Script = https://s1.trrsf.com/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Oferecimento Logo do patrocinador
Publicidade

‘Escrever Heartstopper hoje seria mais difícil por causa do algoritmo’, diz autora da série

Em entrevista ao Terra, Alice Oseman fala sobre sucesso da HQ, participação na adaptação da obra às telas, e o carinho pelos fãs do Brasil

11 out 2026 - 04h57
Compartilhar
Exibir comentários
Alice Oseman conversou com exclusividade com o Terra
Alice Oseman conversou com exclusividade com o Terra
Foto: Alex Braga/Terra

Criadora de Heartstopper, fenômeno que nasceu nos quadrinhos (HQs) e ganhou uma adaptação de sucesso para as telas, Alice Oseman, de 30 anos, acompanhou de perto a transformação de sua história em um fenômeno internacional. “[a repercussão da obra foi] Muito além dos meus sonhos mais loucos”, diz.

Em entrevista exclusiva ao Terra, a escritora fala sobre o sucesso da HQ, sua participação na adaptação para o streaming, a relação próxima com os fãs brasileiros e revela que, se fosse criar Heartstopper hoje, encontraria um desafio que não existia da mesma forma quando começou: os algoritmos das redes sociais.

Para Oseman, o ambiente digital atual poderia tornar mais difícil fazer uma história como a de Charlie e Nick chegar ao público e encontrar sua própria comunidade. “Fico feliz por ter feito isso naquela época, em vez de fazer agora", afirma.

Desde que surgiu como um projeto independente da autora na rede social Tumblr, em 2016, a história de amor dos adolescentes secundaristas Nick e Charlie rendeu seis volumes de uma das HQs mais vendidas de todos os tempos, três temporadas de uma série e um longa-metragem pela Netflix.

Heartstopper se tornou um símbolo da nova forma como relacionamentos LGBTQIAPN+ são representados na cultura pop. Charlie Spring é um adolescente que sofre preconceito na escola por se declarar gay. Ele se apaixona por Nick Nelson, um popular jogador de rúgbi popular e, ao que tudo indica, é heterossexual.

Diante de um amor que parece impossível, a amizade evolui para uma jornada de autodescoberta e Nick se descobre bissexual. Enquanto amadurecem ao longo da narrativa, a dupla enfrenta o julgamento alheio e outros desafios próprios da adolescência.

No início de setembro, Oseman esteve em São Paulo, para participar de um painel na Bienal do Livro paulistana. Logo depois, na capital fluminense, ela esteve na “Estação Bienal”, encontro promovido pela versão carioca da feira de livros que proporciona encontro entre leitores e escritores de maneira itinerante. Antes do encontro com os fãs da cidade maravilhosa, a escritora conversou com a reportagem. Veja abaixo os principais trechos da entrevista.

Como é perceber que seu trabalho ultrapassou fronteiras e faz muito sucesso no Brasil?

É realmente incrível, e muito além dos meus sonhos mais loucos! Heartstopper começou tão pequeno, era apenas um pequeno projeto paralelo que fazia no meu tempo livre e nunca imaginei que alcançaria tantas pessoas ao redor do mundo. Então, isso tudo é muito especial.

E você já tinha vindo ao Brasil antes?

Uma única vez, vim à bienal do livro de Brasília, há muitos anos, antes mesmo de Heartstopper existir, para promover meu primeiro livro, Solitaire. Contudo, nunca estive em São Paulo e no Rio de Janeiro. Fiquei animada por conhecer um pouco mais do Brasil desta vez.

Como foi sua experiência na Bienal de São Paulo? Como foi acolhida dos fãs?

Foi incrível. O evento é enorme, e os leitores são muito apaixonados e animados. Todos os leitores que conheci foram muito gentis e adoráveis.

Qual foi a inspiração por trás da criação de Heartstopper?

A inspiração veio do primeiro livro que escrevi, Solitaire, que é sobre Tori Spring, a irmã mais velha de Charlie. Nesse livro, Nick e Charlie são personagens secundários. Contudo, quando terminei de escrever o livro, sabia que queria contar a história dos dois e também já fazia um tempo que queria fazer uma WebComic. Daí pensei: "Bem, esta é a oportunidade perfeita para fazer isso."

