Alunos de escolas particular e pública se unem para criar jornal

Estudantes da Avenues e da escola municipal José Alcântara Machado Filho produzem publicação sobre a realidade do Real Parque, bairro onde estudam, na zona sul de São Paulo

1 nov 2019
07h11
atualizado às 07h29
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SÃO PAULO - Eles moram na mesma cidade, estudam no mesmo bairro, mas vivem realidades completamente diferentes. Distantes pouco mais de um quilômetro no Real Parque, zona sul de São Paulo, os alunos das escolas Avenues, que tem uma das mais caras mensalidades da capital, e da Escola José Alcântara Machado Filho, da rede municipal, se juntaram para escrever um jornal com notícias sobre as suas realidades.

"Esse projeto conseguiu unir essas crianças, que vivem em condições tão diferentes, porque deu igualmente voz a todas elas. Os alunos da Alcântara vieram conhecer nosso prédio e nossos projetos e depois nós fomos conhecer os deles. Eles ficaram encantados com o que temos aqui e também ficaram orgulhosos de nos mostrar o que fazem", contou Tatiana Oliveira, professora de Língua Portuguesa do 5.º ano na Avenues.

O projeto das duas escolas teve início neste ano, após os alunos da Avenues terem uma primeira experiência em 2018 criando o próprio jornal por meio de uma ferramenta do Jornal Joca - uma publicação online e impressa feita especialmente para crianças e pré-adolescentes.

"Sempre achei que não adianta só ensinar as crianças a ler e entender o que acontece no mundo, mas dar espaço para que se manifestem. Por isso, o Joca oferece às escolas uma plataforma para que criem os próprios jornais", contou a fundadora Stephanie Habrich.

Na primeira edição do jornal da Avenues, os alunos optaram por escrever notícias sobre os projetos que desenvolvem na escola.

"Neste ano, eles disseram que queriam escrever mais sobre a comunidade em que vivem, sobre a cidade. Para isso, eles precisam expandir os muros da escola", disse Tatiana.

Foi dessa demanda dos alunos que surgiu o convite para que os estudantes da José Alcântara compartilhassem a sua visão de mundo e escrevessem juntos a nova edição. Para que o jornal pudesse ser elaborado, os estudantes trocaram visitas e fizeram oficinas de jornalismo juntos.

"Essa experiência foi muito importante para a nossa escola. Quebrou barreiras e preconceitos do lado de lá e do lado de cá. Nossos alunos são de famílias muito carentes, mas que convivem próximas de bairros muito ricos, com uma realidade muito distinta da deles", contou Claudia Rodrigues, coordenadora pedagógica da Emef.

"Muitas vezes nossos alunos se sentem diminuídos, inferiorizados. Essa interação permitiu que eles vissem quem aprendem a mesma coisa, fazem a mesma atividade dos alunos das outras escolas", explicou a educadora.

As crianças também decidiram escrever sobre os projetos que desenvolvem no colégio.

A elaboração do jornal faz com que os estudantes se envolvam em todo o processo, desde a sugestão de pautas até a edição. Eles se dividiram em equipes, cada uma responsável por uma das etapas.

"Ensinamos a checar uma informação, a identificar fontes seguras, além da escolha de entrevistados. É um processo de alfabetização midiática que ajuda os alunos a identificar informações falsas que podem encontrar no dia a dia", explicou Stephanie.

Como toda a elaboração do jornal é em grupo, ela também destaca que o projeto ensina outras habilidades, como trabalhar em equipe, compreensão e respeito ao trabalho dos colegas.

Estadão
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