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Greve na USP: funcionários decidem continuar paralisação e incluir pautas dos estudantes

Servidores cruzaram os braços no dia 14 após a criação de bônus para professores e avaliaram nesta quarta a contraproposta da reitoria da universidade

22 abr 2026 - 14h16
(atualizado às 19h20)
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Os servidores da Universidade de São Paulo (USP) decidiram, em assembleia realizada nesta quarta-feira, 22, pela continuidade da greve que já dura nove dias. Uma reunião com a reitoria da universidade será realizada ainda nesta quarta.

A greve foi iniciada na terça-feira, 14. Os funcionários reagiram contra um acréscimo de R$ 4.500 no salário mensal de docentes que assumirem projetos considerados estratégicos, como a oferta de disciplinas em inglês e ações de extensão. É a Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (Grace).

Na visão dos servidores, a gratificação exclusiva aos professores fere a isonomia. Eles propõem que o mesmo valor total destinado aos docentes seja dividido entre funcionários, o que resultaria em um reajuste salarial de até R$ 1,6 mil.

A USP decidiu acatar o pleito dos trabalhadores para encerrar a greve e membros do Sindicato dos Trabalhadores da instituição (Sintusp) participaram de uma reunião nesta quarta-feira, 22, para avaliar a contraproposta da reitoria.

Na assembleia, no entanto, os funcionários decidiram que a negociação com a reitoria precisa incluir, obrigatoriamente, as exigências do movimento estudantil.

Os estudantes querem melhores condições de permanência, com aumento no valor das bolsas, e cobram melhorias na qualidade dos serviços dos restaurantes universitários.

Pelo menos 15 faculdades e institutos da USP, da capital paulista e no interior, participam da paralisação. O movimento tem apoio do Diretório Central dos Estudantes (DCE).

A Reitoria da USP informou que está previsto investimento de cerca de R$ 461 milhões ao Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), que beneficia quase 16 mil alunos.

Também afirmou que a qualidade dos restaurantes universitários é analisada por nutricionistas e administrativamente. A universidade disse que houve alerta e advertências às empresas responsáveis.

A reitoria afirmou ainda que realizou reunião com representantes das entidades estudantis e que propôs a criação de grupos de trabalho para tratar das demandas dos alunos.

Gratificação por atividades complementares

Só professores que trabalham em tempo integral na USP — mais de 80% do total — podem pleitear o benefício da Grace.

O salário inicial de um professor doutor em dedicação exclusiva na universidade é de R$ 16,3 mil. O adicional representaria 27% desse total.

A USP tem mais de 5,3 mil professores e aproximadamente 12,6 mil funcionários técnico administrativos, segundo dados de 2024 divulgados pela própria universidade.

Estadão
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