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Parque das Neblinas é campo de estudo para pesquisadores dos muriquis-do-sul

Reserva ambiental abriga população de macacos ameaçados de extinção e apoia estudos científicos sobre a espécie

11 jul 2019
21h43
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O Parque das Neblinas, reserva de Mata Atlântica localizada entre os municípios de Mogi das Cruzes e Bertioga (SP), é um dos sítios de estudo para pesquisadores dos muriquis-do-sul (ou mono-carvoeiro), maior primata das Américas e em grande perigo de extinção. A área da Suzano, gerida pelo Instituto Ecofuturo, fechou uma parceria com o Instituto Pró-Muriqui e organiza campanhas periódicas para monitorar a presença da espécie, endêmica do bioma, entre os seis mil hectares da reserva.

Foto: Créditos: Julia de Lima Krahenbuhl / DINO

"Os muriquis, que habitam as regiões Sul e Sudeste do País, encontram-se em situação crítica de extinção: estima-se que restam apenas 1.300 indivíduos na natureza. O objetivo das incursões é monitorar a população e a composição dos grupos de macacos, por sexo e idade, e determinar o território ocupado por eles. Os estudos de campo são importantes para conhecer, avaliar e proteger as poucas populações existentes, bem como estabelecer estratégias para o manejo e a conservação da espécie, como a criação de corredores ecológicos e a restauração do habitat", afirma David de Almeida Santos, Supervisor de Operações do Ecofuturo.

As campanhas para pesquisa são compostas por seis integrantes: três assistentes de campo e três técnicos de nível superior, sendo dois mestrandos e um mestre. Até hoje, já foram realizadas três atividades de campo no Parque, nos meses de novembro e dezembro de 2018 e em fevereiro deste ano, cada uma delas com duração de quatro dias. Mais três saídas estão planejadas ainda para 2019.

Os pesquisadores e especialistas buscam vestígios dos animais e, após encontrá-los, mantêm o contato visual e acompanham a dinâmica do grupo. Os profissionais observam seus hábitos de alimentação e registram a localização dos indivíduos, por meio de um sistema de GPS. Esse sistema auxilia a equipe a prever onde os animais poderão estar nos dias seguintes, otimizando o tempo da expedição. Os muriquis foram avistados em todas as campanhas realizadas na área.

Na reserva, os primatas vivem em espaços isolados e de difícil acesso. Eles se alimentam de folhas, frutos, sementes, casca de árvores, cipós, orquídeas, bromélias, entre outros, e costumam viver em grupos.

"Além do muriqui, os monitoramentos realizados no Parque das Neblinas já indicaram a presença de outras três espécies de macacos, o que evidencia a importância estratégica da reserva na proteção dos primatas ainda existentes no território paulista", explica Paulo Groke, Diretor Superintendente do Instituto Ecofuturo.

Os resultados das pesquisas serão publicados em jornais científicos e servirão de base de comparação para as diferentes populações de muriquis do estado de São Paulo. Em 2018, o Parque também foi território de atuação para o estudo "Demographic monitoring of wild Muriqui populations: Criteria for defining priority areas and monitoring intensity", realizada por 11 pesquisadores, com apoio do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Muriquis, coordenado pelo ICMBio, com o objetivo de ampliar o conhecimento e a proteção da espécie, e tentar reverter seu grau de ameaça de extinção. O estudo também usou como base outras 34 áreas nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Paraná.

O pesquisador responsável pelo estudo da ICMBio, Prof. Dr. Mauricio Talebi, da Universidade Federal de São Paulo, Campus Diadema, enfatiza a importância da localidade às estratégias nacionais de pesquisa e conservação da espécie. "O Parque das Neblinas está localizado nos domínios da Serra do Mar e sua localização geográfica indica a única população da espécie sob monitoramento na região. A continuidade dos estudos na área garantirá a inserção da localidade em plataformas nacionais e internacionais para a pesquisa cientifica aplicada à conservação da espécie, possibilitando assim a preservação deste magnífico primata brasileiro", explica.

Além dos muriquis, mais de 1.250 espécies já foram identificadas no Parque - sendo 23 delas com algum grau de ameaça à extinção -, resultado de aproximadamente 60 estudos científicos realizados desde 2002. Como destaque, há quatro novas descobertas: o sapinho-da-barriga-vermelha (Paratelmatobius yepiranga), o sapinho-da-garganta-preta (Adenomera ajurauna), o araçari-poca (Selenidera maculirostris) e uma formiga que ainda está em processo de registro oficial. Há também o lambarizinho (Coptobrycon bilineatus), que não era encontrado por décadas e foi identificado nas águas do Itatinga, rio que corta o Parque e que pode ser seu último habitat.



Website: http://www.planin.com

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