Depois do polvo Paul, IA "prevê" vitórias na Copa do Mundo
Algoritmos indicam Brasil batendo na trave do hexa. Mas animais-oráculo continuam trabalhando, inclusive no Rio de Janeiro.Se antes os torcedores confiavam em Paul, um polvo com tentáculos e supostos poderes de adivinhação, hoje eles recorrem aos algoritmos da inteligência artificial (IA) para prever o vencedor da Copa do Mundo de 2026, que começou nesta quinta-feira (11/06).
Paul acertou com sucesso onze dos treze vencedores na Eurocopa de 2008 e na Copa do Mundo de 2010. No mesmo ano, ele morreria de causas naturais.
Ele fazia suas previsões escolhendo entre duas caixas de metacrilato, identificadas com as bandeiras dos concorrentes, cada uma contendo um pedaço de molusco em seu interior.
Agora, os "prompts", as formulações que dão comandos para os modelos de IA, surgem como um método com maior potencial de precisão. Mas os diferentes modelos, a forma de treinamento das múltiplas IAs existentes e outros fatores influenciam o resultado.
Em resumo, as seleções favoritas das ferramentas de IA — Espanha, França, Argentina, Brasil e Alemanha — pouco diferem do que apontam os especialistas. A exceção é a previsão do matemático alemão Joachim Klement, que antecipou as vitórias de Alemanha, França e Argentina nas Copas de 2014, 2018 e 2022, respectivamente. Ele agora aposta em um título da Holanda.
Espanha é a favorita da IA
O conglomerado de mídia americano USA Today utilizou o Copilot, da Microsoft, para suas projeções. O resultado deu a França como campeã, vencendo o Brasil na final por 3 a 2. A Espanha ficaria em terceiro lugar após derrotar o Marrocos por 2 a 1.
Já sete agentes de IA consultados pela Decrypt, empresa de mídia e estúdio criativo, apontaram Espanha e Argentina como principais candidatas ao título.
A Espanha aparece como favorita para a IA Opus 4.8 Max, da Anthropic (20%), para o GPT-5.5 da OpenAI (15-18%), para o Stepfun (33%) e para o Nemotron 3 Ultra, da Nvidia (18-22%). Enquanto isso, a Argentina surge como principal candidata no DeepSeek (18%), MiniMax (18%) e Qwen 3.5, da Alibaba (22%).
Por sua vez, o analista de dados Frank Andrade, da Artificial Corner, utilizou o modelo Claude, alimentando-o com dados de quase 50 mil partidas e dando maior peso aos jogos mais recentes. Ele, então, aplicou um sistema ELO, semelhante ao do xadrez, que atribui menos pontos para vitórias sobre adversários mais fracos.
Nesse cenário, a Espanha também lidera com 27% de probabilidade, seguida pela Argentina com 21%. França e Inglaterra ficariam nas semifinais.
Sem previsão de hexa
Modelos da consultoria Hubler apontam a França como favorita em dois dos três cenários analisados. Nos estudos com GPT-4.1 e Claude Sonnet 4.5, a equipe comandada por Didier Deschamps venceria a Argentina na final, com Espanha e Brasil como semifinalistas.
No terceiro cenário, o vencedor seria a Alemanha, com base em um motor estatístico que simula partidas milhares de vezes. Nesse caso, a final seria contra o Brasil, enquanto Espanha e Argentina parariam nas semifinais.
A empresa de estatísticas esportivas Opta também divulgou suas previsões. Utilizando um supercomputador, o modelo aponta a Espanha como campeã com 16,08% de probabilidade, à frente de França (12,78%), Inglaterra (11,01%) e Argentina (10,02%).
Para as casas de apostas tradicionais, a Espanha também lidera. Segundo dados publicados no Reino Unido, a equipe de Luis de la Fuente (9/2) aparece à frente de França (5/1), Inglaterra (7/1), Brasil (8/1) e Argentina (9/1).
Isto é, em nenhuma previsão o Brasil saiu hexacampeão. O cenário, porém, pode mudar quando a bola começar a rolar.
Animais-oráculo no Brasil e na Alemanha
No Rio de Janeiro, entretanto, ainda se fazem previsões à moda antiga. Ritinha, tubarão-leopardo do AquaRio, "indicou" o Brasil como vencedor da sua partida de estreia, contra o Marrocos.
Quando apresentada a duas opções de potes com comida, um com a bandeira brasileira e outro com a marroquina, ela acabou preferindo o primeiro.
A procura por Ritinha para previsões foi inspirada pelo povo Paul, conhecido internacionalmente por acertar um recorde de previsões. Na Copa de 2022, ela previu uma vitória do Brasil contra a Sérvia — e acertou. A seleção brasileira venceria por dois a zero.
A brincadeira colou ao redor do mundo. Num zoológico da cidade alemã de Münster, o animal-oráculo deste ano é um tamanduá chamado Taio. A sua primeira previsão está marcada para sexta-feira, quando ele terá que decidir quem ganhará na partida entre Alemanha e Curaçao ou, ainda, se vai dar empate.
ht/ra (EFE, ots)
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