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Caminhão a diesel, biocombustível ou elétrico: quanto custa rodar com cada tecnologia em 2026

Elétrico tem menor custo em rotas urbanas, enquanto diesel e biocombustível seguem mais viáveis na estrada

4 mai 2026 - 05h42
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Rodar com caminhão elétrico já é mais barato do que com diesel em 2026, mas isso não significa que a tecnologia seja a melhor opção para todo tipo de operação. Na prática, o custo por quilômetro, embora relevante, não determina sozinho a viabilidade no transporte de cargas.

Custo por km favorece o elétrico, mas escala, carga e autonomia mantêm combustão competitiva. |
Custo por km favorece o elétrico, mas escala, carga e autonomia mantêm combustão competitiva. |
Foto: Volvo/Divulgação / Estadão

Levantamento do Estradão feito com base em dados de mercado, órgãos reguladores e especificações técnicas de montadoras mostra que o elétrico tem vantagem clara no consumo de energia, enquanto diesel e biocombustível seguem mais competitivos em operações de longa distância, onde escala, autonomia e infraestrutura ainda pesam mais.

Caminhão elétrico tem melhor custo por km

Nos caminhões pesados, o custo de energia elétrica varia entre R$ 1,20 e R$ 1,60 por quilômetro rodado, considerando consumo médio de 1,5 a 2,0 kWh/km em modelos de grande porte.

Já o diesel S10, com preço médio de R$ 7,58 por litro segundo a Agência Nacional do Petróleo, tem custo entre R$ 3,29 e R$ 3,79 por km, a depender da eficiência do veículo. O valor ainda sobe com o uso de Arla 32, obrigatório em motores Euro 6.

O biocombustível, na mistura atual (B15) definida pelo Conselho Nacional de Política Energética, apresenta custo semelhante ao diesel, variando entre R$ 3,35 e R$ 3,85 por km, com leve perda de eficiência e possível aumento de manutenção.

Na média, a diferença de custo pode chegar a cerca de 60% a favor do elétrico.

O custo por quilômetro é apenas uma parte da conta. O painel abaixo mostra onde o caminhão elétrico já venceu — e onde ainda perde — na comparação com diesel e biocombustível em 2026.

Diesel, biocombustível e elétrico: custo por km em 2026

Estradão — dados de mercado 2026

Diesel, biocombustível e elétrico: custo por km em 2026

Comparativo de custo operacional, infraestrutura e viabilidade dos três tipos de caminhão no Brasil.

Elétrico

R$ 1,40/km

intervalo: R$ 1,20 a R$ 1,60

Média calculada pelo Estradão a partir de dados de mercado

Diesel S10

R$ 3,54/km

intervalo: R$ 3,29 a R$ 3,79

Média calculada pelo Estradão; preço do litro: ANP (R$ 7,58)

Biocombustível (B15)

R$ 3,60/km

intervalo: R$ 3,35 a R$ 3,85

Média calculada pelo Estradão; mistura B15: CNPE

Custo por km — comparativo visual

Elétrico Diesel S10 Biocombustível B15 Elétrico R$ 1,40 −60% Diesel S10 R$ 3,54 referência Biocombustível B15 R$ 3,60 +2%

Médias calculadas pelo Estradão. Preço do diesel S10: ANP (R$ 7,58/litro). Mistura B15: CNPE.

Simulador — custo total por distância percorrida

Selecione a distância:

500 km 1.000 km 2.000 km 3.000 km 5.000 km menor custo

Elétrico

R$ 700

R$ 1,40/km (média Estradão)

combustão

Diesel S10

R$ 1.770

R$ 3,54/km (média Estradão)

intermediário

Biocombustível B15

R$ 1.800

R$ 3,60/km (média Estradão)

menor custo

Elétrico

R$ 1.400

R$ 1,40/km (média Estradão)

combustão

Diesel S10

R$ 3.540

R$ 3,54/km (média Estradão)

intermediário

Biocombustível B15

R$ 3.600

R$ 3,60/km (média Estradão)

menor custo

Elétrico

R$ 2.800

R$ 1,40/km (média Estradão)

combustão

Diesel S10

R$ 7.080

R$ 3,54/km (média Estradão)

intermediário

Biocombustível B15

R$ 7.200

R$ 3,60/km (média Estradão)

menor custo

Elétrico

R$ 4.200

R$ 1,40/km (média Estradão)

combustão

Diesel S10

R$ 10.620

R$ 3,54/km (média Estradão)

intermediário

Biocombustível B15

R$ 10.800

R$ 3,60/km (média Estradão)

menor custo

Elétrico

R$ 7.000

R$ 1,40/km (média Estradão)

combustão

Diesel S10

R$ 17.700

R$ 3,54/km (média Estradão)

intermediário

Biocombustível B15

R$ 18.000

R$ 3,60/km (média Estradão)

Simulação baseada nas médias calculadas pelo Estradão. Valores reais variam conforme eficiência do veículo, topografia e condições de operação.

