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O direito de envelhecer em casa

Chega um ponto da vida em que temos que zelar por nossos pais. E o melhor que podemos fazer por eles é não privá-los do seu lar.

10 ago 2016
09h22
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Muitas vezes não nos damos conta da responsabilidade de zelar por nossos pais, até quando surge a necessidade. Não costuma ser algo para o qual nos preparamos ao longo da vida. Mas este tipo de preocupação precisa ser levando em conta com mais naturalidade, afinal a população está ficando cada vez mais velha, segundo a Organização Mundial da Saúde. Em 2020 o número de pessoas acima dos 60 vai superar o de crianças até 5 anos ao redor do planeta. No Brasil não é diferente. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que até 2060 o número de idosos no País, irá quadruplicar e chegar à casa dos 58,4 milhões. Hoje essa população é de 14,9 milhões.

Independentemente da forma com que se apresentam, esses momentos abrem diversas alternativas aos filhos. Levar o pai, a mãe, ou ambos para morar em casa, procurar serviços especializados, como casas de repouso e instituições do gênero ou providenciar condições para que eles possam permanecer no conforto e na familiaridade de seus próprios lares. Esta última opção, segundo especialistas, é a decisão mais acertada para o caso, seja por comodidade, facilidade ou, o mais importante, a dignidade.

Ora. Não é porque envelhecemos que temos que ser tirados do lar que levamos uma vida inteira para construir. De um espaço onde passamos nossos melhores momentos, que cultivamos a nossa memória afetiva. É a nossa casa, o lar que aprendemos a amar, em todos os seus detalhes. E, envelhecer na nossa casa, mantendo os laços com tudo o que importa para nós aumenta a qualidade de vida. É o que prega um conceito difundido na Europa e Estados Unidos, o "Aging in Place", ou traduzindo "Envelhecimento no lugar", um sistema que consiste em proporcionar condições para que os idosos continuem vivendo em seus lares com o estilo de vida que escolheram, com a segurança de que necessitam, a independência que merecem e o conforto que eles gostam.

Embora seja cômodo para nós, filhos, tirar nossos pais de casa e assim resolvermos o problema de termos o controle da situação, temos que fazer essa reflexão. Pensar se é isso que gostaríamos para nós mesmos, no futuro. "A chamada terceira idade está muito ativa e independente. Tirar os pais idosos de casa, seja por precaução ou por real necessidade, nas questões de saúde mais sérias, pode não ser a melhor opção. Há possibilidades para garantir que nossos pais tenham um envelhecimento digno, cercado dos cuidados necessários, em suas próprias casas", explica a especialista em qualidade de vida na terceira idade da Senior Concierge, Márcia Sena.

E a boa notícia é que o sistema de Aging in Place já chegou no Brasil e as famílias brasileiras podem contar com esta rede de suporte para identificar e atender as necessidades de cada idoso e manter a sua autonomia. São serviços que englobam atividades sociais, atividades terapêuticas, transporte, cuidados pessoais e com a alimentação, entre outros. Inclusive o programa de Concierge, que disponibiliza uma espécie de gerente de cuidado pessoal, que funciona como um braço de suporte para os filhos que trabalham muito e que, além de cuidar de suas próprias casas, fazem a gestão da rotina dos pais. Esse gerente faz o controle de compromissos do idoso (médicos, exames, passeios), controle de estoque dos medicamentos de uso contínuo, de mantimentos e materiais de limpeza, podendo fazer também a gestão de cuidadores e empregados domésticos. No final dos períodos acordados com a família, gera relatórios com orientações diversas. Ainda dentro do programa, o cliente conta com uma central de atendimento telefônico 24 h de orientação médica e farmacêutica para tirar dúvidas sobre medicamentos, sintomas e doenças, além de help desk de informática. O serviço inclui até um cartão de descontos em farmácias. A ideia é oferecer uma assessoria completa na organização do lar e dia a dia do idoso.

Cristiane Schaeffer, gerente de marketing, utiliza os serviços de Concierge para cuidar de sua mãe, com 91 anos e doença senil. Até os 85 anos ela morou sozinha, depois precisou ser transferida para um residencial de idosos onde passou a ter uma acompanhante que cuidava dela durante o dia. No entanto, há um ano houve piora no quadro de saúde e agora ela precisa de cuidador 24 horas por dia. Então, Cristiane optou por transferir a mãe para um apartamento e contratou uma empresa especializada para fazer a transição do residencial para o apartamento e coordenar, dali por diante, toda a dinâmica a fim de que sua mãe possa permanecer em casa. "Procurei um serviço de Concierge para resolver o meu maior problema hoje que é coordenar a casa e as cuidadoras que são responsáveis pelos cuidados diários com a minha mãe", explica.

Hoje são três profissionais treinadas que se revezam para cuidar da idosa, enquanto a empresa de Concierge elabora uma agenda semanal de atividades e gestão da residência, gerando relatórios constantes para a filha. "Uma espécie de gerenciamento para que eu possa continuar tocando a minha vida e cumprindo meus compromissos, com a certeza de que minha mãe está sendo bem cuidada", explica Cristiane.

Ao tomar a decisão de manter um idoso debilitado em sua própria casa é preciso garantir o gerenciamento adequado desse lar. "É essencial que, além de ter cuidadores capacitados e treinados, seja feita a gestão de todos os compromissos do idoso, como marcação de consultas médicas, exames e outros compromissos, controle da despensa, geração de listas de compras e até mesmo o monitoramento dos próprios cuidadores, para solucionar eventuais problemas, como por exemplo, no caso de algum deles faltar. Enfim, é delegada toda a parte operacional para que os filhos possam usufruir somente de momentos de qualidade com os pais", conta Márcia.

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