Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

[Coluna] E se Trump tiver razão?

11 mar 2026 - 15h41
Compartilhar
Exibir comentários

O maior problema da América Latina é a falta de segurança para a maioria da população. A esquerda, em grande parte, falhou nesse aspecto.Uma onda de vitórias eleitorais da direita varre a América Latina. José Antonio Kast no Chile, Javier Milei na Argentina, Daniel Noboa no Equador, Tito Asfura em Honduras, Laura Fernández na Costa Rica. Por trás da maioria dessas vitórias está a promessa de emular Nayib Bukele: o presidente de El Salvador prega tolerância zero ao crime organizado, e os índices de violência caíram significativamente.

Os cidadãos recompensam isso - e fecham os olhos para a corrupção e as violações dos direitos humanos, como o encarceramento de dezenas de milhares de pessoas sem julgamento. Porque qualquer coisa é melhor do que ser aterrorizado pelo crime organizado, ouve-se por lá.

O crime organizado está se espalhando cada vez mais pela América Latina, até mesmo em regiões supostamente pacíficas como Uruguai, Chile, Paraguai e a região metropolitana de Buenos Aires. E no Brasil, ouve-se falar de uma mexicanização em curso: na região da fronteira com o Paraguai, em partes do Nordeste e na Amazônia, gangues criminosas estão ganhando cada vez mais influência. Sem mencionar o Rio de Janeiro, dominado por gangues e milícias.

Esquerda não acha solução para segurança

Assim como no México e na Colômbia, a política brasileira não consegue encontrar soluções para a segurança pública - velho calcanhar de Aquiles da esquerda. Como explicar isso?

Talvez a esquerda idealize demais a natureza humana, vendo-a como fundamentalmente boa, mas que é impelida a quebrar as regras devido às injustiças do sistema econômico e político. "O sistema é mau, mas minha turma é legal", como cantava a Legião Urbana. Segundo essa visão, não faz sentido punir alguém por ter nascido em um sistema injusto.

Essa vitimização é menos tolerada na direita. Regras claras são necessárias, e aqueles que não as cumprem serão punidos. Ponto final. Direitos humanos não são aceitos como desculpa.

Aprovação popular, apesar dos direitos humanos

Bombardear barcos que transportam drogas, como Donald Trump está fazendo atualmente no Caribe e no Pacífico, é, obviamente, uma violação dos direitos humanos. Mas e se isso ajudar a interromper o fluxo de drogas que mata dezenas de milhares nos EUA? Cerca de 150 pessoas foram mortas nos ataques de Trump contra os barcos - em outubro, a polícia do Rio de Janeiro matou no bairro da Penha mais traficantes em um único dia.

Pesquisas mostraram que a grande maioria aprovou as ações da polícia do Rio. Assim como em El Salvador, as pessoas aqui não toleram mais serem aterrorizadas pelo crime organizado - apesar das violações dos direitos humanos.

E Trump está pressionando o governo mexicano a intensificar a luta contra os cartéis. Enquanto isso, os líderes do México preferem varrer para debaixo do tapete o fato de que o crime organizado controla grandes partes do país e está corrompendo cada vez mais suas instituições. E que está fazendo dezenas de milhares desaparecerem para sempre, enterrados no árido solo mexicano. Isso pode realmente continuar como está?

Esquerda na mira

Mas a quebra de regras por Trump não visa apenas combater o crime organizado. Ele também está mirando estruturas estabelecidas de esquerda.

Donald Trump também violou a lei vigente no caso da Venezuela, quando mandou capturar Nicolás Maduro . Esse homem, sempre cortejado pela esquerda latino-americana, não só ocupou ilegalmente a presidência e perseguiu seus súditos, como também forçou um quarto da população a deixar o país - oito milhões de venezuelanos fugiram da miséria e da opressão!

Agora a Venezuela respira aliviada; os primeiros relatos indicam que o país está se recuperando um pouco. Fala-se até em eleições que podem ser realizadas em breve. Talvez a quebra de regras de Trump tenha, na verdade, gerado algo positivo.

Cuba

E Cuba? Aquela pequena ilha caribenha na qual a esquerda mundial projeta seus devaneios de paraíso na Terra. Com Che Guevara, que se parece com Jesus Cristo na famosa foto de Alberto Korda, mas que, na realidade, preferia colocar as pessoas no paredão. E com Fidel, o patriarca barbudo que sempre sabia o que era melhor, que governou como o último verdadeiro rei católico - e exigia que seu povo permanecesse na miséria. Só para mostrar aos odiados protestantes brancos anglo-saxões que os cubanos aguentam mais que eles.

Milhões de cubanos já estão nos EUA porque não aguentam mais viver num museu para os dinossauros da esquerda. E por mais belos que sejam os carros antigos, os jovens cubanos querem viver em liberdade e fazer parte do mundo moderno, assim como qualquer outro jovem no Ocidente. Talvez não seja tão ruim se Donald Trump der uma sacudida nas coisas por lá.

--

Thomas Milz saiu da casa de seus pais protestantes há mais de 25 anos e se mudou para o país mais católico do mundo. Tem mestrado em Ciências Políticas e História da América Latina e, desde então, trabalha como jornalista e fotógrafo para veículos como a agência de notícias KNA e o jornal Neue Zürcher Zeitung. É pai de uma menina nascida em 2012 em Salvador. Depois de uma década em São Paulo, mora no Rio de Janeiro há doze anos.

O texto reflete a opinião do autor, não necessariamente a da DW.

Esta é a última edição da coluna Realpolitik, que Thomas Milz publica mensalmente desde 2018. A DW Brasil deixará de publicar colunas a partir de abril de 2026.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
Compartilhar
TAGS
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade