Inadimplência no ensino superior de SP cresce mais de 70% em abril

Pesquisa de sindicato mostra efeitos do novo coronavírus nas universidades privadas

17 abr 2020
11h35
atualizado às 13h38
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A inadimplência nas escolas de ensino superior no Estado de São Paulo cresceu 71,1% na primeira quinzena deste mês, em relação ao mesmo período do ano passado. O dado é de uma pesquisa do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp), feita com cerca de 200 instituições de ensino.

"Isso tem preocupado muito as instituições de ensino", diz Rodrigo Capelato, diretor do Semesp. Ele acredita que a primeira onda de inadimplência se deve ao problema de restrição de renda, já que a equipe econômica demorou em agir para compensar os efeitos do isolamento social e da paralisação na economia em razão do novo coronavírus.

Capelato frisa que esse aumento da inadimplência se refere aos alunos que deixaram de pagar a mensalidade do mês de abril, e não se trata do atraso superior a 90 dias. O diretor ressalta que esse é um "primeiro cheiro" da situação do calote nas escolas e acredita que o quadro ficará mais claro no próximo mês.

A percepção é de que neste primeiro momento houve uma "parada" nos pagamentos porque muitos alunos estão esperando para ver se terão descontos e se haverá alteração no valor das mensalidades. "Talvez o aluno esteja esperando para ver o que vai acontecer."

O diretor do Semesp diz que o "ideal " seria trabalhar com crédito educativo para atenuar o problema da disparada da inadimplência. Ele ressalta, porém, que está vendo algumas escolas darem descontos, inclusive horizontais, isto é, aquele é igual para todos os alunos. "Acho que é uma decisão complicada", afirma.

Ele pondera que, diante desse cenário, muitas instituições não terão caixa para bancar desconto linear para todos os alunos e recomenda que negociem o valor do abatimento caso a caso. "Se for dado um desconto horizontal de 30% para todos, como ficará aquele aluno que não pode pagar mesmo com esse desconto", questiona. Por outro lado, ele ressalta que não faz sentido famílias que não tiveram a renda afetada por causa da crise que se beneficiem do abatimento.

Outra recomendação dada pelo executivo, em "live" da qual participaram escolas e profissionais do setor, é ter cuidado nas negociações de redução de salários e jornada de trabalho dos funcionários. "Professores contam para os alunos e esse pode ser um argumento usado para o estudante pedir desconto."

Evasão

Pesquisa do Semesp constatou que a evasão dos alunos cresceu 11,5% na primeira quinzena deste mês em relação a igual período de 2019. "A variação não foi catastrófica no momento, deve crescer neste ano, mas não de forma explosiva", diz Capelato. Ele acredita que as instituições de ensino vão dar um jeito para segurar os alunos.

A taxa de evasão encerrou o ano passado em 31% e, num cenário realista, a perspectiva é de que termine 2020 em 33,1%. Quanto à inadimplência das mensalidades atrasadas acima de 90 dias, também levando em conta um cenário realista que, segundo o Semesp, considera dados econômicos apurados pelo IBGE, a taxa média deve subir para 10,6% em 2020, ante 9,5% no ano passado.

Apesar de tentar fazer projeções, Capelato diz que ainda é difícil traçar um cenário de quando a situação voltará à normalidade nas escolas. "O governador (do Estado de São Paulo) João Doria acabou de prorrogar o isolamento", lembra. Ele acredita que antes de junho será difícil retomar às aulas presenciais. De toda forma, o legado que fica dessa crise é a rápida transformação do professor analógico para digital e a necessidade de desburocratizar os processos.

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