Caso Richthofen: investigador revela atitude surpreendente de Andreas após assassinato dos pais
Ex-chefe do DHPP relembrou episódio envolvendo o irmão de Suzane von Richthofen durante as investigações do crime de 2002 e contou que comportamento do jovem chamou atenção dos policiais
Mais de duas décadas após o assassinato do casal Richthofen, o ex-chefe do DHPP Robson Feitosa revelou uma reação incomum de Andreas von Richthofen, irmão de Suzane. Logo após a morte violenta dos pais em 2002, o jovem de 15 anos causou estranhamento na delegacia ao recusar refeições e insistir em pedir um sorvete, mesmo após ser repreendido pelo policial. O investigador destacou que a atitude inesperada serviu para observar o comportamento do jovem diante do forte trauma vivido.
Mais de duas décadas após o assassinato de Manfred e Marísia von Richthofen, ocorrido em outubro de 2002, um dos investigadores responsáveis pelo caso trouxe à tona uma situação que considerou incomum durante os primeiros momentos da investigação. Robson Feitosa, ex-chefe do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), relembrou uma atitude de Andreas von Richthofen, irmão de Suzane, pouco depois de os corpos dos pais serem retirados da residência da família.
Durante participação no videocast Investigação AH, Feitosa contou que o jovem surpreendeu os policiais ao pedir um sorvete enquanto estava na delegacia, após acompanhar os procedimentos iniciais relacionados ao assassinato. Segundo o investigador, a solicitação provocou uma reação imediata, já que ele não esperava ouvir aquele pedido diante da gravidade da situação.
Investigador relembra momentos após descoberta do crime
De acordo com Robson Feitosa, a situação aconteceu depois que as equipes responsáveis pela investigação concluíram os primeiros trabalhos na residência da família Richthofen, incluindo a perícia e os registros em vídeo do local onde Manfred e Marísia foram encontrados mortos.
Após os procedimentos, os policiais retornaram à delegacia acompanhados de Andreas, que havia acabado de perder os pais de maneira violenta.
O ex-chefe do DHPP explicou que a equipe estava trabalhando havia várias horas e, em determinado momento, percebeu que ninguém havia feito uma refeição durante o dia.
Diante disso, os investigadores decidiram providenciar alimentos para os profissionais envolvidos na ocorrência e também para o jovem, que permanecia na unidade policial.
Ao ser questionado sobre o que gostaria de comer, Andreas respondeu inicialmente que não queria nada. Feitosa, no entanto, insistiu para que ele se alimentasse, levando em consideração o longo período sem comida e o desgaste provocado pelos acontecimentos.
Pedido de sorvete surpreendeu policiais
Foi durante essa conversa que Andreas fez uma solicitação que, segundo o investigador, causou estranhamento. Em vez de escolher uma refeição, o jovem afirmou que gostaria de tomar um sorvete.
A resposta surpreendeu Feitosa, que contou ter reagido de maneira enérgica ao ouvir o pedido.
"Eu parei, olhei para ele e falei: 'Calma lá, cara, que brincadeira de mau gosto é essa? Se matam meu pai e minha mãe, eu não vou tomar sorvete. Você está louco?'", recordou o investigador.
Durante a entrevista, o ex-chefe do DHPP revelou que chegou a bater na mesa enquanto questionava Andreas sobre a escolha.
A reação, segundo ele, também tinha o objetivo de observar como o jovem se comportaria diante de uma abordagem mais incisiva.
Andreas manteve pedido mesmo após reação do investigador
Apesar da surpresa demonstrada pelo policial, Andreas não mudou sua resposta. Conforme o relato de Feitosa, o jovem continuou afirmando que desejava um sorvete.
O investigador explicou que sua própria reação fazia parte de uma tentativa de compreender o comportamento do irmão de Suzane naquele momento.
Foi até uma reação assim, para ver o que é que falava, mas: 'Eu quero um sorvete'", relatou.
Para Feitosa, a insistência de Andreas foi um dos episódios que permaneceram em sua memória ao longo dos anos de atuação na polícia.
O ex-chefe do DHPP ressaltou que, durante investigações de homicídios, os profissionais costumam observar não apenas depoimentos e evidências materiais, mas também atitudes e reações das pessoas envolvidas nos acontecimentos.
"Então são pequenos detalhes que você começa a observar", concluiu.
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Crime da família Richthofen marcou o Brasil
O assassinato de Manfred e Marísia von Richthofen aconteceu em 31 de outubro de 2002, na residência da família, localizada em São Paulo.
O casal foi morto enquanto dormia, em um crime planejado por sua filha, Suzane von Richthofen, em conjunto com o então namorado, Daniel Cravinhos, e o irmão dele, Cristian Cravinhos.
O caso ganhou enorme repercussão nacional, principalmente pela participação da própria filha das vítimas no planejamento dos assassinatos.
Andreas, irmão mais novo de Suzane, não teve participação no crime e perdeu os pais aos 15 anos.
Mais de 20 anos depois, o episódio continua despertando interesse público e sendo abordado em produções audiovisuais, documentários e entrevistas com profissionais que participaram das investigações.
O relato de Robson Feitosa acrescenta uma lembrança dos bastidores do trabalho policial e mostra como determinadas situações permaneceram marcadas na memória dos investigadores.
Embora o pedido de Andreas tenha causado estranhamento ao ex-chefe do DHPP, reações individuais diante de acontecimentos traumáticos podem variar, e o episódio, isoladamente, não indica envolvimento ou responsabilidade pelo crime.
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