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Projeto Favela Orgânica altera relação de comunidade com alimentação no Morro da Babilônia (RJ)

Iniciativa é uma das selecionadas no banQi Heroes of the Community, que busca investimentos para projetos sociais

24 jan 2020
16h40
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Eliminar o desperdício, com a utilização integral dos alimentos, e encontrar novas formas de aproveitar a comida esquecida na geladeira é o desafio que moveu a paraibana Regina Tchelly a criar no Morro da Babilônia, comunidade na zona Sul do Rio de Janeiro, o projeto Favela Orgânica.

A iniciativa é uma das escolhidas pela banQi (http://bit.ly/2uuzebP) para fazer parte do Heroes of the Community, que divulga para investidores estrangeiros projetos criados no Brasil para ajudar brasileiros a enfrentar problemas recorrentes em seu dia a dia.

Regina Tchelly deu início ao Favela Orgânica em setembro de 2011, que sonhou em mudar a relação das pessoas com os alimentos em sua comunidade. Ao longo dos anos as atividades foram se ampliando, e já incluem divulgação de receitas com sobras de alimentos, ensino de como aproveitar totalmente um alimento em diferentes receitas, criação de hortas comunitárias em espaços ociosos, realização de oficinas e palestras, decoração de muros e paredes da comunidade com dicas e receitas rápidas, e ainda realizar e estimular compostagem caseira entre os moradores, entre outras ações.

"No dia em que cheguei no Rio de Janeiro vi um monte de comida sendo jogada fora em uma feira livre. Nesse dia já fiz o almoço com partes dos alimentos que um feirante disse que não serviam nem para os animais comerem", lembra Regina. A missão de seu projeto é modificar a relação das pessoas com os alimentos, conscientizando sobre cada etapa do ciclo da alimentação: começando do planejamento das compras e indo até o preparo e o descarte do alimento. As atividades têm como foco valorizar, trabalhar e compartilhar o ciclo do alimento.

Foto: Favela Organica / DINO

"banQi decidiu divulgar projetos como o Favela Orgânica para que possam obter novas formas de financiamento", diz Vitor Santos, CEO de banQi. "Há um claro interesse de setores da comunidade internacional em iniciativas que buscam soluções criativas para problemas sociais profundos e recorrentes. E, quando o assunto é criatividade, sabemos que os brasileiros sempre surpreendem."

FOCO NA COMUNIDADE, E ALÉM

Regina acha muito importante o envolvimento da comunidade. Os moradores locais, além de serem beneficiários diretos, também compram alimentos produzidos no projeto, o que ajuda em sua sustentação e na divulgação dentro da comunidade. Os cursos são sempre muito concorridos - assim que são abertas as inscrições as vagas logo são preenchidas, "não duram nem dois dias", diz a fundadora.

Anita Oliveira, uma das beneficiadas do projeto desde sua criação, diz que sua vida mudou muito desde então. Hoje praticamente faz o prato principal usando muita coisa que antes ela desperdiçava em casa. Como a casca de banana que ela usa para fazer brigadeiros, ou a casca da melancia que serve para preparar um delicioso risoto. Hoje tem mais consciência sobre alimentação e começou a criar pratos em casa com aquilo que era costume jogar fora.

Ela aproveita tudo, e é tanta coisa que se pode aproveitar que o consumo da carne se torna desnecessário. "Minha alimentação mudou muito; no passado eu não simpatizava muito com legumes, praticamente não comia, mas através das oficinas do projeto passei a dar mais valor aos alimentos porque comecei a ver o retorno e minha qualidade de vida melhorou bastante. Além disso, o Favela Orgânica veio para mim como geração de renda, porque conforme o projeto foi crescendo as pessoas começaram a contratar nossos serviços de Buffet Orgânico, o que ajudou muito a aumentar minha fonte de renda", diz Anita.

No início o projeto trabalhava em parceria com sete feiras livres do Rio de Janeiro, que faziam doações de talos, sementes e cascas que se tornavam os principais ingredientes em pratos saudáveis. Mas há dois anos o foco mudou e essas parcerias agora só acontecem com feiras orgânicas, que são cinco na cidade. Os feirantes doam ou vendem o material a um preço acessível. Esse material é usado durante as oficinas do projeto, para montar buffets e eventos que dão retorno financeiro e possibilitam a continuidade das atividades

O projeto ainda não conta patrocínio particular e nem do governo. Quando tem dinheiro em caixa, a equipe que trabalha com Regina dando suporte e colocando a mão "na massa" é remunerada. São por volta de doze pessoas que, quando não há verba, doam seu tempo em prol do projeto. Normalmente essas pessoas seriam chamadas de voluntários. Mas Regina prefere chamá-los, com gratidão, de parceiros transformadores.

Vanessa Hervé, uma dessas "parceiras transformadoras" desde o início, diz que o projeto foi crescendo muito rapidamente em atividades. Sua colaboração começou quando foi para o Favela Orgânica, através do SEBRAE, para dar consultoria e, quando se desligou dessa instituição, continuou no projeto, por simpatia e por acreditar nas práticas ali ensinadas e realizadas. Na época da chegada de Vanessa, Regina começava a ter demanda de buffets, e a receber convites para participar de eventos em ONGS e instituições privadas para dar palestras sobre aproveitamento total dos alimentos. Vanessa diz que o projeto é maravilhoso porque ao mesmo tempo que a Regina pensou em toda a dinâmica da alimentação, também teve a ideia da geração de renda para as mulheres da comunidade.

Com mais de oito anos sem financiamento, o objetivo do projeto é continuar acontecendo de segunda a sexta. Regina não vê a falta de dinheiro como um problema, mas diz que, se tivesse apoio externo seria muito bom, porque iria melhorar as condições de trabalho, atingir mais pessoas e poderia expandir para outras comunidades.

Sem espaço para desânimo mesmo diante dos desafios, Regina celebra o que considera sua maior vitória: fazer com que as pessoas modifiquem suas relações com os alimentos e saberem, elas mesmas, aproveitar tudo - "até o talo"!

Para doar para o Favela Orgânica - https://benfeitoria.com/favelaorganica



Website: http://bit.ly/2uuzebP

Veja também:

DINO Este é um conteúdo comercial divulgado pela empresa Dino e não é de responsabilidade do Terra
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