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Colégio de Porto Alegre investe R$ 18 milhões em retrofit de auditório e Museu de Ciências Naturais

Projeto amplia capacidade do auditório para 600 pessoas e moderniza espaço que preserva acervo científico com mais de 260 mil exemplares

23 set 2026 - 16h32
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Resumo
O Colégio Anchieta, em Porto Alegre, investirá R$ 18 milhões no retrofit de seu auditório e do Museu de Ciências Naturais, com obras a partir de dezembro e duração de até 14 meses. As melhorias incluem modernização tecnológica, acústica, sustentabilidade e acessibilidade. O auditório passará a comportar 600 pessoas, enquanto o museu, com acervo histórico que inclui carta assinada por Albert Einstein, terá nova estrutura e climatização. A ação integra o Plano Diretor da instituição até 2035.

O Colégio Anchieta, de Porto Alegre, vai investir R$ 18 milhões na requalificação do conjunto arquitetônico que abriga o Auditório e o Museu Anchieta de Ciências Naturais. Com cerca de 3 mil alunos, a instituição inicia em dezembro as obras do projeto de retrofit, que combina intervenções estruturais, modernização tecnológica, acessibilidade, segurança e atualização dos ambientes, com prazo estimado de conclusão entre 12 e 14 meses.

Foto: Divulgação Colégio Anchieta / Porto Alegre 24 horas

Para além de uma reforma predial, a iniciativa busca preparar esses espaços para as próximas décadas, em um campus de 12 hectares, localizado no bairro Três Figueiras, na zona Leste de Porto Alegre. O Auditório é um dos principais pontos de encontro da comunidade escolar, utilizado para atividades pedagógicas, apresentações artísticas, eventos culturais, formações e celebrações. Já o Museu Anchieta preserva parte importante da trajetória científica da instituição, com um acervo cuja origem remonta a 1908.

"O projeto foi pensado para recuperar e, ao mesmo tempo, preparar o prédio para um novo ciclo de uso. Estamos intervindo na estrutura, nos sistemas prediais, na acessibilidade, na acústica, na segurança e na tecnologia, buscando uma solução que tenha qualidade arquitetônica, eficiência e durabilidade", explica o arquiteto Claudio Strüssmann, que coordena os trabalhos.

Auditório ganha espaço, tecnologia e acessibilidade

Instalado no prédio C, o novo Auditório terá 1.170 m², sendo 830 m² destinados à área do palco e da plateia e outros 340 m² para o foyer. A intervenção incorpora ao espaço uma área do antigo cineminha, atualmente sem uso, permitindo a remoção de pilares centrais e a transferência do palco para esse setor.

Com a nova configuração, a capacidade de público passará de 450 para 600 lugares. As laterais do palco receberão camarins, enquanto o ambiente será renovado com iluminação cênica, tratamento acústico, novos sistemas de projeção, sonorização e climatização central. Haverá a troca dos revestimentos das paredes, do piso e do teto por materiais isolantes, com o objetivo de aprimorar a acústica. Os equipamentos de áudio, vídeo, iluminação e projeção também integram os investimentos em tecnologia previstos para instalação após a conclusão da obra.

O foyer funcionará como uma área de transição entre o exterior e o auditório, reunindo recepção, circulação, sanitários e recursos de acessibilidade, incluindo a implantação de uma plataforma elevatória. O projeto ainda prevê passarelas sobre as treliças para facilitar a manutenção dos sistemas de climatização e dos equipamentos de prevenção e combate a incêndio.

Museu terá nova configuração e valorização do acervo

Também no prédio C, o Museu Anchieta de Ciências Naturais ocupará uma área de 585 m², incorporando o espaço de um antigo jardim interno. A proposta prevê uma nova leitura arquitetônica e museográfica, com ambientes organizados por diferentes temáticas, como sistema planetário, fósseis, aves e insetos. Painéis móveis permitirão alterar a configuração das salas conforme as atividades e projetos desenvolvidos, bem como recursos interativos, como QR codes, para complementar a exposição.

