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Caso Epstein: ex-príncipe Andrew deixa prisão no Reino Unido

19 fev 2026 - 09h01
(atualizado às 18h05)
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Irmão do rei Charles 3° ficou detido por cerca de 11 horas, suspeito de enviar documentos confidenciais do governo britânico a Jeffrey Epstein. Monarca diz que "a lei deve seguir seu curso".O ex-príncipe britânico Andrew Mountbatten Windsor, irmão do rei Charles 3°, foi libertado após ter ficado detido por cerca de 11 horas nesta quinta-feira (19/02), em meio a uma investigação por suspeita de má conduta em cargo público.

Andrew no banco de trás de um veículo, ao sair da delegacia em Norfolk, após ter sido interrogado por quase 12 horas
Andrew no banco de trás de um veículo, ao sair da delegacia em Norfolk, após ter sido interrogado por quase 12 horas
Foto: DW / Deutsche Welle

O ex-duque de York, que se tornou o primeiro membro sênior da família real na história moderna a ser preso, é acusado de compartilhar informações confidenciais com o magnata e criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein enquanto atuava como enviado comercial do Reino Unido.

Detido exatamente no dia do seu 66º aniversário, o oitavo na linha de sucessão ao trono foi fotografado encolhido no banco de trás de um veículo, ao sair da delegacia de polícia de Aylsham, em Norfolk.

A Polícia do Vale do Tâmisa disse que ele foi liberado sob investigação e que as buscas em uma propriedade em Norfolk, a casa de Andrew na propriedade de Sandringham, foram concluídas. As buscas em seu antigo endereço, o Royal Lodge em Windsor, Berkshire, ainda estariam em andamento na noite desta quinta.

No início deste mês, a polícia afirmou que estava investigando alegações de que Andrew repassou documentos a Epstein, o que foi revelado com a divulgação dos arquivos do caso pelos EUA.

Esses arquivos sugerem que Mountbatten-Windsor havia, em 2010, encaminhado a Epstein relatórios sobre o Vietnã, Singapura e outros lugares que ele havia visitado em viagens oficiais como representante especial do governo para Comércio e Investimento.

Políticos, personalidades do mundo acadêmico e famosos de todo o mundo estão nos documentos do caso Epstein. Embora os autos do inquérito sobre o caso tenham sido divulgados, ainda não é possível avaliar o grau de envolvimento de cada um dos nomes mencionados nos arquivos sobre o escândalo de abuso sexual e se outros crimes ainda virão à tona.

"A lei deve seguir seu curso", diz Charles 3º

"Recebi com profunda preocupação a notícia sobre Andrew Mountbatten-Windsor e a suspeita de má conduta em cargo público", afirmou o rei Charles 3° em comunicado divulgado nesta quinta-feira.

Embora o Palácio de Buckingham não tenha sido informado previamente sobre a prisão, Charles afirmou que as autoridades contam com o "apoio e a cooperação total e incondicional" da família.

"Deixe-me afirmar claramente: a lei deve seguir seu curso [...] Enquanto isso, minha família e eu continuaremos cumprindo nosso dever e servindo a todos vocês", dizia a nota.

O ex-príncipe, segundo filho da rainha Elizabeth, morta em 2022, sempre negou qualquer irregularidade em relação ao caso Epstein e disse que se arrepende da amizade que mantinha com o bilionário.

A prisão de um membro sênior da família real, oitavo na linha de sucessão ao trono, é sem precedentes nos tempos modernos.

Investigação em andamento

A polícia não divulgou inicialmente o nome de Andrew, como é habitual na legislação britânica. Quando questionada sobre a detenção, as autoridades indicaram, através de um comunicado, que tinha sido detido um homem de cerca de 60 anos.

"Após uma avaliação minuciosa, abrimos uma investigação sobre esta alegação de má conduta em cargo público", afirma o comunicado. "É importante protegermos a integridade e a objetividade da nossa investigação enquanto trabalhamos com os nossos parceiros para investigar este alegado crime", acrescentaram as autoridades britânicas.

Segundo a polícia do Vale do Tâmisa, o detido permanece sob custódia em uma delegacia. De acordo com a legislação do Reino Unido, uma prisão exige que a polícia tenha motivos razoáveis para suspeitar que um crime foi cometido e para acreditar que a detenção da pessoa é necessária.

Atualmente, diversas forças policiais britânicas analisam o movimento do avião privado de Epstein em diferentes aeroportos do país para tentar averiguar se a aeronave foi utilizada pelo magnata para o tráfico de menores de idade.

Andrew e Epstein

Andrew, que completou 66 anos nesta quinta-feira, perdeu o título real após ter sido associado a um esquema de exploração sexual de mulheres e adolescentes, orquestrado por Epstein, há anos na mira das autoridades dos Estados Unidos. Uma das vítimas alegou ter sido traficada por Epstein e forçada a fazer sexo com Andrew quando tinha 17 anos.

A falecida Virginia Giuffre afirmou em 2014 que foi traficada para o Reino Unido por Epstein quando ainda era menor de idade e obrigada a manter relações sexuais com o ex-príncipe, alegação que Andrew sempre negou.

Em 2022, Andrew abriu mão de algumas posições militares que acumulava. Em outubro de 2025, ele anunciou que renunciaria também a todos os seus títulos e honras reais, incluindo o de duque de York. Ele pretendia manter o título de príncipe, já que é algo que obteve por nascimento, sendo o terceiro filho da falecida rainha Elizabeth 2ª.

No entanto, uma semana depois do anúncio, o rei destituiu o título de príncipe do irmão mais novo e o expulsou de sua residência real, o Royal Lodg, numa tentativa de evitar novos danos à reputação da família real.

A pressão em torno de Andrew se aprofundou no início deste mês após e-mails divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelarem que o ex-príncipe teria fornecido a Epstein documentos sensíveis do governo britânico.

cn/rc (Reuters, EFE, DPA, Lusa)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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