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2020 deve ser um dos 3 anos mais quentes da história; para ONU, mundo caminha para suicídio

Temperatura deste ano deve ficar 1,2°C acima da média observada entre 1850 e 1900, informou a Organização Meteorológica Mundial, como reflexo do aquecimento global

2 dez 2020
10h31
atualizado às 17h34
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Com o avanço do aquecimento global, o ano de 2020, que foi marcado por ondas de calor, secas, incêndios florestais e furacões, deve terminar como um dos três mais quentes do registro histórico. E a década de 2011 a 2020 como a mais quente desde que a temperatura começou a ser medida, no fim do século 19. É o que estima a Organização Meteorológica Mundial (OMM) com base na situação observada por pelo menos cinco bases de dados mundiais entre janeiro e outubro deste ano. Um relatório prévio do seu Estado do Clima Global em 2020 foi divulgado nesta quarta-feira, 2.

"A temperatura média global em 2020 deve ficar cerca de 1,2°C acima do nível pré-industrial (1850-1900). Há pelo menos uma chance em cinco de exceder temporariamente 1,5°C até 2024", afirmou o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, em comunicado à imprensa. Conter o aquecimento do planeta em 1,5°C até o fim do século é o objetivo mais ousado do Acordo de Paris, estabelecido em 2015, mas parece estar cada vez mais longe de ser alcançado.

Mesmo com as medidas de lockdown adotadas em vários países por causa da pandemia de covid-19, que paralisaram atividades industriais, a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, que provocam o aquecimento do planeta, continuou subindo este ano, já havia informado no fim de novembro a OMM. No próximo dia 12, o Acordo de Paris completa cinco anos, mas os compromissos que quase 200 países do mundo fizeram para reduzir suas emissões não estão deixando o mundo no caminho de conter a elevação da temperatura. "Mais esforços são necessários", frisou Taalas.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, afirmou que a culpa pelo problema é das emissões causadas pelas atividades humanas e da falta de políticas para lidar com a questão. "Para colocar isso de modo simples, o planeta está quebrado. A humanidade está travando uma guerra com a natureza e isso é suicida", disse em evento em Nova York, após o lançamento do relatório.

Taalas lembrou que o ano mais quente até então, o de 2016, coincidiu com a forte ocorrência do fenômeno El Niño, que aquece as águas do Pacífico e colabora com o aumento da temperatura do planeta. Mas, em 2020, está em vigor um fenômeno contrário, o La Niña, que tem um efeito de esfriamento - mesmo assim, a temperatura média da Terra subiu. "Não foi suficiente para colocar um freio no aquecimento deste ano. Este ano já mostrou recordes de calor comparáveis aos de 2016", afirmou. O relatório final, com a temperatura média do ano, deve ser divulgado em março de 2021.

Diversas partes do planeta sofreram, em 2020, com ondas de calor extremo, com queimadas devastadoras na Austrália, na Sibéria, na costa oeste dos Estados Unidos e na América do Sul. Os incêndios no Pantanal neste ano, lembrados no relatório da OMM, foram recordes desde o início das medições, em 1998, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), piorados em parte pela seca intensa e pelas altas temperaturas. A OMM cita que as perdas agrícolas estimadas com as queimadas foram de US$ 33 bilhões somente no Brasil.

Cidades do Mato Grosso, do Mato Grosso do Sul e de São Paulo bateram recordes de temperatura neste ano. A capital paulista teve a segunda maior temperatura de sua história.

De acordo com o relatório, a temperatura do oceano está em níveis recordes e mais de 80% dos mares do planeta experimentaram uma onda de calor marinha em algum momento de 2020, impactando, de forma generalizada, os ecossistemas marinhos, que já sofrem com águas mais ácidas devido à absorção de dióxido de carbono (CO2). Esse aquecimento dos oceanos colaborou com a ocorrência de um número recorde de furacões no Atlântico.

Guterres disse que os desastres naturais relacionados à mudança climática já custaram ao mundo US$ 150 bilhões, e que a poluição do ar e da água mata 9 milhões de pessoas por ano. Ele pediu a líderes mundiais para alinharem as finanças globais em torno do Acordo de Paris, a fim de alcançar emissões líquidas zero e financiar esforços para se adaptar às mudanças climáticas. / COM REUTERS

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