Uma das novidades estará logo na entrada: uma vitrine voltada para a área externa permitirá que parte do acervo seja visualizada por quem circula pelo local. O acesso também será renovado, com uma entrada coberta pela rua, e com instalação de rampas para pessoas com deficiência física ou visual, eliminando as escadas íngremes existentes.

A estrutura do telhado será substituída por uma solução metálica com telhas térmicas e acústicas. O museu também receberá iluminação em LED e sistemas modernos de controle de umidade e temperatura para conservação do acervo. Haverá uma sala de aula exclusiva, com acesso direto para os estudantes. A configuração permitirá que as turmas circulem de forma independente, sem interferir nas demais áreas de visitação.

O espaço abriga um dos mais relevantes museus escolares da América Latina. São cerca de 130 mil insetos catalogados e 118 mil aracnídeos, entre aranhas, escorpiões, opiliões e carrapatos. A coleção reúne ainda aproximadamente 12 mil peixes provenientes do Brasil, Uruguai e Argentina, além de répteis, anfíbios, aves e mamíferos taxidermizados, fósseis de vertebrados, invertebrados e vegetais, conchas e amostras de minerais e rochas coletadas no Brasil e no exterior.

Entre as peças de valor histórico preservadas pelo museu está uma carta escrita pelo físico alemão Albert Einstein há 75 anos. Datado de 24 de junho de 1951, o documento foi datilografado e assinado à mão pelo cientista e contém uma mensagem dirigida aos alunos do Colégio Anchieta. A correspondência foi trazida a Porto Alegre pelo então diretor da instituição, padre Gaspar Dutra, que estava nos Estados Unidos para uma temporada de estudos e, naquele dia, encontrou-se com Einstein na Universidade de Princeton, em Nova Jersey. A carta chegou ao Brasil acompanhada de uma fotografia exclusiva, feita pelo fotógrafo Marcel Sternberger. Atualmente, réplicas das duas relíquias estão expostas no museu, dentro de uma redoma de vidro.

Segundo Strüssmann, a sustentabilidade também está incorporada às decisões técnicas do projeto. "A obra prioriza materiais de menor impacto ambiental e produtos certificados, assim como a instalação de sistemas de automação predial para reduzir o consumo de energia e água. Também estamos planejando o descarte adequado dos resíduos, especialmente de materiais como o cimento amianto que será retirado, seguindo as normas ambientais e de saúde aplicáveis", afirma.

As intervenções fazem parte do Plano Diretor do Colégio Anchieta, que estabelece diretrizes para o desenvolvimento da infraestrutura do campus até 2035. "Investir nesses espaços é fortalecer a própria missão da escola. O Auditório e o Museu são lugares onde os estudantes aprendem, convivem, descobrem, criam e compartilham experiências. Ao recuperar e modernizar essas estruturas, estamos preservando uma parte importante da nossa história e garantindo que elas continuem cumprindo sua função educativa e cultural para as próximas gerações", destaca Cristina Guzinski, coordenadora do Setor Comunitário do Colégio Anchieta.

"Olhando para 2035, renovamos nossa confiança no futuro. Os investimentos previstos no Plano Diretor fortalecerão nossa capacidade de educar com excelência, ampliar oportunidades de aprendizagem e manter a escola como uma referência acadêmica, humana e inovadora. Estamos construindo, juntos, não apenas novos espaços, mas novas possibilidades para ensinar, inspirar e transformar vidas", afirma o diretor-geral do Colégio Anchieta, padre Vicente Palotti Zorzo.

Informações para visitação

A equipe do Museu Anchieta oferece visitas guiadas para o público em geral, com agendamento prévio pelo telefone: (51) 3382-6000, ramal 6087, ou pelo e-mail: museuanchieta@colegioanchieta.g12.br. O endereço é na avenida Nilo Peçanha, 1521, no bairro Três Figueiras, em Porto Alegre (RS). As visitações ocorrem de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 12h e das 13h às 18h, e a entrada é gratuita.

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