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FMI e Banco Mundial projetam desigualdade entre países

Com gastos de 6% do PIB para enfrentar a covid-19, países ricos devem sair mais cedo da crise e com melhores condições econômicas

27 abr 2020
04h10
atualizado às 07h50
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Quando o coronavírus começou a se alastrar pelo mundo, a sensação de que qualquer pessoa poderia ser atingida igualmente parecia consenso. A realidade, no entanto, tem se mostrado diferente. Países com capacidade de ampla testagem e bons sistemas de saúde têm se saído melhor do que os outros. As discrepâncias entre a população infectada também merecem atenção: em Nova York, o vírus é duas vezes mais mortal entre negros e latinos, na comparação com brancos, pelas diferenças estruturais de acesso à saúde na sociedade.

Placa de Wall Street na Bolsa de Nova York, em Manhattan, EUA
09/03/2020
REUTERS/Carlo Allegri
Placa de Wall Street na Bolsa de Nova York, em Manhattan, EUA 09/03/2020 REUTERS/Carlo Allegri
Foto: Reuters

Como resultado dessas diferenças, dados recentes de organismos internacionais têm alertado que a pandemia pode aprofundar o desequilíbrio entre nações ricas e nações pobres. Outra consequência: o aumento da extrema pobreza, na primeira alta global do índice desde 1998.

As projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostram que países ricos estão investindo mais do que emergentes e pobres nas respostas ao coronavírus. Enquanto os sete países mais industrializados do mundo investem quase 6% do PIB nos planos de estímulo, os integrantes do G-20, que inclui emergentes como o Brasil, investem em média 3,5%.

Só nos EUA, o pacote do governo Trump para manter a economia aquecida chega a US$ 2 trilhões - o equivalente a mais de R$ 11 trilhões -, ou 10% do PIB. No Japão, o socorro anunciado no início do mês equivale a 20% da economia do país. Já no Brasil, o FMI estima em 2,9% do PIB a resposta, similar à da Malásia (2,8% do PIB).

Pobreza mundial

O Banco Mundial (Bird) prevê que a tendência de redução da pobreza mundial, registrada nos últimos cinco anos, vai se reverter em 2020. A estimativa é que, na comparação com 2019, de 40 milhões a 60 milhões de pessoas passem a engrossar o contingente da população vivendo em condições de extrema pobreza - o equivalente a menos de US$ 1,90 por dia. E a tendência é de que isso se acentue nos lugares que já são os mais afetados. "A crise vai ter impacto desproporcional nos pobres, através da perda de emprego, alta nos preços e disrupções severas na educação e sistema de saúde", diz o banco.

Países como Uganda tem uma UTI para cada 1 milhão de habitantes, e metade dos países de baixa renda não possui dados que permitam aos pesquisadores saber a real situação do sistema de saúde local.

Estudo do International Food Policy Research Institute mostra que, com o recuo de 1% da atividade mundial - mais otimista do que as projeções recentes de queda de 3% na economia global -, o número de pessoas vivendo na pobreza extrema poderia crescer até 3%. A pesquisa aponta ainda que, em termos absolutos, o maior impacto seria na África Subsaariana, que concentraria quase metade da extrema pobreza mundial.

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Estadão
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