Por que o elétrico ainda não ganhou escala

Custo inicial do veículo

Elétrico até 3× mais caro Diesel referência

Fonte: dados de mercado, 2026.

Participação da frota elétrica de caminhões no Brasil

Frota elétrica atual 0,4%

Fonte: Mirow & Co.

Projeção para 2030 (cenário otimista) até 8%

Fonte: EPE e Anfavea (intervalo de 1,9% a 8% conforme o cenário).

Diesel — participação projetada em 2030 mais de 85%

Fonte: Mirow & Co.

Principais gargalos

Carregadores insuficientes

Poucos carregadores DC têm potência e espaço físico adequados para caminhões de médio e grande porte.

Rede elétrica limitada

Muitas rodovias não têm acesso a redes de média ou alta tensão, necessárias para carregadores de alta potência.

Tempo de adequação longo

Reforço de rede e subestações podem levar de 6 a 24 meses, encarecendo e retardando a expansão da malha de recarga.

Fonte: ANEEL; Mirow & Co.

Perda de carga útil

Baterias pesadas reduzem em até 2 toneladas a capacidade de carga, impactando operações com grãos e minério.

Quanto tempo para pagar o custo extra da compra

320.000 km ≈ 3,2 anos rodando 100 mil km/ano

A cada quilômetro rodado, a economia no combustível vai compensando o preço mais alto na compra. Após 320 mil km, o custo extra já foi recuperado.

Fonte: Scania (quilometragem de equilíbrio); CNT (média de 100 mil km/ano).

Elaborado pelo Estradão com base em dados de mercado, ANP, CNPE, Scania, Mirow & Co., EPE, Anfavea e CNT. Os intervalos de custo por km são estimativas para 2026 e variam conforme eficiência do veículo, topografia e condições de operação.

Uma das críticas históricas ao caminhão elétrico é a perda de carga útil causada pelo peso das baterias. Em dezembro de 2024, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) publicou a Resolução nº 1.015, que aumenta em 1 tonelada a capacidade de peso no eixo dianteiro de caminhões e ônibus com propulsão alternativa ao diesel — incluindo elétricos, a gás e híbridos. Com isso, esses veículos passam a operar com até 7 toneladas no eixo dianteiro. A medida busca tornar as tecnologias alternativas mais competitivas frente ao diesel em termos de capacidade de carga.

Conta não fecha só no abastecimento

Apesar da vantagem no custo por km, o caminhão elétrico ainda enfrenta barreiras relevantes no Brasil. O principal entrave é o custo inicial: em 2026, um modelo pesado pode custar até três vezes mais que um equivalente a diesel.

Além disso, a infraestrutura de recarga ainda limita a expansão. Hoje, apenas 0,4% da frota de caminhões no país é elétrica , com concentração em operações urbanas e de grandes empresas.

Estudos indicam que, mesmo com crescimento, a participação deve chegar a no máximo 6% a 8% até 2030, mantendo o diesel como predominante no transporte rodoviário.

Quando o elétrico começa a compensar

Dados técnicos da Scania indicam que caminhões elétricos pesados já operam com consumo entre 1,45 e 1,75 kWh/km, em condições controladas de carga e topografia.

Na prática, o ganho operacional não vem apenas da energia mais barata. A manutenção também pesa: a ausência de componentes como óleo e sistemas complexos reduz o custo ao longo do tempo.

Ainda assim, o ponto de equilíbrio frente ao diesel só é atingido após cerca de 320 mil quilômetros rodados, ou aproximadamente três anos e meio de operação intensa, segundo projeções da própria fabricante.

Diesel e biocombustível seguem mais viáveis na estrada

Mesmo com avanços tecnológicos, o diesel continua sendo a principal escolha no transporte de longa distância.

A maior autonomia, a facilidade de abastecimento e a manutenção da capacidade de carga — sem o peso adicional das baterias — garantem vantagem em rotas rodoviárias.

Nos modelos elétricos, a perda de até duas toneladas de carga útil pode afetar diretamente o faturamento em operações com cargas densas, como grãos e minério.

Já o biocombustível avança como alternativa intermediária, aproveitando a infraestrutura existente e reduzindo emissões sem alterar significativamente a operação.

O que define o custo real em 2026

A comparação entre diesel, biocombustível e elétrico mostra que não existe uma tecnologia única mais barata para todas as aplicações.

O elétrico já venceu no custo por quilômetro, mas ainda não ganhou escala. O diesel segue dominante por atender melhor às exigências operacionais do transporte de cargas no país.

Na prática, a escolha depende do tipo de operação: rotas urbanas e previsíveis favorecem a eletrificação, enquanto longas distâncias ainda exigem soluções baseadas em combustão.

Estadão
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