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Perfis nas redes sociais pedem anulação do Enem e marcam protestos em 16 capitais

Nenhuma entidade se colocou à frente da mobilização nem declarou apoio aos protestos; três questões do Enem foram anuladas após divulgação de perguntas similares antes da aplicação do exame. Inep reafirma lisura da prova

19 nov 2025 - 19h48
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Usuários de redes sociais iniciaram uma mobilização pedindo a anulação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025, realizado nos últimos dois domingos, 9 e 16 de novembro. O pedido vem após três questões do segundo dia da prova terem sido anuladas - denúncias indicam que o professor Edcley Teixeira mostrou em suas redes sociais, antes da aplicação do exame, perguntas muito parecidas.

Perfis ligados à mobilização, que tem usado a hashtag #AnulaEnem, marcaram protestos em 16 capitais no próximo sábado, 22, a partir das 13h. Em Brasília o ato foi marcado para um dia diferente, na sexta-feira, 21, às 16h, em frente à sede do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do Ministério da Educação e Cultura responsável pelo Enem.

A hashtag foi usada mais de 90 mil vezes no X (antigo Twitter), mas as páginas que tentam mobilizar os estudantes para os protestos ainda têm números tímidos. No próprio X, tem 2 mil seguidores; no Instagram, são 3,9 mil; e, em um grupo no Telegram, 1.568 inscritos. Nenhuma entidade se colocou à frente da mobilização nem declarou apoio aos protestos.

Procurado pelo Estadão, o Ministério da Educação redirecionou os questionamentos ao Inep. O instituto, por sua vez, apenas indicou uma nota publicada em seu site oficial, na qual reafirma a lisura da prova e diz que as questões apresentadas com antecedência são similares, mas não iguais às do Enem, e que por isso apenas três foram anuladas.

Segundo o texto, "o Enem utiliza a Teoria da Resposta ao Item (TRI) para apuração de seus resultados. A metodologia demanda que os itens sejam pré-testados. Os estudantes que participam de pré-testes têm contato com itens que podem vir a compor o Enem em alguma edição". O Inep afirma ainda que a prova conta com rigorosos protocolos de segurança, que foram seguidos.

O Estadão entrou em contato com o perfil de Instagram que tenta organizar os protestos, que afirmou que não foram apenas três perguntas que seriam similares às do Enem. A dona do perfil se identificou como Letícia Araujo, auxiliar administrativa de 21 anos, do Rio de Janeiro, que quer estudar ciências biológicas.

"Há por volta de 15 questões idênticas, que salvamos em PDF porque já imaginávamos que o professor fosse apagar. Anular as questões prejudica a TRI de quem é inocente. Os alunos do Edcley, que praticamente gabaritaram a prova, só perderiam esses três acertos enquanto manteriam os outros, enquanto as pessoas que estudaram de verdade e acertaram perdem as questões", criticou.

"Esperamos a anulação da prova que foi completamente comprometida. Em concursos públicos, quando acontece algo semelhante, o exame é anulado imediatamente. Por que um exame que define o futuro de milhões de jovens brasileiros tem que ser diferente?", questionou.

Entre outras reivindicações, a estudante pede que o banco de questões utilizado pelo Enem seja reformulado e que as notas de 2023 e 2024, que ainda poderiam ser consideradas pela TRI, sejam retiradas do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), utilizado pelas universidades federais. Ela afirma que espera que pelo menos 300 estudantes compareçam em cada Estado onde foram marcados os protestos.

Entenda

A lisura do Enem passou a ser questionada nas redes após o professor cearense Edcley Teixeira "prever" questões. Teixeira é estudante de Medicina e vende pacotes com monitorias para candidatos do Enem. Em suas postagens nas redes sociais, ele mostra a semelhança entre as perguntas e dá explicações para seu método de estudo para antecipar o conteúdo da prova, no que chama de "engenharia reversa".

Uma das explicações que Teixeira dá em suas postagens é de que ele teria participado de uma avaliação do MEC para calouros de Medicina, chamada Prêmio Capes Talento Universitário. Segundo ele, as questões eram parecidas com o padrão do Enem. Por causa disso, ele teria memorizado algumas perguntas e, com ajuda de outros amigos que também fizeram a prova, montado as questões para seus alunos estudarem.

O Estadão tentou contato com Edcley, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto. O possível vazamento das questões está sendo investigado pela Polícia Federal.

Estadão
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