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COLUNA | O golpe de R$ 37 milhões: nem todo milionário é um gênio

Existe uma tendência de confundir sucesso financeiro com competência absoluta

16 ago 2026 - 21h20
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Uma notícia recente chamou atenção não apenas pelo tamanho do golpe, mas pelas discussões que surgiram a partir dela. Uma investigação revelou um esquema internacional de fraude em investimentos que fez uma idosa de 70 anos perder R$ 37 milhões.

Foto: gerada por IA/ChatGPT / Porto Alegre 24 horas

A vítima foi atraída por uma plataforma falsa e, ao longo de seis meses, transferiu praticamente todo o patrimônio. A Polícia Civil deflagrou a Operação Criptoabate, com 90 ordens judiciais cumpridas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Segundo a investigação, pelo menos 140 pessoas podem ter sido expostas ao esquema, enquanto as transações suspeitas movimentaram até R$ 30 bilhões.

A repercussão, porém, acabou se concentrando em uma pergunta: "Como alguém que tem R$ 37 milhões pode ser tão estúpida a ponto de perder tudo?". E acho que essa pergunta revela um problema interessante na maneira como enxergamos pessoas ricas. Ter dinheiro não significa ser inteligente. Nem sequer significa que a pessoa tenha construído a própria riqueza por mérito. Alguém pode ser herdeiro, ganhar na loteria, receber uma oportunidade excepcional ou simplesmente estar no lugar certo, na hora certa.

Agora, isso não significa que pessoas pobres sejam mais inteligentes. O ponto é outro: riqueza não transforma ninguém em um guru da vida. Uma pessoa pode ser excelente em ganhar dinheiro e, ao mesmo tempo, tomar decisões ruins em relacionamentos, ter uma família complicada, problemas pessoais ou simplesmente ser tão vulnerável a golpes quanto qualquer outra.

Existe uma tendência de confundir sucesso financeiro com competência absoluta. Olhamos para alguém bem-sucedido e presumimos que aquela pessoa sabe o que está fazendo em todas as áreas da vida. É a velha lógica de valorizar mais a aparência do que aquilo que existe por trás dela: se alguém parece bem-sucedido, imaginamos que também seja inteligente, disciplinado e competente.

Esse caso deveria servir para quebrar essa ilusão. Pessoas ricas continuam sendo pessoas, com virtudes, defeitos, inseguranças e vulnerabilidades. O patrimônio pode ser enorme, mas isso não torna ninguém imune à ingenuidade.

Porto Alegre 24 horas
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