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Redação do Enem 2026: 4 dicas para fugir das fórmulas prontas e melhorar a argumentação

Cartilha do Inep chama a atenção para o uso de citações decoradas e referências que não contribuem para a discussão do tema

4 nov 2026 - 15h01
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Resumo
A cartilha do Enem 2026 alerta contra o uso de fórmulas prontas e citações genéricas desvinculadas do tema, o chamado "repertório de bolso". Para alcançar nota máxima no texto dissertativo-argumentativo, os candidatos devem priorizar a interpretação do problema central, desenvolver argumentos próprios e apresentar soluções completas e viáveis que respeitem os direitos humanos. Especialistas recomendam a prática constante e a leitura crítica para aprimorar a escrita antes da prova, em 8 de novembro.

Para conquistar uma nota alta na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), não basta dominar a gramática e a estrutura do texto. É preciso construir uma argumentação sólida e conectar as referências ao tema proposto. A cartilha de redação do Enem 2026, divulgada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), alerta para o chamado "repertório de bolso": citações, conceitos e referências memorizadas que são usados de forma genérica, sem contribuir efetivamente para a discussão.

Construir uma argumentação sólida e usar repertório de forma produtiva é essencial na redação do Enem
Construir uma argumentação sólida e usar repertório de forma produtiva é essencial na redação do Enem
Foto: Asier Romero | Shutterstock / Portal EdiCase

A estrutura da redação permanece a mesma. Os participantes deverão produzir um texto dissertativo-argumentativo de até 30 linhas, defendendo um ponto de vista sobre o assunto apresentado. A avaliação continua baseada em cinco competências, que, juntas, podem somar até 1.000 pontos. Para Renata Bordallo, coordenadora pedagógica do Colégio Marista São José - Tijuca, a orientação reforça a importância de desenvolver a capacidade de interpretação e argumentação, em vez de depender de modelos prontos.

"O aluno precisa entender que não existe uma citação mágica que funciona para qualquer tema. O repertório só faz sentido quando ajuda a explicar aquilo que ele está defendendo. Mais do que decorar frases, é importante saber ler o tema, compreender o problema apresentado e construir uma relação verdadeira entre a referência e o argumento", explica.

1. Evite citações que não dialogam com o tema

Um dos pontos destacados na cartilha é a necessidade de utilizar referências que contribuam para o desenvolvimento do raciocínio. Na prática, isso significa que mencionar um filósofo, uma obra literária ou um acontecimento histórico não garante, por si só, uma boa argumentação.

O estudante precisa explicar por que aquela referência é pertinente e de que maneira ela ajuda a sustentar o ponto de vista apresentado. A cartilha ainda traz exemplos de redações que alcançaram bom desempenho no Enem 2025, acompanhados de comentários pedagógicos que ajudam a compreender os critérios de avaliação.

2. Construa argumentos próprios

Mais do que apresentar informações e referências, o participante precisa demonstrar que compreendeu a proposta e consegue desenvolver uma linha de raciocínio. Para isso, é importante interpretar o tema, identificar o problema central e organizar as ideias de forma coerente. O repertório sociocultural deve funcionar como um apoio à argumentação, e não como um elemento isolado inserido apenas para demonstrar conhecimento.

Na proposta de intervenção, é preciso indicar quem deve agir, quais medidas adotar e quais resultados alcançar
Na proposta de intervenção, é preciso indicar quem deve agir, quais medidas adotar e quais resultados alcançar
Foto: Gorgev | Shutterstock / Portal EdiCase

3. Apresente uma proposta de intervenção completa

Outro aspecto importante da redação é a proposta de intervenção, que deve apresentar uma solução para o problema discutido ao longo do texto e respeitar os direitos humanos. Não basta apontar que determinada situação precisa mudar. É necessário indicar quem pode agir, quais medidas podem ser adotadas e quais resultados são esperados.

"Uma redação bem construída mostra que o estudante entende o problema e consegue desenvolver uma linha de raciocínio até a conclusão. A proposta de intervenção precisa nascer do que foi discutido ao longo do texto. Por isso, o aluno deve evitar soluções genéricas e pensar em quem pode agir, como essa ação pode acontecer e qual resultado pretende alcançar", afirma Renata Bordallo.

4. Pratique a escrita e revise os próprios textos

Com a proximidade do exame, a recomendação é priorizar atividades que ajudem a desenvolver a escrita e a capacidade de argumentação. Ler textos de diferentes gêneros, acompanhar assuntos atuais e praticar redações são algumas estratégias para ampliar o repertório sociocultural e aprender a relacionar conhecimentos a diferentes propostas.

A revisão dos próprios textos também merece atenção. Identificar dificuldades de interpretação, problemas na organização das ideias e argumentos pouco desenvolvidos permite compreender os erros e aprimorar a escrita. Em vez de memorizar estruturas e citações para tentar encaixá-las em qualquer proposta, o estudante deve investir na compreensão dos temas e na construção de um raciocínio próprio.

A redação do Enem 2026 será aplicada no primeiro dia de provas, em 8 de novembro, junto com as questões de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e Ciências Humanas e suas Tecnologias. O segundo dia de exame está previsto para 15 de novembro.

Por Jéssica Flausino

Portal EdiCase
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