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O uso medicinal da maconha, sem preconceitos

25 mai 2017
17h20
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Artigo publicado originalmente no www.planodesaude.net Plano de Saúde

Foto: DINO

O uso medicina da maconha já vem sendo feito há muito tempo, no mundo inteiro. Em 2013, a revista New England Journal of Medicine publicou o resultado de uma pesquisa feita com médicos de vários países, em que 76% se declarou favorável ao emprego das substâncias puras da maconha nos tratamentos de saúde.

O cultivo da maconha no Brasil é proibido, mas o seu uso medicinal está sendo realizado através da importação do canabidiol. Essa é uma das substâncias ativas da planta que têm efeito terapêutico. A Anvisa aprovou a importação, mas o custo é alto.

O outro princípio ativo, o THC, somente pode ser importado através de decisão judicial. Esses entraves somente penalizam aqueles que dependem desse tratamento, que precisam travar uma batalha para consegui-lo. Em outros países, como o Chile, até o cultivo doméstico é permitido, para o uso em pacientes sob tratamento.

O canabidiol fazia parte das substâncias proibidas no Brasil, mas em janeiro de 2015, passou a ser parte da relação de substâncias controladas. Isso permitiu sua indicação pelos médicos brasileiros, principalmente para tratamento de doenças neurológicas graves. Porém, ainda não há medicamento que contenha a substância sendo comercializado e por esse motivo a sua importação em doses tem um alto preço.

Pediatras relatam melhora significativa de crianças epilépticas com o uso do canabidiol. Comparados com a experiência chilena, os excelentes resultados têm se repetido, mostrando que 70% a 80% dos pacientes tem uma redução de 50% das crises. Em 20% dos casos há remissão total dos sintomas.

Como é de se esperar nesses casos, são as mães as mais atuantes para conseguir a liberação da maconha medicinal. São elas que vivem o dia a dia difícil com os filhos doentes e são as mais responsabilizadas pela sua saúde por parte da sociedade. Com os filhos sofrendo com epilepsia ou paralisia cerebral, as mães chilenas estão participando de associações e passaram a plantar a maconha no próprio quintal. As mulheres estão fazendo o remédio para seus filhos, de um modo caseiro.

O medicamento produzido artesanalmente, de maneira doméstica, muitas vezes provém de uma única planta. Ela produz uma resina, que é colhida e guardada em seringas, para aproximadamente 60 doses. Cada dose é misturada com mel e administrada à criança três vezes ao dia. Esse tratamento é barato e melhora a vida do paciente e de toda a família. Um dos principais efeitos é possibilitar o sono tranquilo, um benefício para todos, em casas onde não se dormia direito há anos.
O uso medicinal da maconha, cujos efeitos benéficos têm sido observados, como no caso do Chile, é uma questão que afeta a saúde pública. Crianças com convulsão passam por muito sofrimento e levam os pais a grandes dificuldades, quando a planta poderia estar sendo muito útil se não fosse considerada uma droga proibida.
As evidências científicas dos benefícios

Uma das mais importantes iniciativas para a aprovação do uso medicinal da Cannabis sativa, ou maconha, foi realizada pelo Departamento Americano das Políticas de Controle Nacional de Drogas, que patrocinou o estudo feito pelo Dr. Stanley J. Watson, Dr. John A. Benson e Dra. Janet E. Joy, do Institute of Medicine.
O trabalho avaliou as evidências científicas obtidas em pesquisas, para demonstrar os benefícios e riscos do uso medicinal da maconha. Os resultados foram validados por especialistas e publicados na revista Archives of General Psychiatry, de junho de 2000.

A pesquisa fez uma revisão sobre os mecanismos dos efeitos e ação das substâncias, sua eficácia, bem como analisou seus efeitos colaterais, comparados com os de outras drogas já utilizadas. Aqui vão algumas de suas conclusões.

Porque a maconha age no cérebro
Nos últimos anos a ciência vem atualizando os conhecimentos que possuía sobre os mecanismos de funcionamento da maconha. Agora se conhecem dois tipos de receptores nos cérebro humano e no sistema imunológico, com o nome de CB1 e CB2, que se ligam aos componentes químicos da maconha e a partir dessa combinação acontece a sua ação nas células.

Esses receptores, que todos nós possuímos e estão concentrados no sistema límbico, no córtex cerebral, no hipocampo e no sistema motor, são os responsáveis pelos sintomas desencadeados pela maconha, ou seja, as alterações do estado mental, da coordenação motora e as mudanças de humor. Ainda não se conhece profundamente seus efeitos sobre o sistema imune.

A maconha e a melhora da dor
As pesquisas demonstraram que a maconha produz um efeito analgésico. Entretanto, ainda é preciso realizar estudos mais aprofundados para se conhecer a dimensão desse efeito e sua duração, em diversos estados clínicos. Os pacientes que podem ser muito beneficiados pela droga são os que sofreram lesão da coluna vertebral, no pós-operatório, os que fazem quimioterapia, pacientes com AIDS, que sofreram infarto ou qualquer outra dor crônica significativa.

A maconha para tratamento de náuseas e vômitos
Pacientes que fazem quimioterapia pra tratamento do câncer sofrem com náuseas e vômitos. Os médicos oncologistas e esses pacientes estão defendendo o uso da maconha, mas especificamente o THC, ou canabidiol, seu principal componente estudado. Seus efeitos foram observados e com menos efeitos colaterais do que as drogas já existentes. A substância pode também ser usada em uso associado com outras drogas, em casos resistentes.
Sobre possíveis efeitos adversos

Os efeitos adversos estudados se referem ao hábito de fumar maconha. Os estudos demonstraram que o fumo prolongado da maconha altera as células do sistema respiratório e pode aumentar a incidência de câncer de pulmão. O THC, utilizado por muito tempo, leva a dependência de seus efeitos e a interrupção do uso leva à síndrome de abstinência, caracterizada por insônia, náusea, agitação, irritabilidade e cãibras.

As pesquisas realizadas sobre o uso medicinal da maconha não provaram nenhuma relação entre esse uso e o estímulo ao uso ilícito da droga. Os efeitos terapêuticos estão associados às suas substâncias puras e não ao efeito do seu fumo.

Contraindicações
A maconha não é indicada para grávidas, pacientes com problemas cardiovasculares, mulheres que amamentam e doenças psiquiátricas.

DINO Este é um conteúdo comercial divulgado pela empresa Dino e não é de responsabilidade do Terra

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