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Bolsonaro defende divulgação atrasada e parcial de dados

O presidente Jair Bolsonaro foi ao Twitter defender o novo modelo de divulgação dos dados oficiais sobre coronavírus no Brasil

6 jun 2020
16h44
atualizado às 17h05
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Presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto
05/06/2020
REUTERS/Adriano Machado
Presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto 05/06/2020 REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters

O presidente Jair Bolsonaro defendeu a medida do seu governo de divulgar apenas parcialmente os dados oficiais sobre o coronavírus no Brasil, que no momento é o segundo país do mundo com mais contágios da doença.

Na sexta-feira, o Ministério da Saúde tirou do ar o site que mostrava a evolução da pandemia no tempo e por Estado e cidade. A pasta também parou de informar o total de casos e de mortos. O Brasil já tem mais de 645 mil infectados, só perdendo para os Estados Unidos, e mais de 35 mil mortos, tendo ultrapassado a Itália.

"Ao acumular dados, além de não indicar que a maior parcela já não está com a doença, não retratam o momento do país. Outras ações estão em curso para melhorar a notificação dos casos e confirmação diagnóstica", publicou a conta de Bolsonaro no Twitter.

Nem Bolsonaro, nem o ministério deram motivo para retirada do site covid.saude.gov.br do ar. O portal vinha sendo uma importante fonte pública para acompanhamento da pandemia. A página ainda existe, mas exibe apenas a mensagem "Portal em Manutenção".

O governo também atrasou o relatório diário de infecções e mortes, que antes era divulgado às 17 horas, para além das 22 horas.

"A transparência de informação é um instrumento poderoso no combate à epidemia", disse Paulo Jerônimo de Sousa, presidente da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), em nota na qual acusa o governo de "tentar silenciar a imprensa tarde da noite".

Indagado na sexta-feira sobre o atraso na divulgação dos dados, Bolsonaro --que já minimizou a Covid-19 chamando-a de "gripezinha" -- afirmou: "Acabou matéria do Jornal Nacional."

Apesar da tática de publicação dos números fora do horário do telejornal, na sexta-feira o Jornal Nacional interrompeu transmissão da novela da emissora para transmitir os números da doença.

O Brasil reportou mais mortes por coronavírus do que qualquer outro país no mundo por três dias consecutivos nesta semana.

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