Você enfrentou alguma barreira por ser uma mulher escrevendo sobre relacionamentos entre dois homens e com muitos personagens LGBTQIAPN+? Como foi essa experiência para você?

Acho que tive muita sorte por sempre trabalhar com pessoas que apoiam muito o que Heartstopper representa e que querem também a valorização dessa obra. Por isso, me deixaram ter total controle sobre a história.

Minha equipe e minha editora no Reino Unido entenderam que se trata de uma WebComic e ficaram felizes em me permitir mantê-la online, compreendendo a importância disso para mim e os leitores.

Ocorreu da mesma maneira com a série de streaming, todos com quem trabalhei entenderam completamente, me apoiaram muito e ficaram felizes em me deixar participar ativamente. Então, tem sido ótimo.

Você começou a publicar Heartstopper no Tumblr. De lá para cá, as redes sociais mudaram muito, por causa da atuação dos algoritmos. Publicar online hoje é diferente de antes?

Acho que mudou muito. As redes sociais mudaram drasticamente. O algoritmo é algo com que nunca precisei lidar, porque não existia muito disso quando comecei a postar Heartstopper. Imagino, então, que seja muito mais difícil criar um público online agora, porque parece ser mais difícil criar uma comunidade e fazer com que as mesmas pessoas voltem para ver o que você está produzindo. Então, sim, parece muito diferente, e fico feliz por ter feito isso naquela época em vez de fazer agora.

Todas as suas obras, de alguma maneira, se interconectam, seja por meio de referências, personagens ou temas. Ao escrever uma nova história, você pensa nesse universo como um todo ou essas conexões surgem naturalmente?

Acho que surgem naturalmente. Todos os meus livros até agora se passam no mundo real. Então, foi muito natural e fácil criar essas pequenas conexões entre eles. E muitas das coisas sobre as quais escrevo estão presentes em todos os meus livros, como amizade e família, que são temas que sempre me interessam. Então, sim, acho que isso continuaria se o meu próximo livro tratar do cotidiano da maioria das pessoas.

Heartstopper criou uma grande comunidade online. Como você lida com as pressões que os fãs fazem sobre a condução das histórias?

Sim, definitivamente me causou um pouco de ansiedade ao longo dos anos, principalmente depois que Heartstopper explodiu após ser lançado em série no streaming.

Eu me preocupava muito com o que os leitores pensariam da história e queria que as pessoas que a lessem se divertissem e gostassem do rumo que a história estava tomando. Mas chega um ponto em que, quando o público é tão grande, você simplesmente não consegue agradar a todos. Sempre haverá algumas pessoas que não gostam do que você está fazendo.

Então, ao longo dos anos, tive que aprender a voltar minha visão para a história e me concentrar no que eu quero que a história seja, sem me preocupar muito com a reação do público.

Como foi participar do processo de adaptação da HQ para o audiovisual?

Foi muito emocionante. Fiquei muito feliz por ter podido participar tanto, porque eu não conseguiria simplesmente entregar a história e deixar outra pessoa fazer. Acho que não ficaria satisfeita com isso. Então, fiquei muito feliz em participar e poder garantir que a história fosse uma adaptação fiel, e gostei muito de todo o elenco escolhido.

Quais são seus próximos projetos? Pode nos dar uma pequena prévia?

Bem, não tenho nada em andamento no momento. A primeira coisa que vou fazer é tirar um tempo para descansar. Um longo período de descanso, longe de projetos e prazos, para que meu cérebro volte a funcionar e depois veremos. Estou animado para fazer mais quadrinhos, escrever mais livros e talvez trabalhar mais com cinema e televisão.

Algum dos seus outros trabalhos será adaptado para o cinema?

Talvez um dia. Nada está em produção no momento, mas, quem sabe? Seria bem interessante. 

Fonte: Portal Terra
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra