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Christa Pike está 'consciente e falando' após sobreviver a duas injeções letais nos EUA

Detenta foi condenada a pena de morte no Tennessee, mas sobreviveu à execução no dia 1º de outubro

6 out 2026 - 20h51
(atualizado às 20h54)
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A prisioneira Christa Pike, de 50 anos, está internada em estado crítico no Tennessee
A prisioneira Christa Pike, de 50 anos, está internada em estado crítico no Tennessee
Foto: J. Miles Cary/Knoxville News Sentinel/USA TODAY via REUTERS

Christa Pike, a detenta que sobreviveu a duas injeções letais no corredor da morte nos Estados Unidos, está consciente e consegue se comunicar. A informação foi divulgada pelos advogados de Pike nesta terça-feira, 6, dias depois dela ter sobrevivido à uma execução no Tennessee. 

A prisioneira ficou internada em estado crítico após a execução falhar na última quinta-feira, 1º. Antes do procedimento, ela afirmou que estava em paz e que deixaria o mundo 'com amor'. "Estou pronta pra ser livre. Hoje é um dia feliz", disse.

Pike continua recebendo "cuidados médicos essenciais", de acordo com uma declaração de Randy Spivey e Kelly Gleason, do Escritório de Defesa Pós-Condenação do Tennessee, e Stephen Ferrell e Luke Ihnen, do Serviço de Defesa Federal do Leste do Tennessee.

"Contra todas as expectativas, Christa Pike está consciente, falando e continua recebendo cuidados médicos essenciais. Apesar dos graves ferimentos nos braços, ela ainda está algemada e acorrentada à cama. Sua recuperação é um feito médico sem precedentes. Seu prognóstico permanece incerto, mas, no mínimo, esperamos uma longa recuperação", diz o comunicado dos advogados.

Christa Pike. Pike, de 50 anos, segue hospitalizada e sem previsão de recuperação
Christa Pike. Pike, de 50 anos, segue hospitalizada e sem previsão de recuperação
Foto: Reprodução / Estadão

Apesar de não ter ido à óbito, a injeção fez com que seus braços ficassem queimados e com bolhas. "Ela sobreviveu  a duas rodadas completas de injeção letal, conforme o protocolo do Tennessee, apesar do alerta de seus advogados ao estado sobre problemas específicos com suas veias. Ela é a única pessoa conhecida por ter sobrevivido a uma tentativa de execução completa nos EUA", acrescenta.

Caso a execução tivesse sido concretizada, Pike teria sido a primeira mulher do estado a ser executada em mais de 200 anos. Ela foi condenada em 1995, aos 18 anos, pelo assassinato de sua colega de classe Colleen Slemmer.

Por que Christa Pike foi condenada a pena de morte?

Em 1995, Pike foi acusada de agir em conjunto com outros dois adolescentes para torturar, cortar e espancar fatalmente Colleen Slemmer, de 19 anos. A polícia disse que Pike e os amigos atraíram a vítima, uma colega do programa de treinamento Job Corps, para uma usina a vapor abandonada na Universidade do Tennessee, e a atacaram. O assassinato teria sido motivado por ciúmes. 

Hoje, aos 50 anos, ela seria a primeira mulher executada pelo estado em mais de 200 anos. O governador Bill Lee já havia manifestado que não iria intervir no caso de Pike. Em carta à NBC News, a mulher revelou que não tem medo de morrer, mas está nervosa com o processo. "Se meu indulto for concedido ou não, estou em paz", declarou. 

O crime de Pike ganhou repercussão por apresentar traços de ocultismo. Um dos envolvidos esculpiu um pentagrama no peito da vítima e Pike se gabou para uma outra aluna de ter guardado um fragmento do crânio de Slemmer como "lembrança".

Christa Pike cometeu crime aos 18 anos e, desde então, segue presa
Christa Pike cometeu crime aos 18 anos e, desde então, segue presa
Foto: Reprodução/NBC News

Pike nunca contestou seu papel no assassinato de Slemmer, mas a defesa dela trouxe à tona detalhes de uma adolescência marcada por abuso sexual e físico, além de negligência. Os advogados acreditam que, se tais evidências tivessem sido apresentadas em um julgamento nos dias atuais, ela não teria sido condenada à pena de morte. 

Após a recusa do governador, a Suprema Corte parecia ser a última chance de Pike de ter um indulto, no entanto, o tribunal negou o pedido de reversão da pena. Os advogados lamentaram a "falta de clemência" por parte do governador. 

Dos três envolvidos no assassinato, apenas Pike foi condenada à morte. Os advogados argumentam que a idade dela na época teria sido um fator relevante hoje em dia para considerar sua pena. O namorado de Pike, Tadaryl Shipp, que na época tinha 17 anos, recebeu uma sentença de prisão perpétua por ser menor de idade e com direito à possibilidade de liberdade condicional.

Ele confirmou que foi o responsável por esculpir o pentagrama no corpo de Slemmer. A terceira cúmplice, Shadolla Peterson, então com 18 anos, agiu como vigia no crime e recebeu liberdade condicional em troca de sua cooperação.

Fonte: Portal Terra
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