Distúrbios do sono estão associados a risco maior de Alzheimer no futuro
Hábitos saudáveis, como a rotina de higiene antes de dormir, podem contribuir na prevenção de demências
Luz baixa, telas longe do alcance dos olhos, ambiente acolhedor e, se possível, um bom livro nas mãos. O ritual conhecido como higiene do sono vai além do descanso imediato: é uma estratégia vital na prevenção de demências, como o Alzheimer. O alerta é urgente, já que 45% da população mundial sofre com algum distúrbio do sono, segundo estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da World Sleep Society.
Um dos inimigos da higiene do sono e também do cérebro são as chamadas telas infinitas, que vão para a cama de boa parte da população. O hábito de conferir redes sociais antes de dormir é um vilão silencioso, explica a neurologista do Hospital Moinhos de Vento, Brunna Teló.
"A gente sabe que a luz azul do celular estimula o cérebro, mas não é só ela que prejudica a qualidade do sono. Muitas vezes, os conteúdos que consumimos, como vídeos curtos e de rápida sequência, também aumentam o estado de alerta. Isso acaba atrasando a fase inicial de descanso", exemplifica Brunna.
Apneia do sono: um mal muitas vezes despercebido
O resultado são momentos de desatenção, prejuízo na regulação emocional, pensamento mais lento e dificuldade de encontrar as palavras. Principalmente em casos de apneia do sono, doença ainda muito subdiagnosticada, segundo a neurologista. Estudos da Universidade Claude Bernard Lyon 1, na França, revelaram que pessoas que sofrem desse distúrbio têm 35% mais risco de desenvolver demência.
"Roncar, fazer pausas respiratórias durante a noite, isso precisa ser avaliado com muito cuidado porque é uma causa muito comum de declínio cognitivo e risco de demência no futuro. O uso de CPAP [aparelho para pressão positiva contínua nas vias aéreas] em boa parte dos casos é indicado. Outra questão que a gente percebe, muito associada, é o sobrepeso e a obesidade", complementa.
Insônia e excesso de sono
De acordo com Brunna, alguns estudos observacionais sugerem que dormir menos de cinco horas por dia ou mais de dez pode estar associado a um maior risco de deterioração das funções cognitivas. No entanto, pesquisas com acompanhamento mais prolongado não confirmaram essa relação. O que já se sabe é que, durante o descanso, o organismo elimina substâncias que podem prejudicar o funcionamento do cérebro. Entre elas está a beta-amiloide, proteína neurotóxica associada à Doença de Alzheimer.
"No envelhecimento, ocorrem mudanças naturais no padrão de descanso. A fase de ondas lentas e o sono REM tendem a diminuir, e a pessoa pode apresentar mais despertares ao longo da noite. Mas quando é hora de procurar ajuda? Quando surgem confusões noturnas, muita dificuldade para iniciar o repouso, alterações de memória ou aumento da sonolência durante o dia. Sempre é fundamental considerar as queixas da própria pessoa e também da família", afirma a médica.
Fases da vida e o sono ideal
Brunna destaca que a ciência ainda não definiu um tempo de descanso ideal para todas as pessoas, mas a maior parte dos estudos aponta que uma média de sete horas por noite é considerada adequada. Ela reforça que, no público infantil, o período de sono é ainda mais crucial, já que é nesse momento que ocorre a liberação de hormônios essenciais para o crescimento, o que amplia a importância de uma rotina de qualidade nessa faixa etária. Já para mulheres na menopausa, a médica recomenda acompanhamento com ginecologista para minimizar os impactos dessa fase, especialmente no climatério.
"O ponto principal é prestar atenção aos hábitos diários e aos rituais de pré-sono. E, para pacientes com queixas de esquecimento, talvez devêssemos começar perguntando: como você tem dormido?", provoca.
Núcleo de Neurofisiologia do Moinhos
O Hospital Moinhos de Vento conta com o Núcleo de Neurofisiologia, serviço que concentra equipamentos de última geração, unindo o melhor da Neurologia e da Pneumologia, funcionando sete dias por semana e 24 horas por dia. No local, são atendidas pessoas de todas as faixas etárias com distúrbios do sono, entre outras doenças. A Neurofisiologia é um segmento que reúne múltiplas especialidades, com as quais o médico consegue realizar um diagnóstico preciso relacionado à fisiologia e às respostas de várias vias elétricas cerebrais ou do sistema nervoso periférico do paciente.
Em caso de dúvidas, marque uma consulta no Núcleo de Neurofisiologia do Hospital Moinhos de Vento. Telefone para contato: (51) 3314-3434.