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Covid: 5 números que refletem avanço da vacinação no Brasil

O avanço da campanha de imunização está diretamente relacionado com a queda nos números de casos, hospitalizações e mortes pela infecção com o coronavírus. Entenda como chegamos até aqui e o que deve ser feito para controlar de vez a pandemia

15 out 2021 06h00
| atualizado às 07h13
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Brasil já ultrapassou EUA na percentagem de cidadãos com a primeira dose da vacina que protege contra a covid-19
Brasil já ultrapassou EUA na percentagem de cidadãos com a primeira dose da vacina que protege contra a covid-19
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

O Brasil ultrapassou na quarta-feira (13/10) a marca de 100 milhões de pessoas completamente vacinadas contra a covid-19.

O número simbólico acontece num momento em que outros indicadores também mostram uma melhora considerável no cenário da pandemia no país.

E uma coisa tem a ver com a outra: embora diversos fatores possam contribuir, a vacinação é o principal ingrediente que ajuda a explicar essa mudança positiva, de acordo com uma série de estudos e análises estatísticas.

Confira a seguir cinco números que ajudam a entender o atual momento da crise sanitária no Brasil e o que eles sinalizam para os próximos meses.

1) Quase metade da população vacinada

Até o momento, pouco mais de 150 milhões de brasileiros receberam a primeira dose do imunizante que protege contra a covid-19, segundo o Ministério da Saúde.

Desses, 100 milhões estão totalmente imunizados — seja com as duas doses da vacina ou com o produto da Janssen, que é de dose única.

Se fizermos uma rápida comparação com os Estados Unidos, por exemplo, fica fácil de ver como o ritmo de vacinação no Brasil segue em alta.

Segundo o site Our World In Data, que compila dados sobre a pandemia, 65% dos americanos tomaram ao menos a primeira dose da vacina. Esse percentual já passa dos 72% entre os brasileiros.

No número de doses aplicadas diariamente, os EUA atingiram um pico em abril e, desde então, o ritmo de novos vacinados está em queda constante.

Já o Brasil, que teve um primeiro semestre marcado por falta de doses, o que certamente afetou o ritmo da campanha naquele momento, passou por um crescimento considerável na campanha a partir de junho e julho. Foram vários os dias em que mais de 2 milhões de brasileiros foram tomar a vacina.

2) Um décimo das mortes diárias

Um gráfico disponibilizado no Boletim Observatório Covid-19, da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), publicado em 6 de outubro, mostra que, enquanto o percentual de brasileiros vacinados sobe, os óbitos caem de forma consistente no país.

Os gráficos de mortes e vacinação seguem trajetórias completamente distintas no Brasil
Os gráficos de mortes e vacinação seguem trajetórias completamente distintas no Brasil
Foto: FioCruz / BBC News Brasil

A média móvel diária de mortes, que contempla os dados dos últimos sete dias, também teve uma redução considerável: segundo o levantamento do Conselho Nacional de Secretários de Saúde, o Conass, o Brasil tem cerca de 300 mortes diárias atualmente.

Essa taxa se repete pela primeira vez desde novembro de 2020, quando estávamos no fim da primeira onda da covid-19 no país.

No momento mais grave da pandemia até agora, em abril de 2021, o Brasil chegou a registrar uma média móvel de 3.124 mortes por dia — número que é dez vezes maior que o observado hoje.

Isso não significa que 300 óbitos a cada 24 horas seja algo bom, pelo contrário. É necessário que esse número caia ainda mais para o país ficar numa situação realmente tranquila.

Média móvel de óbitos por covid-19 está no menor patamar desde novembro de 2020, quando a primeira onda da pandemia no país terminava
Média móvel de óbitos por covid-19 está no menor patamar desde novembro de 2020, quando a primeira onda da pandemia no país terminava
Foto: Conass / BBC News Brasil

3) Número sete vezes menor de casos

Os gráficos de média móvel do Conass também mostram que a taxa de diagnósticos de covid-19 caiu bastante: em julho, o Brasil bateu o pico de 77 mil casos diários.

Atualmente, estamos com 11 mil, uma taxa quase sete vezes inferior.

Novamente, não se pode considerar que 11 mil diagnósticos seja pouco. Mas a última vez que tínhamos atingido um patamar desses tinha sido em maio de 2020.

Média móvel de casos de covid-19 também está no menor patamar desde maio de 2020
Média móvel de casos de covid-19 também está no menor patamar desde maio de 2020
Foto: Conass / BBC News Brasil

4) Menos de 50% dos leitos ocupados na maioria dos Estados

Além de impactar de forma positiva os casos e as mortes por covid-19, a vacinação também tem um efeito claro sobre as hospitalizações relacionadas às infecções respiratórias no país.

Vale lembrar aqui que as vacinas disponíveis foram testadas e aprovadas justamente com esse objetivo: barrar os casos mais graves, que costumam exigir internação e intubação.

