Christa Pike está 'consciente e falando' após sobreviver a duas injeções letais nos EUA
Detenta foi condenada a pena de morte no Tennessee, mas sobreviveu à execução no dia 1º de outubro
Christa Pike, a detenta que sobreviveu a duas injeções letais no corredor da morte nos Estados Unidos, está consciente e consegue se comunicar. A informação foi divulgada pelos advogados de Pike nesta terça-feira, 6, dias depois dela ter sobrevivido à uma execução no Tennessee.
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A prisioneira ficou internada em estado crítico após a execução falhar na última quinta-feira, 1º. Antes do procedimento, ela afirmou que estava em paz e que deixaria o mundo 'com amor'. "Estou pronta pra ser livre. Hoje é um dia feliz", disse.
Pike continua recebendo "cuidados médicos essenciais", de acordo com uma declaração de Randy Spivey e Kelly Gleason, do Escritório de Defesa Pós-Condenação do Tennessee, e Stephen Ferrell e Luke Ihnen, do Serviço de Defesa Federal do Leste do Tennessee.
"Contra todas as expectativas, Christa Pike está consciente, falando e continua recebendo cuidados médicos essenciais. Apesar dos graves ferimentos nos braços, ela ainda está algemada e acorrentada à cama. Sua recuperação é um feito médico sem precedentes. Seu prognóstico permanece incerto, mas, no mínimo, esperamos uma longa recuperação", diz o comunicado dos advogados.
Apesar de não ter ido à óbito, a injeção fez com que seus braços ficassem queimados e com bolhas. "Ela sobreviveu a duas rodadas completas de injeção letal, conforme o protocolo do Tennessee, apesar do alerta de seus advogados ao estado sobre problemas específicos com suas veias. Ela é a única pessoa conhecida por ter sobrevivido a uma tentativa de execução completa nos EUA", acrescenta.
Caso a execução tivesse sido concretizada, Pike teria sido a primeira mulher do estado a ser executada em mais de 200 anos. Ela foi condenada em 1995, aos 18 anos, pelo assassinato de sua colega de classe Colleen Slemmer.
Por que Christa Pike foi condenada a pena de morte?
Em 1995, Pike foi acusada de agir em conjunto com outros dois adolescentes para torturar, cortar e espancar fatalmente Colleen Slemmer, de 19 anos. A polícia disse que Pike e os amigos atraíram a vítima, uma colega do programa de treinamento Job Corps, para uma usina a vapor abandonada na Universidade do Tennessee, e a atacaram. O assassinato teria sido motivado por ciúmes.
Hoje, aos 50 anos, ela seria a primeira mulher executada pelo estado em mais de 200 anos. O governador Bill Lee já havia manifestado que não iria intervir no caso de Pike. Em carta à NBC News, a mulher revelou que não tem medo de morrer, mas está nervosa com o processo. "Se meu indulto for concedido ou não, estou em paz", declarou.
O crime de Pike ganhou repercussão por apresentar traços de ocultismo. Um dos envolvidos esculpiu um pentagrama no peito da vítima e Pike se gabou para uma outra aluna de ter guardado um fragmento do crânio de Slemmer como "lembrança".
Pike nunca contestou seu papel no assassinato de Slemmer, mas a defesa dela trouxe à tona detalhes de uma adolescência marcada por abuso sexual e físico, além de negligência. Os advogados acreditam que, se tais evidências tivessem sido apresentadas em um julgamento nos dias atuais, ela não teria sido condenada à pena de morte.
Após a recusa do governador, a Suprema Corte parecia ser a última chance de Pike de ter um indulto, no entanto, o tribunal negou o pedido de reversão da pena. Os advogados lamentaram a "falta de clemência" por parte do governador.
Dos três envolvidos no assassinato, apenas Pike foi condenada à morte. Os advogados argumentam que a idade dela na época teria sido um fator relevante hoje em dia para considerar sua pena. O namorado de Pike, Tadaryl Shipp, que na época tinha 17 anos, recebeu uma sentença de prisão perpétua por ser menor de idade e com direito à possibilidade de liberdade condicional.
Ele confirmou que foi o responsável por esculpir o pentagrama no corpo de Slemmer. A terceira cúmplice, Shadolla Peterson, então com 18 anos, agiu como vigia no crime e recebeu liberdade condicional em troca de sua cooperação.
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