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Aprovados em faculdades públicas dão dicas para Enem e vestibulares: 'Não adianta ficar sem dormir'

Estadão ouviu os métodos e estratégias dos jovens que tiveram sucessos nas seletivas. Provas para as principais universidades do País começam em novembro

30 ago 2026 - 05h42
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Resumo
Aprovados em vestibulares recomendam que os estudantes foquem na resolução de provas anteriores e nas matérias de maior dificuldade nesta reta final. O uso de cadernos de erros, a prática semanal de redação e o apoio de professores são táticas essenciais para lapidar o aprendizado. Acima de tudo, alertam que o esforço não deve anular o descanso: manter a qualidade do sono e evitar madrugadas em claro são medidas fundamentais para garantir a memória e um bom desempenho.

Faltando pouco mais de dois meses para as provas de vestibular, milhares de alunos do Brasil estão na reta final dos estudos para encarar a maratona de testes do final do ano.

Conquistar a vaga na universidade almejada exige foco, organização e disciplina, mas também cautela para que o esforço excessivo não atrapalhe o sono e o descanso. Fazer exercícios e simulados é fundamental para entender os estilos e formas de cobrança de cada prova. E como não esquecer fórmulas e datas históricas? Ter um resumo prático em mãos, ou até um caderno específico para anotações, pode ajudar a lembrar conceitos que escapam facilmente da memória.

Essas são algumas das sugestões de estudantes de graduação, ouvidos pelo Estadão, aos vestibulandos que querem chegar à temporada de provas o mais preparados possível. Eles destacam a importância de usar os professores para tirar dúvidas e, nestes meses, focar nas matérias de maior dificuldade para conquistar pontos importantes em uma eventual segunda fase.

Ruan Zucchi, estudante de Medicina da Universidade de São Paulo.
Ruan Zucchi, estudante de Medicina da Universidade de São Paulo.
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

Ruan Zucchi, de 27 anos, está no quinto ano de Medicina na Universidade de São Paulo (USP). A experiência de quatro anos de cursinho o ajudou a entender que a melhor orientação aos candidatos é focar em exercícios e resolver provas antigas. "Se eu vou ser testado através de questões, meu foco deve ser questões", diz o futuro médico.

Outros estudantes de Medicina seguem a mesma linha. "Fazer questões antigas era disparado o método que eu mais usava para estudar", diz Julia Sartori, aluna da Santa Casa. Ela também fazia anotações das aulas e resumos práticos.

Já Rafael Soares Vital, de 22 anos, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), tinha um caderno próprio para anotar os erros dos simulados. Foi a forma que encontrou para não repetir os mesmos equívocos: "Hoje, acho que eu lembro mais das questões que eu errei do que das que eu acertei", disse à reportagem.

A estratégia de focar em determinada prova pode funcionar quando o vestibulando sabe exatamente em qual universidade quer passar. Rafael Vital, da UFBA, queria a aprovação em uma federal e concentrou os esforços em simulados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Já Ruan Zucchi, da USP, fez maratonas de provas da Fuvest. "No ano em que eu passei, fiz 20 anos (edições de provas) da Fuvest, de 2000 até 2020. Na segunda fase, eu fiz 10 anos (edições)", lembra.

Priorizar as disciplinas que o estudante ainda não domina é outra sugestão que aproxima os universitários consultados. Para Júlia Sartori, da Santa Casa, esta reta final é o momento de "lapidar o conhecimento", assegurar o que se sabe e entender melhor o que ainda causa dúvida. "As matérias que você dominou o ano inteiro não vão se perder agora. O que o estudante precisa fazer é garantir outros pontos", recomenda.

Zucchi lembra que, nas provas de segunda fase da Fuvest, quando os conteúdos cobrados são mais específicos e há um afunilamento entre os candidatos, acertar questões das matérias de menor afinidade pode ser o fiel da balança.

"É importante ganhar pontos de Português no primeiro dia, porque no segundo (quando as questões são de disciplinas específicas da carreira) muitos vão bem. Então, é uma oportunidade para fazer diferença em relação aos outros concorrentes", diz.

Fazer uma autoavaliação, evitar comparações e administrar as próprias dificuldades são as dicas da estudante Beatriz Pierre, de 21 anos. Hoje, ela é aluna de Geografia na Unicamp e se forma em Relações Internacionais pela Facamp no final deste ano. Na época do Ensino Médio, porém, a pedra no seu sapato era Química. A saída foi se abrir com os professores.