Os últimos boletins do Observatório Covid-19 da FioCruz mostram que a taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) está num nível de alerta baixo na maioria dos Estados brasileiros.

As únicas exceções são o Espírito Santo, que tem 75% dos leitos ocupados e fica num nível de alerta médio, e o Distrito Federal, que está numa situação crítica, com 83% das unidades em uso atualmente.

Taxa de ocupação de leitos de UTI está num nível baixo em boa parte do país
Taxa de ocupação de leitos de UTI está num nível baixo em boa parte do país
Foto: FioCruz / BBC News Brasil

Numa perspectiva histórica, dá pra ver como a situação evoluiu entre janeiro e outubro de 2021. No início do ano, a situação ficou bem crítica, a começar pelo Amazonas.

No final de março, praticamente o Brasil todo estava pintado de vermelho, o que indica um nível de alerta máximo, segundo os parâmetros da FioCruz.

Entre o final de março e o início de abril, boa parte do país ficou num nível crítico de ocupação de leitos de UTI
Entre o final de março e o início de abril, boa parte do país ficou num nível crítico de ocupação de leitos de UTI
Foto: FioCruz / BBC News Brasil

A partir de agosto, o cenário ficou aos poucos mais estável e tranquilo, com algumas variações pontuais, como um aumento repentino no Rio de Janeiro que logo voltou a normalizar.

E, segundo alguns estudos publicados nos últimos meses, as hospitalizações e as mortes se concentram, em sua maioria, justamente nas pessoas que não foram vacinadas ou estão com o esquema incompleto, o que só reforça a importância da campanha de imunização.

5) Taxa de transmissão cortada pela metade

O último dado positivo vem do Imperial College, do Reino Unido: o Brasil está com a menor taxa de transmissão desde que o levantamento periódico foi iniciado, em abril de 2020.

Esse índice está atualmente em 0,60. Na prática, isso significa que cada 100 pessoas infectadas transmitem o vírus para outras 60.

Pela margem de erro do estudo, o número pode variar entre 0,24 a 0,79 — ou seja, 100 indivíduos infectados transmitem o vírus para outros 24 a 79, respectivamente.

Em março, quando a segunda onda começava a se formar no país inteiro, esse número chegou a ficar acima de 1,23 (o dobro do índice atual), o que significa que 100 infectados "passavam" o vírus para outras 123 pessoas.

Segundo o Imperial College, quando o índice fica abaixo de 1, isso significa uma queda no ritmo de contágio, pois o número de transmissão é menor do que o de pessoas que já estão infectadas. Agora, se a taxa ficar superior a 1, isso é um sinal de que a pandemia está em expansão, já que mais e mais gente está entrando em contato com o vírus.

O pior já passou?

Diante de tantas boas notícias, será que é seguro afirmar que o Brasil está se encaminhando para o fim da pandemia?

No momento, os especialistas e os relatórios epidemiológicos têm adotado uma posição de otimismo cauteloso. Isso significa que a melhora deve, sim, ser celebrada e exaltada, mas é preciso tomar alguns cuidados para que a situação não volte a piorar nos próximos meses.

O primeiro passo é manter o ritmo da vacinação. Quem ainda necessita tomar a segunda dose deve ir ao posto na data estipulada, enquanto idosos e profissionais da saúde também precisam ficar atentos aos cronogramas para receber a terceira dose.

Apesar de campanha de vacinação contra a covid-19 ter avançado, ela está longe de terminar
Apesar de campanha de vacinação contra a covid-19 ter avançado, ela está longe de terminar
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

As avaliações dos cientistas e médicos também reforçam a necessidade de seguir as medidas preventivas básicas, especialmente o uso de máscaras de boa qualidade, que vedam bem todo o rosto, e o cuidado com as aglomerações, principalmente em lugares fechados e com pouca circulação de ar.

Com um ano e meio de pandemia e uma sensação generalizada de cansaço, o momento atual parece não exigir mais aqueles lockdowns rigorosos.

"É de se esperar que, após 18 meses da pandemia, a exaustão da população e a urgência da retomada de algumas atividades acabem por influenciar em um certo relaxamento das medidas. Mesmo com medidas restritivas em curso, a circulação é intensa. A expectativa de liberação para grandes eventos, como o Réveillon e o Carnaval, pode criar uma impressão equivocada de que é o momento de se pensar, em nível nacional, na abertura completa das atividades presenciais", aponta o Boletim Observatório Covid-19, da FioCruz.

Mas é importante evitar, mesmo quem já está com duas ou três doses no braço, espaços fechados e mal ventilados, locais onde há aglomerações, com pessoas muito próximas umas das outras, e interações sociais com muita proximidade física e por um tempo prolongado.

"A recomendação é de que, enquanto o país caminha para um patamar ideal de cobertura vacinal, medidas de distanciamento físico, uso de máscaras e higienização das mãos sejam mantidas e que a realização de atividades que representem maior concentração e aglomeração de pessoas só sejam realizadas com comprovante de vacinação", concluem os especialistas da FioCruz.

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