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Donald Trump demite procuradora-geral dos Estados Unidos

2 abr 2026 - 17h12
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Aliada fiel do republicano, Pam Bondi era criticada pela atuação no caso Jeffrey Epstein e por não conseguir processar adversários do presidente americano.O presidente Donald Trump anunciou nesta quinta-feira (02/04) a demissão da procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi. Na rede Truth Social, o republicano se referiu a Bondi como uma "grande patriota" e "amiga leal", acrescentando que o vice-procurador-geral, Todd Blanche, assumirá o cargo interinamente.

Bondi "passará a ocupar um novo cargo muito necessário e importante no setor privado, a ser anunciado em breve", disse o presidente.

Rumores sobre uma iminente demissão de Boni já circulavam há algum tempo. A jurista de 60 anos é agora a segunda integrante do gabinete de Trump a deixar o cargo dentro de um mês. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, apelidada popularmente como "Barbie do ICE", foi demitida por Trump no início de março.

Citando quatro fontes, o New York Times informou que o presidente já havia discutido a demissão de Bondi nos últimos dias. Segundo a reportagem, Trump estava cada vez mais frustrado com a forma como ela liderava o Departamento de Justiça e com a maneira como lidava com os processos do caso Jeffrey Epstein.

Insatisfação com condução do caso Epstein

Deputados republicanos e aliados de Trump acusaram a agora ex-procuradora-geral de protelar ou encobrir a divulgação de documentos sobre as investigações de tráfico sexual contra Epstein, que morreu na prisão em 2019. O magnata tinha ligações com inúmeras personalidades influentes, incluindo o próprio Trump.

Desde que, em meados do ano passado, o tema começou a prejudicar o governo, Bondi tentou arquivar o caso, sem sucesso aparente.

Segundo relatos, Trump também teria ficado irritado com o fato de Bondi não ter processado criminalmente seus críticos e adversários com a rapidez necessária.

Perseguição a críticos

Trump não escondeu suas expectativas em relação ao Departamento de Justiça. Em setembro, por exemplo, ele pediu diretamente a Bondi, pelas redes sociais, que tomasse medidas contra pessoas que considera inimigos.

Os presidentes dos EUA anteriores a Trump tradicionalmente procuravam garantir que não surgissem dúvidas quanto à independência do Poder Judiciário.

Quando assumiu o cargo, Bondi, ex-procuradora-geral da Flórida, era considerada uma aliada leal do presidente.

Por sua vez, a Procuradoria sofreu uma série de reveses nos tribunais ao tentar indiciar figuras contra as quais Trump jurou se vingar judicialmente, desde a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, passando por seis congressistas democratas que instaram o Exército dos EUA a desobedecer ordens ilegais, até o presidente do Federal Reserve (Banco Central americano), Jerome Powell.

O agora procurador-geral interino, Todd Blanche, de 51 anos, atuou como advogado de várias figuras muito próximas a Trump, como o ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliani, e também representou o atual presidente no caso relacionado aos pagamentos secretos do republicano à atriz pornô Stormy Daniels.

Como procurador-geral adjunto, Blanche foi encarregado de conduzir um interrogatório na prisão com Ghislaine Maxwell, ex-companheira e principal intermediária de Epstein.

fcl/le (dpa, Reuters, Lusa)

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