"Eu era muito transparente. Isso dava mais artifícios para eles (professores) entenderem o meu raciocínio e me ajudarem", diz. Para Ruan Zucchi, superar seu "calcanhar de Aquiles" — História — significou adicionar leituras à bibliografia obrigatória. "Li duas, três vezes o livro A História Concisa do Brasil, do Boris Fausto."

Beatriz também sugere assistir a vídeos de professores no YouTube e usar plataformas de Inteligência Artificial generativa para criar questões personalizadas sobre o que o candidato não sabe. "Mas é necessário fazer um uso crítico, consciente e ao lado dos professores para checarem se o que está sendo gerado está correto", aconselha.

Memorizar compostos químicos, fórmulas de Matemática e datas históricas é um desafio diante da montanha de conteúdos. Cada universitário tem sua estratégia.

Para Julia Sartori, funcionava ter uma folha de resumo com fórmulas "para bater o olho e entender". Rafael Vital usava o mesmo caderno dos erros para colocar as equações que não podia esquecer. "Uma delas era a fórmula do volume da esfera, que costuma cair no Enem", diz. "Eu anotava nesse caderno e lia ele antes de dormir."

Daniel Chan, formado no ano passado em Engenharia Química na Unicamp, preferia escapar da necessidade de memorização. Costumava olhar para os conceitos como "uma ideia de processo", na qual tudo tem um ponto de partida.

"Se eu partir do pressuposto que cada termo tem um conceito físico, e entender cada um desses termos, facilita na hora de interpretar uma questão", diz. "Essas informações não estão soltas. Partiram de algum lugar e estão dentro de um contexto".

Com relação à redação, as orientações foram parecidas e praticar semanalmente foi uma das mais repetidas. "Durante o ano, eu fazia uma redação por semana. Perto das provas, eu comecei a fazer duas redações", diz Vital. "É fazer, fazer, fazer, passando a limpo e tentando simular o mais próximo do dia da prova para não se perder no tempo", orienta Julia Sartori.

Julia Sartori é estudante de Medicina na Santa Casa. Uma de suas dicas é estudar com constância, um pouco a cada dia.
Julia Sartori é estudante de Medicina na Santa Casa. Uma de suas dicas é estudar com constância, um pouco a cada dia.
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

Outras orientações foram aproveitar os plantões e revisar as técnicas com os professores, além de "ter bagagem cultural". "É importante estar atento às notícias, ler livros, ouvir músicas. Podem não estar relacionadas ao conteúdo escolar, mas isso enriquece a vida", diz Beatriz Pierre.

Na mesma direção, Daniel Chan destaca que as redações costumam valorizar a capacidade do candidato de se expressar e relacionar as ideias de uma forma interdisciplinar. "Consumir música, artes visuais, artes cênicas ou qualquer tipo de arte ajuda a tornar mais natural a construção dessas relações."

Como conciliar descanso, estudo e obrigações?

Querer focar agora é tarde demais. O planejamento deve ser feito a longo prazo, de preferência estabelecendo metas e definindo um cronograma. "Isso dá um senso de progresso que ajuda a não se sentir estático", diz Daniel Chan.

É necessário, sim, colocar o vestibular como prioridade, mas sem abrir mão de lazer, família, hobbies ou atividades esportivas.

Julia Sartori e Beatriz Pierre também defendem um tempo afastado dos livros, mas são pragmáticas: "Prestar vestibular é um ano de abdicação", diz Julia. "É definir o que é prioridade e o que é inegociável, e saber também que é necessário abrir mão de algumas coisas", lembra Beatriz.

Todos, no entanto, foram unânimes em alertar sobre os perigos de passar madrugadas em claro. "Não adianta não comer, não dormir e só estudar. Você não vai resolver tudo em uma madrugada", diz Julia Sartori. "Agora, é melhor estudar um pouco por dia do que concentrar tudo em um dia só."

Rafael Vital explica que o cérebro precisa estar descansado para absorver e memorizar o conteúdo estudado. "Se você não dorme direito, você não rende", diz. "Não é sobre quantidade de horas, mas a qualidade do sono", acrescenta Beatriz. "Evite ficar muito tempo no celular e sempre conectado. A higiene do sono passa também por aquilo que fazemos antes de dormir".

Com poucos meses até as provas, o tempo agora é de manejar as emoções. Nestas semanas que antecedem o vestibular, é fundamental que o candidato tenha a sensação de que fez o máximo que estava ao seu alcance. "Preocupação sempre vai ter. Mas o mais importante é ir para a prova com o sentimento de que você fez o necessário", diz Ruan Zucchi.

Estadão
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