prever em um calendário pedagógico alterou a sua rotina e impôs uma lição desafiadora na sua própria trajetória: a de enfrentar um câncer de mama.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
Moradora de Maceió, em Alagoas, Anne foi diagnosticada com a doença no início deste ano. "Todo ano, eu fazia os exames de rotina. Mas, com a rotina de trabalho, praticamente em três horários, a gente se negligencia, a gente deixa de fazer no período certo. Eu fiz só depois de um ano e oito meses. Em dezembro de 2025, no exame de mamografia, a técnica detectou algo estranho", recorda a professora ao Terra.
Com o resultado da biópsia em mãos e depois de passar por outros exames nos meses seguintes, ela recebeu a confirmação do câncer de mama triplo-negativo. "O primeiro momento foi de choque, o segundo momento e os demais de aceitação e de enfrentamento, e que se torne de coragem para outras pessoas", afirma Anne.
Fase de tratamento e o apoio familiar
Os últimos meses foram voltados totalmente ao tratamento. A alagoana passou por 12 sessões de quimioterapia, quatro de imunoterapia e, depois, fez uma cirurgia de quadrantectomia – quando retira apenas o quadrante afetado, e não remove toda a mama – e de clipagem de tumor de mama – um procedimento que consiste na inserção de um pequeno clipe metálico no interior da lesão ou do nódulo mamário. Atualmente, ela aguarda o resultado da biópsia realizada na cirurgia para começar a etapa de radioterapia.
"Em cada sessão [de quimioterapia], a gente vê o sucesso da Medicina, a gente reforça a nossa fé, a gente tira aquele estereótipo de que a quimioterapia mata, que vai debilitar", destaca a professora. "Eu entendi cada gota daquela que eu tomava como um milagre de Deus, era uma força, era uma esperança", acrescenta.
Em agosto, quando Anne passou pela última quimioterapia na Oncologia da Unimed Maceió, familiares, amigos e funcionários prepararam uma emocionante homenagem durante a cerimônia de tocar o Sino da Vida, que representa superação e esperança de novos recomeços e é tocado pelos pacientes em clínicas e hospitais de oncologia após o fim de uma etapa importante de tratamento.
"O final tinha que ter o sino porque eu sobrevivi, eu sou uma sobrevivente. Para mim, significou a vitória. Não só a minha vitória, mas de todos aqueles que me acompanharam a cada dia, que perguntavam como eu estava", diz Anne. Ela também cita a importância do apoio da família para atravessar esse momento:
"A rede de apoio é muito importante. A gente vê que os índices de morte, de depressão no câncer, principalmente é com o abandono familiar. Eu contei muito com o apoio do meu esposo, das minhas filhas, da minha família em geral. E os meus companheiros mais de perto do trabalho, que não me deixaram desmoronar em nenhum momento".
Aprendizados no processo
Para cuidar da saúde, durante todo esse período, a professora está afastada do trabalho. Há 28 anos na área de educação, ela já deu aulas para os ensinos fundamental e médio, foi coordenadora pedagógica, fazia parte do Programa Vem que dá Tempo (AL), foi Gerente Especial de Educação da 1ª Região, de Alagoas, e, hoje, coordena uma Comissão Permanente de Inquérito da Secretaria de Educação do Estado de Alagoas. A previsão do retorno dela é em janeiro de 2027. Segundo Anne, a parte mais difícil do tratamento foi ter que lidar com o isolamento.
"O que mais dói é adoecer, é quase morrer, principalmente para quem tem uma vida muito ativa como a minha, então é o isolamento, o isolamento social causado por mim mesma, até aceitar a questão, mas, de outro lado, você tem que se garantir na questão da imunidade, de não ter contato com o outro. O que mais doeu e eu sinto é esse isolamento necessário em partes", detalha a educadora.
A alagoana conta que os últimos meses foram de muito aprendizado. Entre eles, o de entender como encarar a doença, o de ajudar outras pessoas que estão passando pelo mesmo processo e também o de aprender a lidar com o tempo. "A minha vida sempre foi muito corrida. Um desafio é esse, a gente que tem a vida programada, a gente parar para respirar e pensar na gente."
Importância do autocuidado
Anne ainda ressalta sobre a importância do Outubro Rosa, uma campanha mundial realizada anualmente durante o mês de outubro para conscientizar sobre a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento do câncer de mama e do câncer de colo do útero.
"O Outubro Rosa reforça a necessidade do autocuidado. Muita gente pode dizer: 'mas o câncer é o ano inteiro'. Mas precisa ter um mês de representatividade, é um mês em que a saúde acorda, as instituições públicas e privadas têm um olhar muito especial. É fundamental, porque é uma divulgação massiva desse cuidado. É uma data onde o outro pode ouvir ou contar a sua história, onde podemos ver a superação", afirma.
Vinda de uma família de professores, nesta quinta-feira, 15, ela também celebra o Dia do Professor. A educadora destaca a vontade de voltar a fazer o que tanto ama: "Eu peço, eu rogo a Deus que eu consiga voltar o mais breve para aquilo que eu mais gosto de fazer. Independente da esfera que eu esteja, eu sou professora, eu sou formadora, e é um ambiente em que eu me identifico. A gente tem que comemorar, mas não esquecer que a gente tem que lutar pelos nossos direitos".
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.