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Educadora: contação de história deveria se tornar disciplina

12 abr 2011 11h51
| atualizado às 12h20
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Rose Mary de Souza
São Paulo

A contação de histórias poderia entrar na grade curricular das escolas e se tornar mais uma disciplina, uma matéria. Essa é a opinião da educadora e escritora Kátia Vieira, que há 15 anos é contadora de histórias e fez disso um aliado que ampliou a atuação do seu ofício. "Criança que ouve histórias amplia o vocabulário e melhora a linguagem", diz . Para ela, o ideal é começar a atividade para as crianças a partir de 2 anos de idade. Nesta fase, elas já começam a repetir e aprender o significado das palavras.

De acordo com a educadora, criança acostumada a ouvir histórias tem grande chance de se tornar um consumidor de livros. Escutar contos relatados por uma ou mais pessoas amplia a imaginação, aguça a curiosidade e coloca os pequenos em contato com suas próprias emoções.

Seu público, antes restrito ao ambiente familiar, se espalha por espaços onde a abertura de experimentações lúdicas auxilia na arte de educar. Nos últimos 3 anos Kátia desenvolve o "Projeto Coleção Edelweiss", que distribui livros de sua autoria em escolas estaduais e municipais, além de entidades assistenciais e comunidades carentes.

O projeto tem o incentivo do Ministério da Cultura através da Lei Rouanet com patrocínio da empresa BorgWarner do Brasil que apostaram na ideia de levar história contada pelo próprio autor a grupos com pouco acesso a leitura. Em um único dia, por exemplo, Kátia fez cinco visitas e deixou centenas de crianças e jovens com aquele gostinho de 'quero ouvir mais uma história, tia'.

O ato de ouvir "cria movimento nas emoções que se traduzem em atitudes". O assunto carece atenção dos pais. "Mesmo atribulados com a falta de tempo e os compromissos com o trabalho, os pais deveriam investir ao menos 5 minutos por dia com seus filhos para contação de histórias", conclui a educadora.

Histórias Viajantes
Histórias Viajantes é uma atividade desenvolvida pela Sociedade Pró Menor, em Campinas, uma entidade que recebe crianças e adolescentes fora do período do seu horário escolar. A instituição atende cerca de 90 crianças e adolescentes na faixa de idade entre 6 a 14 anos em atividades lúdicas e de educação informal.

Um dos objetivos da entidade é cobrir as carências culturais através de oficinas de informática, aulas de culinária e práticas de esportes. O grupo também é convidado a acessar diariamente a biblioteca.

Para participar do projeto é preciso que os meninos e meninas façam a leitura dos livros e, a partir dessa leitura, selecionem as histórias que desejam contar para outras pessoas. Depois de absorver o enredo do livro escolhido, o contador vai compartilhar com outras pessoas.

Modesto Fávero Neto,um dos fundadores do Pró Menor, fala que já levou a criançada em excursão a outros colégios para levar as histórias. "É muito interessante o efeito da contação de histórias. A criança que ouve depois tem vontade de ler", comenta. A biblioteca tem um acervo variado com publicações com temas de aventura, literatura, ficção e infantil.

Mais uma vez a contadora de histórias Kátia Vieira esteve na instituição e conseguiu a atenção dos ouvintes. Fávero Neto, diz que a Sociedade Pró Menor se empenha na interação do grupo. Além da introdução dos livros na vida dos jovens, o projeto desenvolve aula de música. No entanto, a leitura é o primeiro passo para o acesso às demais ações do Pró Menor.

A educadora Kátia Vieira (com luvas brancas) entre as crianças da Sociedade Pró Menor
A educadora Kátia Vieira (com luvas brancas) entre as crianças da Sociedade Pró Menor
Foto: Rose Mary de Souza / Especial para Terra
Fonte: Especial para Terra
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